Economia

PESQUISA

Número de endividados bate recorde em julho

Famílias com renda menores são as mais endividadas

Gabrielle Tavares

28/07/2020 - 11h01

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o número de brasileiros inadimplentes cresceu 0,3% em relação a junho, renovando o maior patamar da série, iniciada em janeiro de 2010.  

No comparativo anual, o índice apresentou aumento de 3,3 pontos percentuais. A pesquisa levou em consideração dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.

O estudo foi realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).  

“Indicadores recentes têm demonstrado sinais de alguma recuperação da economia a partir de maio e junho, mas ainda permanecem incertezas sobre a retomada, e a proporção de consumidores endividados no País é elevada”, destaca o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

O presidente reforçou a importância da ampliação do acesso ao crédito a custos mais baixos e do alongamento dos prazos de pagamento das dívidas, “para mitigar o risco do crédito no sistema financeiro”, comentou.

Diferenças entre faixas de renda

A proporção de famílias endividadas apresentou diferenças entre as faixas de renda pesquisadas. Para as que possuem renda de até 10 salários mínimos, o percentual alcançou o recorde histórico de 69% – contra 68,2% de junho.  

A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, ressalta que o endividamento é crescente e segue tendência positiva desde fevereiro de 2020 para este grupo.  

“As necessidades de crédito têm aumentado para as famílias com menor renda, seja para pagamento de despesas correntes, seja para manutenção de algum nível de consumo”, afirma Izis.

Já para as famílias que recebem acima de 10 salários mínimos, a proporção de endividamento diminuiu para 59,1% em julho, contra os 60,7% em junho.  

“Os níveis de endividamento vêm caindo desde abril deste ano para esse grupo, o que demonstra um aumento na propensão a poupar”, completa a economista.

Dívidas em atraso  

O número de famílias com dívidas ou contas em atraso aumentou de 25,4% em junho para 26,3% em julho, atingindo a maior proporção desde setembro de 2017. Na comparação com julho de 2019, houve crescimento de 2,4 pontos percentuais.  

Neste item, também foi observado comportamento distinto entre as faixas de renda: a parcela de brasileiros inadimplentes que recebem até 10 salários mínimos cresceu de 28,6% em junho para 29,7% em julho, enquanto no grupo com renda superior a 10 salários o percentual registrou leve retração mensal (de 11,3% em junho para 11,2% em julho).  

“Embora o tempo de atraso nas quitações tenha aumentado em julho, os atrasos acima de 90 dias estão em queda desde antes da pandemia e mantiveram a trajetória decrescente durante a crise”, chama a atenção a economista.

Permanecerão inadimplentes

Também houve crescimento do percentual de brasileiros que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, vão permanecer inadimplentes. O número passou de 11,6% em junho para 12% em julho, a maior proporção desde novembro de 2012.  

Com relação aos tipos de dívida, o cartão de crédito segue como o mais apontado pelas famílias como a principal modalidade de endividamento (76,2%), seguido por carnês (17,6%) e financiamento de veículos (11,3%).

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