Com o agravamento da pandemia e o poder de compra da população impactado, o campo-grandense precisa ficar atento à variação dos preços de medicamentos na Capital.
Conforme o levantamento realizado pela Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Procon-MS), o preço dos medicamentos pode variar até 470% de uma farmácia para outra em Campo Grande.
É o caso da caixa com 24 comprimidos do ácido mefenâmico 500 mg, vulgo ponstan, que custa R$ R$ 7,90 na Pague Menos, enquanto na farmácia Luizinho sai por R$ 45,05 – uma diferença de 470,25%.
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O superintendente do Procon-MS, Marcelo Salomão, alerta que o consumidor deve pesquisar preços antes de adquirir qualquer produto, pois os mesmos podem variar de acordo com as redes, porte da farmácia e política de descontos.
“A liberdade econômica existe, o consumidor compra onde quiser, mas ele precisa estar atento: temos o mesmo medicamento com a diferença de 470%, o que é muita coisa. O consumidor precisa garantir a economia doméstica, principalmente em momento de recessão tão difícil em meio à pandemia”, destacou ao Correio do Estado.
O levantamento foi realizado no período de 5 a 15 de abril, com a divulgação de 170 itens.
Os técnicos do Procon/MS estiveram em 15 farmácias: Luizinho, Mais Popular, Levi, Popular Farma, Drogasil, Nova Farma Popular, Soloaga, São Bento, Droga 10, Popular Caiobá, Preço Popular, Freire, São Leopoldo, Ultra Popular e Pague Menos.
Entre os medicamentos com preços verificados está a vitamina C, com diferença de 332,50% nos valores: na farmácia Pague Menos é comercializada a R$ 51,90, enquanto na Soloaga é vendida por R$ 12.
Já a dipirona monoidratada, com 10 ml, em gotas, é comercializada a partir de R$ 3,21 na Drogasil e vai a R$ 8,57 na Nova Farma Popular, com variação de 166,98% na Capital.
Ainda de acordo com a pesquisa do Procon, a menor diferença verificada foi de 5,26% no citrato de colina + associações, que está à venda por R$ 1,90 na Drogasil e por R$ 2,00 na farmácia Popular.
O genérico do anti-inflamatório nimesulida, com 100 mg e 12 comprimidos, variou 312,21%, custando R$ 6,78 na farmácia Ultra Popular, enquanto na drogaria Freire sai por R$ 28,62. O preço médio é de R$ 16,05.
Já o atenolol com 30 comprimidos, indicado para o controle da hipertensão arterial, apresentou diferença de 326,60%. O maior preço encontrado foi de R$ 21,33, na São Leopoldo, e o menor, R$ 5,00, na Pague Menos.
ANUAL
A pesquisa é realizada anualmente e, no comparativo com o ano passado, dos itens considerados, 107 sofreram aumentos que chegam a 40,15%. É o caso da tadalafila 20 mg (genérico) com 4 comprimidos, que foi de R$ 30,38 em 2020 para R$ 50,76 neste ano.
A atorvastatina cálcica custava R$ 47,94 e passou para R$ 60,66, com aumento de 20,97%.
Enquanto isso, o produto com maior queda de preços foi o cloridrato de fluoxetina 20 mg com 30 comprimidos, que registrou queda de 113,66%. No ano passado, seu valor era de R$ 66,47, enquanto neste ano pode ser encontrado por R$ 31,11.
A comparação feita leva em consideração a apresentação de características iguais. “O trabalho realizado demonstra que também em se tratando de medicamentos é sempre salutar pesquisar preços: o consumidor tem a maior ferramenta, que é o poder de compra – ele quem decide”, pontuou o superintendente.
INVESTIGAÇÃO
Em razão da variação elevada, de mais de 470% em algumas farmácias de Campo Grande, alguns estabelecimentos deverão apresentar justificativas para os valores cobrados.
A prática de elevar sem justa causa o preço de produto ou serviço é considerada abusiva, segundo o Código de Defesa do Consumidor. Para Marcelo Salomão, a fiscalização visa proteger os consumidores, coibindo o aumento abusivo de alguns medicamentos.
“Com base nas pesquisas, nós abrimos investigação para saber o motivo de alguns medicamentos apresentarem tanta diferença de preço, para saber o motivo do aumento ser tão expressivo. O Procon vai atrás de explicação de alguns estabelecimentos, ainda mais durante um momento tão complicado para todos”, apontou Salomão.
Pesquisa de medicamentos em Campo Grande Comparativo anual de medicamentos em Campo Grande