Economia

PESQUISA

De uma farmácia para outra, remédios custam 5 vezes mais

Procon-MS apontou variação de até 470% no preço dos medicamentos em Campo Grande

Beatriz Magalhães

21/04/2021 - 08h31

Com o agravamento da pandemia e o poder de compra da população impactado, o campo-grandense precisa ficar atento à variação dos preços de medicamentos na Capital.

Conforme o levantamento realizado pela Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Procon-MS), o preço dos medicamentos pode variar até 470% de uma farmácia para outra em Campo Grande.  

É o caso da caixa com 24 comprimidos do ácido mefenâmico 500 mg, vulgo ponstan, que custa R$ R$ 7,90 na Pague Menos, enquanto na farmácia Luizinho sai por R$ 45,05 – uma diferença de 470,25%.

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O superintendente do Procon-MS, Marcelo Salomão, alerta que o consumidor deve pesquisar preços antes de adquirir qualquer produto, pois os mesmos podem variar de acordo com as redes, porte da farmácia e política de descontos.  

“A liberdade econômica existe, o consumidor compra onde quiser, mas ele precisa estar atento: temos o mesmo medicamento com a diferença de 470%, o que é muita coisa. O consumidor precisa garantir a economia doméstica, principalmente em momento de recessão tão difícil em meio à pandemia”, destacou ao Correio do Estado.  

O levantamento foi realizado no período de 5 a 15 de abril, com a divulgação de 170 itens.

Os técnicos do Procon/MS estiveram em 15 farmácias: Luizinho, Mais Popular, Levi, Popular Farma, Drogasil, Nova Farma Popular, Soloaga, São Bento, Droga 10, Popular Caiobá, Preço Popular, Freire, São Leopoldo, Ultra Popular e Pague Menos.  

Entre os medicamentos com preços verificados está a vitamina C, com diferença de 332,50% nos valores: na farmácia Pague Menos é comercializada a R$ 51,90, enquanto na Soloaga é vendida por R$ 12.

Já a dipirona monoidratada, com 10 ml, em gotas, é comercializada a partir de R$ 3,21 na Drogasil e vai a R$ 8,57 na Nova Farma Popular, com variação de 166,98% na Capital.  

Ainda de acordo com a pesquisa do Procon, a menor diferença verificada foi de 5,26% no citrato de colina + associações, que está à venda por R$ 1,90 na Drogasil e por R$ 2,00 na farmácia Popular.  

O genérico do anti-inflamatório nimesulida, com 100 mg e 12 comprimidos, variou 312,21%, custando R$ 6,78 na farmácia Ultra Popular, enquanto na drogaria Freire sai por R$ 28,62. O preço médio é de R$ 16,05.

Já o atenolol com 30 comprimidos, indicado para o controle da hipertensão arterial, apresentou diferença de 326,60%. O maior preço encontrado foi de R$ 21,33, na São Leopoldo, e o menor, R$ 5,00, na Pague Menos.  

ANUAL

A pesquisa é realizada anualmente e, no comparativo com o ano passado, dos itens considerados, 107 sofreram aumentos que chegam a 40,15%. É o caso da tadalafila 20 mg (genérico) com 4 comprimidos, que foi de R$ 30,38 em 2020 para R$ 50,76 neste ano.  

A atorvastatina cálcica custava R$ 47,94 e passou para R$ 60,66, com aumento de 20,97%.

Enquanto isso, o produto com maior queda de preços foi o cloridrato de fluoxetina 20 mg com 30 comprimidos, que registrou queda de 113,66%. No ano passado, seu valor era de R$ 66,47, enquanto neste ano pode ser encontrado por R$ 31,11.

A comparação feita leva em consideração a apresentação de características iguais. “O trabalho realizado demonstra que também em se tratando de medicamentos é sempre salutar pesquisar preços: o consumidor tem a maior ferramenta, que é o poder de compra – ele quem decide”, pontuou o superintendente.  

INVESTIGAÇÃO  

Em razão da variação elevada, de mais de 470% em algumas farmácias de Campo Grande, alguns estabelecimentos deverão apresentar justificativas para os valores cobrados.  

A prática de elevar sem justa causa o preço de produto ou serviço é considerada abusiva, segundo o Código de Defesa do Consumidor. Para Marcelo Salomão, a fiscalização visa proteger os consumidores, coibindo o aumento abusivo de alguns medicamentos.

“Com base nas pesquisas, nós abrimos investigação para saber o motivo de alguns medicamentos apresentarem tanta diferença de preço, para saber o motivo do aumento ser tão expressivo. O Procon vai atrás de explicação de alguns estabelecimentos, ainda mais durante um momento tão complicado para todos”, apontou Salomão.

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Pesquisa de medicamentos em Campo Grande Comparativo anual de medicamentos em Campo Grande

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