Economia

AGRICULTURA

Mato Grosso do Sul projeta mais uma supersafra de soja

Área destinada às lavouras cresceu 2 milhões de hectares em 10 anos; com produção de 12,7 milhões de toneladas, safra pode chegar a R$ 35 bilhões

Mato Grosso do Sul projeta colher mais uma supersafra de soja no ciclo 2021/2022. A projeção para a próxima safra é retirar dos campos 12,7 milhões de toneladas, menor apenas que a safra recorde colhida em 2020/2021. Apesar de a expectativa de produção menor, agentes do setor produtivo apontam para o aumento da área plantada neste ano.

No ano passado, segundo os dados do Sistema de informação do Agronegócio (Siga-MS), o Estado atingiu recorde com 13,3 milhões de toneladas colhidas, porém a expectativa inicial era de 11,2 milhões de toneladas. Para este ciclo, a projeção é de que sejam colhidas, em média, 56 sacas por hectare ou 12,7 milhões de toneladas.  

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), André Dobashi, está otimista e aponta para expectativa de colheita recorde novamente.  

“Para essa safra de soja, a gente espera que tenhamos um resultado muito importante para o Estado, assim como todo o mundo, estamos bastante desabastecidos em função de pandemia", disse ao Correio do Estado.

"Precisamos de alimento barato e de produção, então, a gente espera realmente que essa próxima safra de soja seja recorde e contamos com o produtor para fazer uma semeadura com responsabilidade, com bastante atenção, também contamos com a meteorologia para que a chuva nos permita produzir cada vez mais”, completou.

Segundo a Granos Corretora, a saca de soja com 60 kg estava cotada a R$ 166 nesta terça-feira. Considerando o valor, as 12,7 milhões de toneladas representariam uma safra de R$ 35 bilhões.

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CRESCIMENTO

Em relação a área semeada, a projeção é de aumento de 7% saindo 3,524 milhões de hectares para 3,776 milhões de hectares no ciclo iniciado neste mês. No comparativo dos últimos 10 anos, o aumento de área é de 2 milhões de hectares, ou 117%, saindo de 1,7 milhão de hectares em 2011 para 3,7 milhões em 2021.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, o aumento da conversão de áreas de pastagens para a agricultura traz a expectativa otimista do segmento.  

“De 2015 até agora nós incorporamos 1,2 milhão de hectares na área agrícola do Estado. Isso mostra que o Estado está crescendo em áreas novas, principalmente em áreas de pecuária que têm sido substituídas pela agricultura. Esse ano temos uma expectativa de mais de 250 mil hectares adicionais à produção do ano passado”, avalia.

“A expectativa é boa, o mercado está bem, o sistema de financiamento com crédito disponível, então a gente acredita que o produtor capitalizado, o mercado aquecido e o crédito disponível teremos uma expansão da produção em Mato Grosso do Sul, completa Verruck.

Durante o evento de lançamento do plantio da safra 2021/2022, realizado ontem, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse que o crescimento da área plantada foi pautado na pesquisa e na tecnologia.  

“Fruto de uma grande parceria realizada com os órgãos de pesquisa que dão segurança ao produtor diante das intempéries climáticas. Em 10 anos, crescemos 10 sacas na média por hectare. Mato Grosso do Sul tem mudado o perfil, você sai de um Estado que era muito exportador da soja, milho e carnes e passa a ser industrializado", acrescentou.

"Não que a gente não queira continuar exportando, mas queremos agregar valor ao nosso produto, uma mudança de paradigma. Somos o maior crescimento de PIB [Produto Interno Bruto] e devemos ultrapassar de 6 a 7% neste ano”, completou.

O presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Sistema Famasul), Marcelo Bertoni, ressaltou a aptidão do Estado para a produção pecuária e de grãos que, aliada a outros fatores, contribui para o avanço do setor.  

“Com esse perfil da agropecuária sul-mato-grossense, somado à ciência e à tecnologia, ao empreendedorismo dos produtores, que aplicam as inovações na propriedade e às políticas públicas, os investimentos em infraestrutura elevam o patamar produtivo do estado. Além disso, temos a abertura de novos mercados, viabilizados pela ministra [da Agricultura] Tereza Cristina, que apresenta para o mundo o que nossos produtores fazem de melhor, que é produzir com qualidade e sustentabilidade”.  

CLIMA

Segundo o boletim técnico Casa Rural, a expectativa é de que a safra seja semeada em meados do mês de outubro; conforme o relatório, apenas a região norte de MS iniciou plantio da oleaginosa.

“A gente tem percebido alguns produtores semeando. Nós temos alguns produtores ao norte do Estado que já tiveram chuvas, então eles iniciaram o processo de semeadura e temos notícia também de produtores que estão fazendo semeadura no pó, no seco, esperando as chuvas que estão previstas para o fim da semana”, diz Dobashi.

Nos últimos nove anos, o plantio ocorreu entre os dias 9 e 30 de outubro. As previsões demonstram grande variação na precipitação, a expectativa é de que a produção da safra seja dentro da média dos últimos cinco anos, detalha o boletim técnico.

O presidente da Aprosoja diz que as previsões são mais animadoras para este ano. 

“Essa safra nós teremos menos volumes de chuva, mas há uma sinalização de que, embora esses volumes de chuva sejam menores, eles sejam bem distribuídos, por isso que a gente está bastante otimista. O grande problema da chuva é quando a distribuição dela não é uniforme, porque a soja é uma cultura que vai ficar ao longo de 130 dias implantada no campo e ela precisa de chuva do começo ao fim”, considera Dobashi.

Conforme o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para outubro é o retorno do período chuvoso. São previstas nas regiões sul-fronteira e sudeste chuvas entre 160 milímetros a 200 mm; 130 a 160 mm nas regiões central, sudoeste e sul; nas regiões oeste, norte e nordeste, as chuvas serão de 80 a 130 mm.  

Em novembro, a previsão estendida indica chuvas acima de 200 mm nas regiões nordeste e sudoeste e no restante do Estado chuvas em torno de 80 a 130 mm.

DEMANDA

Os representantes do setor produtivo ainda avaliam que a demanda deve continuar aquecida pelos grãos produzidos em Mato Grosso do Sul. Os preços no mercado interno se mantêm. 

Em setembro de 2021, a saca com 60 kg é comercializada a R$ 159,93, avanço nominal de 14,42% no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando a oleaginosa havia sido cotada a R$ 139,77/sc.

O presidente da Aprosoja ainda destaca que o custo da produção subiu 35%. 

“A gente espera que o preço não caia em função até do câmbio que não sinaliza quedas bruscas, então a gente prevê um equilíbrio entre esse preço oferecido na saca de soja e o custo de produção que já aumentou quase que 35% em relação à safra passada. A demanda continua muito aquecida e talvez esse seja um dos indicadores de o porquê o preço está nesses patamares de hoje”, avalia Dobashi.

Segundo a Granos Corretora, até 27 de setembro, o Estado já havia comercializado 31% da safra 2021/2022. “Temos 31% da soja que ainda não foi plantada já comercializada. Isso mostra o aumento da demanda da soja, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional”, finalizou Verruck.

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