O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começou a debater ontem e finaliza hoje a nova taxa básica de juros, a Selic.
A expectativa é de alta de 1%, indo de 5,25% para 6,25%. O ajuste, além de influenciar a atividade econômica de outros mercados, pode impactar nas vendas de imóveis e nas taxas de juros de crédito imobiliário.
No entanto, em Mato Grosso do Sul representantes do segmento apontam que o mercado continuará aquecido e ainda levará algum tempo para ter a boa fase vivida desde 2020 afetada.
Dados do Banco Central apontam que as taxas médias do crédito imobiliário chegaram a atingir 6,3% a.a. em 2020 e agora estão em torno de 8% a.a.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-MS), Eli Rodrigues, historicamente, as taxas de financiamento são menores do que a taxa Selic.
“Alguns financiamentos têm taxas indexadas à Selic, mas ela não é o único fator a ser levado em conta. O mercado deve continuar aquecido".
"Além dos programas habitacionais que movimentam o mercado, a Caixa, que tem um grande volume de negócios, manteve as taxas de juros no mesmo patamar e até mesmo anunciou uma redução. Os demais bancos, para se manterem competitivos, terão de oferecer linhas de financiamento atrativas”, avalia.
Para o presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS), Marcos Augusto Netto, a imprevisibilidade da economia do País ainda faz com que o momento seja propício para negociar um imóvel.
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“Quando a taxa Selic estava em 2%, as pessoas tiveram oportunidade, agora, como estão os juros, também podem ter oportunidade, porque não se sabe como vai estar daqui um tempo. Não é um item que vai fazer você decidir se vai comprar ou não. Se couber no bolso do cliente e naquele momento, ele está com o emprego garantido, é hora de comprar".
"Como o Brasil é muito imprevisível, se você naquele momento encontrou o imóvel que quer em boas condições [de financiamento], por que não comprar?”, contextualiza.
A economista Daniela Dias explica que a alta de juros influencia na intenção de consumo das pessoas e isso pode acabar interferindo na hora de decidir investir em um imóvel.
“Quando você tem os juros mais baixos, você estimula o consumo, a busca por crédito, por financiamentos, como aconteceu na construção civil com a compra de imóveis, por exemplo. Isso é positivo, mas, por outro lado, impacta no aumento da inflação”, explica.
Já quando o juros sobe, segundo a economista, automaticamente as pessoas reduzem o consumo. Segundo o boletim de mercado Focus, para o fim de 2021, o mercado prevê que a Selic fique em 8,25% ao ano.
JUROS
A Caixa anunciou que vai reduzir a partir de 4 de outubro os juros do financiamento imobiliário, mas a redução ocorre em uma modalidade específica de financiamento habitacional, o crédito Poupança Caixa.
A Caixa oferece, atualmente, quatro modalidades de financiamento da casa própria: crédito com taxa fixa de juros, crédito com correção pela Taxa Referencial (TR), financiamento corrigido pela inflação (IPCA) e o crédito Poupança Caixa, em que a taxa de juros tem uma parte fixa, definida pelo banco, e outra variável, que corresponde à remuneração da poupança.
Na prática, o crédito nessa modalidade terá correção de 6,62% a.a., se considerarmos o valor da Selic vigente no momento (de 5,25%).
Os outros grandes bancos seguem no sentido contrário, aumentaram suas taxas em cerca de 1 ponto porcentual nas linhas de crédito tradicionais. É um movimento que se antecipa à reunião do Copom.
O banco Santander subiu o juro do crédito imobiliário de 7,99% ao ano, mais variação da Taxa Referencial (TR), para 8,99%, segundo a instituição. O Bradesco passou a ter taxas que variam entre 8,50% e 8,90% ao ano, mais TR, dependendo do perfil do cliente.
E o Itaú Unibanco começou a cobrar 8,30% ao ano, mais variação da TR nos financiamentos tradicionais, ante os juros de 7,30% ao ano, vigentes anteriormente.
OPÇÕES
O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis-MS), João Araújo, ressalta que o mercado segue aquecido e mesmo, com índice em elevação, a inflação ainda é uma correção atrativa.
“Ainda está compensando comprar imóveis. A correção que mais tem compensando é com o IPCA, mas o financiamento depende de cada cliente, ele só sabe qual o melhor quando vê o valor da parcela a pagar”.
Rodrigues acredita que o melhor financiamento é analisado caso a caso.
“O financiamento deve ser escolhido de acordo com o perfil do comprador. Deve ser avaliada a renda, se haverá amortização, se o comprador tem recursos aplicados em poupança. O corretor de imóveis pode ajudar a encontrar o melhor negócio”.
O presidente do Creci ainda enfatiza que os financiamentos pela Caixa quase não sofreram alterações com o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e exemplificou.
No caso de um imóvel novo no valor de R$ 200 mil, com renda aproximada de R$ 4.300 e idade na faixa de 42 anos, no ano passado, os juros seriam de 8% ao ano, valor do financiamento liberado de R$ 136 mil e parcelas entre R$ 1.050 e R$ 1.270.
No mesmo exemplo em 2021, os juros seriam de 8% a.a., valor financiamento de R$ 137 mil e parcelas entre R$ 1.060 e R$ 1.277.
“Se o cliente tiver relacionamento total com o banco, os juros podem chegar a 7,6% a.a., se for servidor público por exemplo. Ficando a parcela entre R$ 1.027 e R$ 1.234”, finaliza Eli Rodrigues.
Outros exemplos de financiamento podem ser conferidos no gráfico elaborado com simulações nos sites dos bancos.