Todos os dias é possível acompanhar o quanto a cotação do dólar varia em nosso País. A moeda norte-americana recuou 1,12%, cotada a R$ 4,963, sendo o menor patamar de fechamento desde 10 de junho de 2020 (R$ 4,9334), data que também marca a última vez que o dólar fechou abaixo de R$ 5.
De acordo com o doutor em economia Michel Constantino, com a queda histórica, os investimentos no Brasil ficam mais atrativos para possíveis investidores.
“Havia uma expectativa de aumento de juros nos EUA, como se manteve em 0%, muitos investidores vieram para o Brasil com a taxa de juros mais alta. Com isso, os investimentos no Brasil pagam mais juros, e ficam mais atrativos. Com a entrada de mais dólares no mercado brasileiros, os preços caem em relação ao real”, explicou ao Correio do Estado.
Com o resultado, a moeda americana passou a acumular queda de 4,94% no mês e de 4,26% no ano. A cotação abriu com forte queda na quarta-feira (23) e chegou a R$ 4,93 na mínima do dia, por volta das 13h30, mas notícias vindas dos Estados Unidos pressionaram a moeda durante a tarde.
No dia 14 de maio do ano passado, o dólar bateu R$ 5,97, maior valor na história.
O economista aponta que a estimativa é que a moeda americana estabilize entre R$ 4.80 e 5.20 até o fim do ano.
O otimismo no câmbio vai de encontro com o mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia aos 128.767 pontos, com recuo de 0,38%. O indicador chegou a cair 1,1% durante a manhã, mas recuperou-se durante a tarde.
A divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central contribuiu para a queda do dólar.
O documento indicou que a autoridade monetária pode acelerar a alta de juros no Brasil, caso a inflação continue alta.
De acordo com levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, o real é a quarta moeda com maior valorização em 2021. A moeda do Brasil acumula no ano ganho de 3,6% em relação ao dólar, considerando o fechamento de ontem (22).
O levantamento mostra que a valorização do real supera a das moedas de grandes economias como Canadá (3,2%) e Reino Unido (2,3%), e também de outros emergentes como África do Sul (1,9%) e Rússia (1,8%).
IMPACTOS NA ECONOMIA DE MS
O consultor de empresas e especialista em mercado exterior, Aldo Barrigosse, explica que quando o real se desvaloriza muito em relação ao dólar, há vantagens e desvantagens. As exportações saem ganhando com o dólar mais alto, o que acaba favorecendo os produtores na hora de vender a safra.
Segundo Barrigosse, o bom desempenho das exportações sul-mato-grossenses está diretamente relacionado à desvalorização do real diante do dólar, o que torna o produto nacional mais barato nos mercados internacionais.
“Para quem exporta externamente e vende lá fora a alta do dólar é extremamente favorável, pois a empresa brasileira acaba recebendo mais. Produtos como celulose, soja, carne bovina, milho, carne de frango e açúcar, têm alta demanda no cenário internacional, e o atual valor da moeda, só favorece esses segmentos exportadores”, analisou.
Mesmo com o recuo histórico registrado nesta semana, Constantino destaca que os preços de importação caem, o que pode influenciar nos preços finais dos produtos, reduzindo os preços.
“Para a exportação, ainda não há impacto direto, pois, o dólar ainda está 25% mais alto que no início da pandemia, e nesse patamar ainda é muito positivo para as exportações. Além disso, em geral as exportações já têm contratos fechados com preços pré definidos”, apontou o especialista.
Barrigosse reitera que outro ponto importante ligado a desvalorização do real e aumento do dólar, é o impacto que isso causa na inflação.
“A alta do dólar impacta diretamente na inflação, por exemplo, em casa nós consumimos o óleo de soja, a soja valorizou muito nos últimos anos, a China é o destino de 79% da produção de soja exportada pelo Estado, e com isso acaba faltando produtos para abastecer o mercado local. Tudo isso acaba subindo o preço no mercado e impactando no bolso do consumidor”, explicou o consultor.