Um dos setores que amargam prejuízos durante a pandemia da Covid-19, os restaurantes devem receber ajuda do governo de Mato Grosso do Sul.
A expectativa é de que a administração estadual disponibilize, via Banco do Cidadão (o antigo Banco do Povo), um crédito de R$ 30 mil por estabelecimento comercial.
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Mato Grosso do Sul (Abrasel-MS), Juliano Wertheimer, comemorou a medida, visto que a queda de faturamento no setor chega a 95% nos últimos meses e os empreendedores precisam se reinventar para lidar com a crise.
“A pandemia causou vários impactos, como atraso de folha de pagamento, redução de salário, dispensa de funcionários, entre outros efeitos no orçamento dos empresários. Esse recurso é muito bem-vindo e uma grande conquista para a retomada do nosso setor, acredito que no segundo semestre as coisas estarão melhores”, pontuou ao Correio do Estado.
Os detalhes dos procedimentos burocráticos para a concessão do crédito ainda não foram divulgados. Mas para tornar a operação possível a administração estadual deve utilizar a estrutura do Banco do Cidadão, ligado à Fundação de Trabalho (Funtrab).
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“Estamos aguardando as regras e as diretrizes para acesso, sabemos que o repasse máximo será de R$ 30 mil, com certeza vai ajudar muito o nosso setor".
"As medidas de restrição e o toque de recolher influenciam diretamente as pequenas empresas, tivemos uma perda salarial e muitos estabelecimentos fecharam suas portas”, destacou.
AUXÍLIO
A medida é a segunda do governo estadual, em pouco mais de um mês, para dar socorro econômico às pessoas e aos setores prejudicados diretamente pela disseminação do coronavírus.
No mês passado, o governo aprovou e implementou o programa Mais Social, que vai bancar uma bolsa de R$ 200 mensais para aproximadamente 70 mil famílias carentes.
O Correio do Estado apurou que o entendimento na Governadoria é de que a administração precisa ajudar o setor dos restaurantes de maneira mais incisiva, já que, assim como o turismo, é um dos segmentos mais prejudicados.
No primeiro ano da pandemia, o Estado teve bons resultados em outros setores, sobretudo no agronegócio. A arrecadação e o crescimento acima das expectativas no ano passado levaram o governo a elaborar a ajuda aos restaurantes como forma de garantir equilíbrio.
O projeto ainda está em fase de elaboração na Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, e também na Governadoria, e a expectativa é de que seja encaminhado para a Assembleia Legislativa ainda nesta semana.
O diálogo com representantes do setor começou em março, mês mais grave da pandemia e quando MS teve de adotar medidas mais restritivas, como a liberação somente de atividades essenciais e o início do toque de recolher mais cedo – ações que atingem em cheio os bares e restaurantes.
“Esse benefício é um pedido da Abrasel há mais de 60 dias, pedimos ao governo do Estado um dinheiro barato e de fácil acesso para quitar os fornecedores e honrar os compromissos atrasados, muitos estados já oferecem linhas de crédito específicas para o micro e pequeno empresário, vivemos um momento delicado”, afirmou Wertheimer.
EMPRESÁRIOS
A pandemia tem impactado diretamente a retomada dos serviços de pequenos empresários, entre eles, Taoli Schardong, proprietário do restaurante Tao, que viu o movimento do seu negócio reduzir em mais de 70% nos últimos meses.
“Esse momento está sendo muito desafiador, entre os meses de abril e junho do ano passado tive queda de 70% no meu estabelecimento, no início do ano começou a retomar e depois caiu de novo. Sempre tem alguma medida de restrição diferente e somos pegos de surpresa, é difícil se programar e ainda abala a confiança do cliente”, considera.
Schardong destaca que teve de tomar algumas medidas diante da crise, como diminuir o número de funcionários e fazer financiamento para conseguir manter seu negócio.
O comerciante Paulo Yahiro, proprietário do Kame Restaurante, também teve seu negócio impactado pela pandemia e destaca que os empreendedores precisam de inovação e criatividade para driblar as dificuldades e se manterem ativos no mercado.
“Vivemos um momento muito triste e todos estão pagando por isso, estou conseguindo levar o meu negócio porque o prédio é meu, tenho poucos funcionários, sendo grande parte familiares".
"Antes da pandemia, vendia 80 refeições por dia, hoje vendo em média 17, no fim do mês a conta não fecha. Vários colegas fecharam as portas, precisamos inovar”, relata.
Proprietário do restaurante La Parilla Grill disse ao Correio do Estado que as portas estão fechadas, mas o atendimento continua normalmente, através de aplicativos de delivery e via WhatsApp.