A Justiça suspendeu a decisão que havia passado o controle da Eldorado Brasil para a para a empresa indonésia Paper Excellence. A decisão foi tomada pela 2ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados a Arbitragem de São Paulo em resposta ao pedido feito pelo grupo dos Irmãos Batista, que agora continuam sendo donos da planta localizada em Três Lagoas.
Os empresários haviam concordado em vender a fábrica aos estrangeiros por R$ 15 bilhões, incluindo R$ 7,5 bilhões em dívidas.
A transação ocorreu em setembro de 2017. O contrato obrigava a Paper Excellence a negociar os débitos junto aos bancos para liberar as garantias patrimoniais e financeiras oferecidas pelos vendedores, com prazo de um ano para concluir o negócio. Se até setembro de 2018 a questão não fosse solucionada, os indonésios ficariam como acionistas minoritários da empresa.
Nesse intervalo, mudanças do câmbio e do preço da celulose melhoraram o valor patrimonial da Eldorado e a Paper Excellence afirma que os Batista passaram a dificultar a quitação das dívidas.
Em entrevista à Folha, Claudio Cotrim, diretor-presidente da Paper Excellence no Brasil, acusou a família Batista de ter solicitado R$ 6 bilhões a mais do que teria direito em contrato para finalizar a venda.
A Paper Excellence acusa os Batistas de terem agido de má fé e não cooperarem para a liberar as garantias. Também diz que a J&F quer elevar o valor acertado.
Em fevereiro deste ano, a Justiça deu a causa como ganha para os indonésios, que passaram a controlar a fábrica.
Contudo, o grupo dos Batista ajuizou ação argumentando que houve uma série de ilegalidades no procedimento. Eles também acusaram os compradores de espionagem via hackeamento de contas de e-mail dos executivos da companhia.
Segundo informações da Veja, O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que já confirmou que houve o ataque cibernético e identificou indícios da participação de pessoas ligadas à Paper Excellence.
A J&F também afirma que um dos três árbitros que decidiram a favor da Paper Excellence omitiu que tinha vínculos com um escritório cujo sócio defendia a companhia indonésia.
Em um comunicado assinado pelo diretor de relações com investidores, Rodrigo Libaber, a Eldorado informou ao mercado financeiro a respeito da decisão.
A Paper Excellence, por sua vez, informou que a decisão apenas suspendeu os efeitos da arbitragem até que os dirigentes da companhia sejam ouvidos.
Em nota, a empresa diz que antes de instaurar a arbitragem na Câmara de Comércio Internacional (ICC), todas as partes envolvidas concordaram que a decisão do tribunal arbitral é decisiva e vinculativa e disse considerar "uma pena que a J&F continue seus esforços para impedir a venda da Eldorado para a Paper Excellence, entrando com uma petição na 2ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo", diz o comunicado.
A Paper Excellence acrescenta que vai esclarecer em juízo todas as informações necessárias para dirimir quaisquer dúvidas a fim de manter a vitória na arbitragem e concluir a compra da Eldorado Celulose. A ação movida pela J&F segue em sigilo, razão pela qual a Paper Excellence não pode comentar seu conteúdo que considera "frívolo e oportunista. No entanto, reitera, neste momento, sua confiança no Estado de Direito e nas instituições brasileiras e seu compromisso de longo prazo com o país", completa.