Durante a reinauguração da Usina Termelétrica (UTE) William Arjona, em Campo Grande, o presidente da empresa responsável pelo empreendimento afirmou que o custo a mais chegará ao consumidor final. A usina tem hoje o custo variável unitário (CVU) do megawatt-hora (MWh) mais caro do Brasil.
Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o MWh da térmica reinaugurada ontem e movida a gás natural é de R$ 1.741,11. Enquanto na UTE Pampa Sul, localizada em Candiota (RS) e movida a carvão, o MWh custa R$ 69,75. Já na UTE Cuiabá, que também é movida a gás, o MWh vale R$ 701,88.
“Essa conta vai ser paga pelo consumidor final. Isso vai impactar, por isso que se tem bandeiras amarela e vermelha. Logicamente há um impacto no custo da energia”, afirmou o presidente da Delta Geração, Luiz Fernando Vianna.
O custo do megawatt-hora da unidade localizada em Campo Grande é 15 vezes mais caro do que o gerado pelas hidrelétricas, já que 1 MWh de energia advinda da água custa R$ 114, ante os R$ 1.741,11 da William Arjona.
“O custo da geração a gás é mais caro do que o da geração hidrelétrica, mas a gente tem de considerar que nós temos custo de deficit, que é o custo da energia não suprida, cerca de R$ 5 mil por megawatt-hora, [então,] compensa você fazer essa geração termelétrica”, completou o empresário do Grupo Delta Energia.
Com o acionamento das termelétricas neste mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajuste de 52% na bandeira vermelha patamar 2. A taxa adicional cobrada nas contas de luz passou de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) para R$ 9,49.
Na prática, o consumidor paga mais que o valor referido, pois ainda impactam as taxas estaduais e municipais sobre a conta de luz. Segundo a Aneel, o impacto deve ser ainda maior em agosto e nos próximos meses, pois a agência vai rever os parâmetros para cálculo da bandeira.
DIVERSIFICAÇÃO
Apesar de a energia das termelétricas ter um custo maior, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que o País está diversificando a matriz energética. E também afirmou que o acionamento das usinas evita o risco de apagões.
“Todos os esforços estão sendo feitos para que possamos superar essa escassez hídrica. E essa usina é um dos recursos que estão sendo implementados: ela estava parada desde 2017 e agora vai ter um papel importante junto às outras termelétricas no enfrentamento dessa escassez hídrica”, afirmou Albuquerque.
Segundo dados do ONS, em junho a energia hidrelétrica representou 59% da matriz energética do Brasil, enquanto a geração pelas termelétricas, movidas a gás, carvão, diesel, óleo combustível, nuclear e outros fósseis, correspondia a 22%. A tendência é de que o porcentual de geração térmica aumente e, consequentemente, a energia fique mais cara.
Já as fontes renováveis geraram 19% da energia produzida no País: eólica, 12%; biomassa, 6%; e solar, 1%.
“A nossa matriz é muito diversificada, nós temos diversas fontes. Em MS tem mais de 22 empreendimentos de geração sendo instalados, são mais de mil megawatts que serão incorporados ao sistema nacional, investimentos de R$ 4 bilhões e geração de 15 mil empregos", disse o ministro de Minas e Energia.
"E desses [empreendimentos], 21 são de energia renovável, isso significa que a nossa matriz é diversificada, as fontes se complementam e é dessa forma que vamos conduzir”, concluiu.
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) reforçou a questão da diversificação da matriz.
“Hoje, todas as fontes são importantes para avançar em novas gerações: as hidrelétricas de pequeno porte, as termelétricas, a biomassa, a solar, etc. Nós diversificamos a matriz – aqui é um exemplo, uma usina termelétrica –, nós temos as usinas solares. Acho que hoje, com toda essa escassez [hídrica], nós já não estamos tão dependentes”, avaliou.
ICMS
Para mitigar os efeitos do aumento na conta de luz, o governador estuda a isenção da cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da energia elétrica durante a vigência da bandeira vermelha.
Após receber pedidos do setor produtivo, o governador afirmou que estuda adotar a medida.
“Eu recebi alguns pedidos de alguns setores da economia. Existe uma simpatia no governo, de talvez a gente encaminhar um projeto no sentido de isentar o ICMS sobre a bandeira vermelha, que diminuiria um pouco esse impacto. Então, estamos fazendo os estudos de impacto e vamos chamar todo esse setor produtivo para discutir”, disse Azambuja.
De acordo com o boletim de Arrecadação de Tributos Estaduais da Confederação Nacional de Política Fazendária (Confaz), o Estado arrecadou R$ 400,13 milhões com o ICMS da energia elétrica nos seis primeiros meses de 2021. Crescimento de 9,11% em relação aos R$ 366,71 milhões recolhidos de janeiro a julho de 2020.
WILLIAM ARJONA
A UTE William Arjona, localizada no distrito Imbirussu, em Campo Grande, tem uma capacidade instalada de 190 megawatts e é movida a gás natural.
A ativação dela elevará o consumo de gás natural no Estado em 1,35 milhão de m³ por dia, o que também deve elevar a arrecadação do ICMS estadual.
A UTE William Arjona foi a primeira termelétrica do País a utilizar gás natural do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Inaugurada em 1999, a usina localizada em Campo Grande está inativa desde 2017. O Grupo Delta Energia assumiu o empreendimento em 2019.
De acordo com o presidente da Delta Geração, a usina está funcionando desde o dia 10 produzindo energia.
“Temos a capacidade instalada de 190 MW, e as três máquinas ligadas representam cerca de 120 MW. Isso é o início de operação. A partir da semana que vem estaremos com cinco máquinas, com a potência total”, detalhou Vianna.