O número de inadimplentes sem condições de pagar as contas aumentou 17% em Campo Grande no mês de fevereiro. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e divulgada ontem 56.042 consumidores não terão condições de quitar suas dívidas no varejo, ou 18,2% dos entrevistados. Em janeiro eram 47.894 pessoas nesta situação.
Já a inadimplência também avançou no comércio, passando de 33,3% dos entrevistados para 34,3% no mês passado, com 105.730 devedores, diante de 102.684 pessoas em janeiro.
A pesquisa aponta ainda que no mês de fevereiro o índice de famílias com dívidas em Campo Grande caiu de 59,1% para 58,6%, em relação ao mês de janeiro. Em números absolutos, são 180.820 famílias endividadas em fevereiro, 1.383 a menos que em janeiro.
O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de dívidas dos campo-grandenses (63,7%), seguido pelos carnês (24,1%) e pelo financiamento de casa (12,9%). Crédito pessoal (9,7%) e financiamento de carro (6,9) vêm logo em seguida. Do total de endividados, 34,3% têm contas em atraso e 18,2% não terão condições de pagar as dívidas.
“Apesar da queda do endividamento, o percentual de famílias com contas em atraso e inadimplentes aumentou, por isso existe uma preocupação com esse cenário. Por outro lado, vale ressaltar que esse comportamento pode estar atrelado às compras de final de ano e contas de início de ano, com isso espera-se que em breve essas famílias consigam se organizar financeiramente. Além disso, para aqueles que estão desempregados, a Páscoa se demonstra como uma boa oportunidade para as contratações de temporários e consequentemente uma possibilidade para quitar as dívidas”, avalia o presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), Edison Araújo.
Cautela
De acordo com a economista do IPF-MS, Daneiela Teixeira Dias, apesar da queda no endividamento o crescimento na inadimplência é motivo de cautela por parte do comércio. “As famílias reduziram os endividamentos mas ainda estão com muitas contas para pagar, que foram feitas no final do ano passado e ainda aquelas do início do ano”, enfatizou. Este cenário inspira cautela já que mesmo com melhoras na economia e aumento na intenção de consumo estas pessoas devem buscar primeiro equilibrar o orçamento.
“Com a zona positiva da economia, a intenção de consumo melhorou nos últimos meses.
Consequentemente os consumidores se endividam mais e podem ter desequilíbrio orçamentário”, frisou.
Ela lembra que com a inadimplência de carnês o consumidor fica sem o crédito para determinadas lojas. “Na modalidade de cartão de crédito é pior ainda já que entra no rotativo e depois acabam partindo para necessidade de renegociação com juros altos”, finalizou.