Economia

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Como funciona a cotação do dólar? Entenda

Economistas apontam o que causa a oscilação do dólar e como ela afeta a economia de Mato Grosso do Sul

Rafaela Moreira

24/03/2021 - 00h03

Todos os dias é possível acompanhar o quanto a cotação do dólar varia em nosso país. No dia 14 de maio do ano passado, o dólar bateu R$ 5,97, maior valor na história. Menos de um mês depois, despencou para R$ 4,85. Ontem (23), o foi vendido a R$ 5,51, e assim o preço da moeda se renova todos os dias, mas quais são as causas dessas mudanças?

 

O economista Rafael Rodrigues explicou ao Correio do Estado que existem dois tipos de dólar, sendo o comercial e o turismo, e cada um tem uma cotação diferente. 

“Muitas pessoas desconhecem isso, mas existe o preço do dólar comercial e do dólar turismo. O dólar comercial é negociado por empresas, governos, instituições financeiras,  importação e exportação, ele é geralmente mais barato por movimentar grandes quantias, sendo o que vale para compra e venda de mercadorias entre empresas brasileiras e estrangeiras”, destacou. 

Rafael destaca que os valores do dólar divulgados no dia a dia são o comercial, já que é o valor dele que impacta a economia. 

“Temos também o dólar turismo que pode ser comprado por pessoas físicas, por exemplo, para viagens ao exterior e compras no cartão de crédito. Ele costuma ser mais caro, pois o volume negociado em cada transação costuma ser menor, além de incluir a cobrança de impostos. A cotação que vale nas casas de câmbio é a do dólar turismo”, explica Rodrigues.

No ano passado foi definida uma nova metodologia de cotação para o cartão de crédito, com o intuito de facilitar os custos de compras internacionais. Atualmente, as operadoras de cartão de crédito utilizam a cotação em vigor no dia da compra, ou seja, nas faturas, deve constar a discriminação de cada gasto, acompanhado da data, identificação da moeda de compra e sua cotação na data.

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COMO FUNCIONA A COTAÇÃO DO DÓLAR?

O economista explica que o câmbio fixo e o câmbio flutuante são dois dos principais modelos para definir a taxa da moeda americana. 

O câmbio fixo é definido pelo governo que estabelece um preço específico para a moeda e o Banco Central realiza movimentações para mantê-la no patamar estabelecido. Já o câmbio flutuante é determinado pela oferta e a demanda do mercado.

“A cotação sobe e desce diariamente devido a demanda, quando tem mais pessoas comprando dólar, a cotação sobe. O real é valorizado quando sobra dólar no mercado, a cotação fica mais baixa”, destaca. 

IMPACTOS NA ECONOMIA LOCAL

O consultor de empresas e especialista em mercado exterior, Aldo Barrigosse, explica que quando o real se desvaloriza muito em relação ao dólar, como é o caso atualmente, há vantagens e desvantagens. As exportações saem ganhando, o dólar mais alto tem favorecido produtores na hora de vender a safra.

Segundo Barrigosse, o bom desempenho das exportações sul-mato-grossenses está diretamente relacionado à desvalorização do real diante do dólar, o que torna o produto nacional mais barato nos mercados internacionais. 

“Para quem exporta externamente e vende lá fora a alta do dólar é extremamente favorável, pois a empresa brasileira acaba recebendo mais. Produtos como celulose, soja, carne bovina, milho, carne de  frango e açúcar, têm alta demanda no cenário internacional, e o atual valor da moeda, só favorece esses segmentos exportadores”, analisou.

No entanto, a alta do dólar preocupa na hora de comprar defensivos, sementes e produtos de outros setores que são exportados.

“Já para os setores que importam, por exemplo, saúde, eletrônicos, entre outros, acabam se prejudicando o valor do dólar, pois esses produtos acabam ficando mais caros, e chegam consequentemente com valores acima para o consumidor também”.

Aldo Barrigosse, reitera que outro ponto importante ligado a desvalorização do real e aumento do dólar, é o impacto que isso causa na inflação.

“A alta do dólar impacta diretamente na inflação, por exemplo, em casa nós consumimos o óleo de soja, a soja valorizou muito nos últimos anos, a China é o destino de 79% da produção de soja exportada pelo Estado, e com isso acaba faltando produtos para abastecer o mercado local. Tudo isso acaba subindo o preço no mercado e impactando no bolso do consumidor”, explicou o consultor. 

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