Economia

DINHEIRO

Os rumos da crise: o que esperar da economia do Brasil no próximo ano?

Economista avalia cenário e faz projeções para o próximo período no país

Ricardo Campos Jr

22/12/2020 - 06h00

O Brasil reduziu o quanto pode as perdas econômicas em 2020, consideradas inevitáveis em razão da crise causada pela pandemia. Enquanto isso, as projeções para o ano que começa semana que vem são bastante otimistas para o país, embora tudo pode mudar a qualquer momento, lembrando que a própria Covid não estava nos caminhos do governo e acabou “molhando” os planos do governo.

Para o economista Márcio Coutinho, recuperação é a palavra que deve definir a economia não apenas no Brasil, mas a nível mundial. Debates sobre eficácia a parte, as pesquisas em torno das vacinas para a doença avançam com esperança de que haverá uma imunização, o que deve deixar gestores e cidadãos mais confiantes, melhorando o desempenho.

“A partir dos lock downs todos ficaram receosos e é natural que o consumo não aconteça. Essa fase nós já passamos. O Brasil é um grande produtor de alimentos (soja, carne, além de outros produtos como cana-de-açúcar) e o mundo vai precisar de alimentos. temos que aproveitar essa situação”, afirmou o economista ao Correio do Estado. 

Para ele, mensurar crescimento é algo complicado, já que muitas coisas podem acontecer e prejudicar os planos e metas do poder público e da iniciativa privada também, já que quando os empresários investem, geram empregos e renda, fazendo com que o consumo aumente e aqueça o mercado. 

“O relatório da Focus projeta crescimento de 3,4% do PIB para 2021. Pode ser que isso aconteça. Eu vejo que algumas coisas o governo tem que resolver e duas delas eu vejo que são prioridades: tem que existir mais investimentos e tem que existir uma recuperação dos níveis de emprego. Hoje o brasil tem 14 milhões de pessoas desempregadas. Embora nossa renda média seja pequena, em torno de R$ 2,3 mil, esse número é bem significativo”, afirma Coutinho. 

Para que novas vagas com carteira assinada sejam criadas, é preciso investimentos por parte do poder público que aumentem a confiança do empresariado. Os projetos de privatização previstos para 2021 devem ajudar. O Governo Federal planeja conceder mais de R$ 21 milhões de ativos ao longo de 2021, entre concessões, privatizações e renovações de contratos já existentes.

“Enquanto isso, é preciso tentar aquecer o mercado, gerar emprego, renda, consumo. São fatores que farão a economia voltar a crescer”, completa o economista. 

Relatórios internacionais mostram que a recuperação setor a setor deve ser desigual. Os Índices Gerentes de Compras, por exemplo, afirmam que a indústria vai disparar entre as demais áreas e alguns, como turismo, lazer e até alimentação, devem demorar um pouco mais para voltar a registrar resultados mais consistentes.

Contudo, ainda há algumas lacunas a serem preenchidas. A primeira delas é o que vai acontecer com as famílias que acabaram dependendo do auxílio emergencial para sobreviver. Nem todos conseguiram se estabilizar a ponto de conseguir alguma renda extra e muitos começarão janeiro sem previsão de renda. Isso pode fazer com que o consumo despenque no começo do ano que vem até que o mercado de trabalho se reaqueça ou que a população encontre uma saída para driblar o percalço.

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