As vendas pelo sistema de drive-thru ou delivery ajudaram o comércio a minimizar os impactos financeiros das últimas duas semanas, quando decretos do poder público restringiram a circulação de pessoas e o funcionamento dos estabelecimentos.
O movimento despencou pela metade em alguns segmentos, mas a estratégia pelo menos garantiu o pagamento das contas e dos funcionários.
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Roberto Oshiro, primeiro-secretário da Associação Comercial Industrial de Campo Grande (ACICG), explica que alguns setores, como bares e restaurantes, já estavam habituados tanto com delivery como modelo pegue e leve. Contudo, ele foi novidade para muitos lojistas.
É o caso de Douglas Siqueira, administrador de uma loja de artigos religiosos nas proximidades do Mercado Municipal de Campo Grande.
O local, até duas semanas atrás, nunca havia trabalhado fora dos atendimentos presenciais. Ao mesmo tempo, análise das planilhas financeiras apontava que duas semanas de completa inoperância poderiam levar o negócio à bancarrota.
“Foi a nossa salvação. Claro que as vendas despencaram 50% em relação à loja aberta, mas pelo menos não ficamos no zero. Se ficássemos fechados, o prejuízo seria enorme. Assim, não precisamos dispensar nenhum funcionário e fizemos bastantes manobras para ajustar as contas e conseguir honrar todos os compromissos”, disse ao Correio do Estado.
A ideia nunca havia sido colocada em prática porque o local em que a empresa está situada não favorece o drive-thru.
“Nós estamos ao lado do Mercadão, não temos área de estacionamento e não há onde o cliente parar. Nós demos um jeito para atender, usando a área de carga e descarga do centro de comércio e foi bem válido. No lockdown que houve no ano passado ficamos apenas nas entregas. Com o drive, tivemos uma resposta melhor”, afirma o administrador.
MENOR IMPACTO
Oshiro afirma que a ACICG sempre trabalhou com o poder público para que a modalidade drive-thru ou delivery estivesse presente nos decretos que impuseram o isolamento social.
“Houve até uma situação em que o decreto do município previa, só que o artigo foi retirado em um domingo e daí nós só conseguimos a inserção na quarta-feira seguinte. Nós sempre tentamos evitar as restrições das atividades econômicas. Quando não é possível, nós tentamos amenizar os impactos e prejuízos financeiros que isso vai causar para todo o setor empresarial e para a classe trabalhadora, para evitar desemprego”, pontua.
O primeiro-secretário reconhece a importância de medidas que garantam a saúde da população, mas acredita que é possível conciliar o combate à pandemia com a manutenção dos negócios.
“Fechar não é parar. Claro que alguns setores, como vestuário e calçados, são difíceis de atender nesse esquema porque a pessoa precisa experimentar o produto, ela quer ver as possibilidades, então é sempre um pouco mais difícil, mas, mesmo assim, temos casos de associados que conseguiram atender”, afirma Oshiro.
Além disso, os empresários também usaram as tecnologias que têm ao seu dispor, como pagamentos via PIX, uso do WhatsApp para o envio de foto dos produtos, etc.
“Alguns shoppings tentaram, mas nada se compara ao volume de vendas em uma situação normal. Por isso nós lutamos bastante para que essa possibilidade fosse escrita nos decretos”, diz Oshiro.