O índice que mede a intenção de consumo das famílias de Campo Grande (ICF) chegou ao menor indicador desde novembro do ano passado. A pesquisa desenvolvida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta em março o ICF ficou em 103,9 pontos, o menor desde novembro de 2019, quando atingiu 103 pontos. Em fevereiro foram 107,2 pontos, melhor resultado desde 2015.
De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, já é possível perceber os efeitos da pandemia do novo coronavírus nos índices. “Estamos em um momento delicado, já se começa a perceber efeitos do coronavírus entre os consumidores, embora ainda de forma menos intensa. Percebemos uma queda de 11% na perspectiva de consumo e de 3,9% no nível atual de consumo”, diz a economista.
Ainda assim, o ICF deste mês de março foi maior que em março de 2019, quando estava em 102,9 pontos.
Mesmo com a retração apresentada em março, o índice fechou acima dos cem pontos. Isso significa que o Estado ainda está dentro da chamada zona positiva, quando os planos de compras das pessoas pesquisadas têm mais possibilidades de se tornarem realidade.
Dos entrevistados, a maioria (40,9%) disse estar comprando menos em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto 40% afirmaram que o nível de consumo continua o mesmo e 19% estão comprando mais.
Levando em consideração a perspectiva para os próximos meses, planejam consumir o mesmo que o ano passado 51,5% dos entrevistados, enquanto 31,7% esperam gastar menos e 15,5% pretendem gastar mais.
A maioria (48,9%) dos participantes da pesquisa considerou que o momento atual está ruim para a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, televisores, etc.
COMÉRCIO
A movimentação no comércio do Estado já apresenta uma redução, assim como nas vendas. Nos primeiros dias desta semana o centro da Capital estava vazio. De acordo com o empresário do setor de joias e acessórios, Djalma Santos, desde a semana passada, antes da confirmação de casos com coronavírus em MS, já era perceptível um movimento menor. “Nas vendas o impacto foi de 15% em relação à semana anterior”, disse.
Para o proprietário de uma ótica no centro de Campo Grande, Nilson Vieira, tanto o fluxo de pessoas quanto as vendas reduziram no período. “Já percebemos uma redução de 20% em relação ao mesmo período do mês passado”.
A empresária do setor de roupas, Sueli Padovani, também acredita que a queda nas vendas está relacionada ao medo das pessoas. “As vendas em março estão bem inferiores em relação a fevereiro, pode ser por causa do coronavírus”, disse.