O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já está fazendo o acompanhamento da próxima safra de grãos em todo o País. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por exemplo, publicou o seu primeiro levantamento da safra de grãos 2021/2022, e a previsão é de recorde para o período.
Estima-se um acréscimo de 35,87 milhões de toneladas em relação ao volume obtido no ciclo anterior. Conforme a Conab, a estimativa é de um aumento de 14,2%, que, se confirmado, elevará a produção total a 288,61 milhões de toneladas, um novo recorde para a agricultura nacional.
No início deste mês, as áreas foram preparadas e os plantios das culturas de primeira safra colocados em andamento. No Brasil, é possível cultivar três safras agrícolas, sendo as culturas de segunda e terceira safras cultivadas na mesma área em sucessão à colheita das culturas de primeira safra, sobretudo da soja.
Para este novo ano agrícola, o cultivo das culturas em sucessão à colheita da primeira safra soma cerca de 21,5 milhões de hectares. Com isso, para todas as culturas cultivadas para a produção de fibras e grãos, são utilizados cerca de 50 milhões de hectares.
Regionalizando o cenário, na safra 2021/2022, o agricultor de Mato Grosso do Sul deverá colher um volume de soja inferior ao ciclo passado, quando o Estado atingiu recorde. Mesmo assim, o cenário de projeções é animador.
A estimativa é de 533 toneladas a menos do que na safra anterior, chegando a um total de 12,7 milhões de toneladas do grão, volume que deve ser colhido de uma área 7% maior, atingindo 3,776 milhões de hectares.
O Correio do Estado ouviu André Dobashi, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), que falou sobre o assunto e suas expectativas.
CORREIO DO ESTADO – em relação ao mercado externo, qual o cenário para a oleaginosa? Quanto devemos ter de exportação?
ANDRÉ DOBASHI – a demanda pela soja sul-mato-grossense continua elevada. Neste ano, devemos atingir um valor igual ou superior ao de 2020, isto é, pelo menos 4,7 milhões de toneladas exportadas. Em setembro, já exportamos cerca de 91,28% do que foi exportado no ano de 2020 [4,32 milhões de toneladas].
Com o dólar em alta, a demanda continua aquecida e se espera uma oferta superior para exportação, já que o câmbio torna esse mercado atrativo.
O custo do atual ciclo tende a ser maior ou menor?
O custo da safra 2021/2022, em média, é de R$ 5.419,01 por hectare, cerca de 41 sacas por hectare a um preço de R$ 130 por saca [média de comercialização em maio deste ano]. Esse valor está 12,3% maior do que na safra 2020/2021, porém, com um preço da saca superior ao de venda na safra passada, a quantidade de sacas por hectare reduziu de 48 para 41, isto é, o custo por saca está 14,58% menor.
Assim, há uma maior rentabilidade para o produtor. Apesar do aumento de custo, o preço em setembro de 2020 era de R$ 131,60/saca; em setembro deste ano, de R$ 156,71/saca, portanto, 19% maior.
Na sua avaliação, isso se deve a que fato?
Elevação das despesas de custeio da lavoura, que sofreram um aumento de 64,5%. Logo, os que mais contribuíram para o aumento: corretivo de solo, fertilizante, semente de soja e inseticida.
Há algum fator que hoje preocupa os produtores?
Possível falta de fertilizantes no mercado, em razão da escassez da principal exportadora dos produtos, a China. A crise energética no país e a paralisação de importação do Brasil de produtos agropecuários preocupa o cenário do mercado de commodities também
Pois a China é o principal exportador de fertilizante para o Brasil e o maior importador de grãos do País, inclusive, de Mato Grosso do Sul.
Recente levantamento da safra de grãos 2021/2022 prevê um recorde para o período. Qual é o cenário para Mato Grosso do Sul?
O cenário até o momento é de grande expectativa para a safra, as previsões do tempo estão se confirmando e os preços pagos pela soja estão em patamar elevado. No momento, há recorde previsto, em razão de a prospecção do clima demonstrar variação na precipitação.
A expectativa é de que a produção da safra seja dentro da média dos últimos cinco anos.
A estimativa é de um crescimento de quanto no Estado?
Estima-se, até o momento, aumento de área plantada de aproximadamente 7%, passando de 3,529 milhões de hectares para 3,776 milhões de hectares.
Para tanto, é esperada uma redução de 4% em relação à expectativa do volume de produção de grãos [de 13,306 milhões de toneladas na safra 2020/2021 para 12,773 milhões de toneladas na safra 2021/2022]. A produtividade para a próxima safra está estimada em 56,38 sacas por hectare.
Quais são as projeções específicas para a soja em Mato Grosso do Sul, conforme a Aprosoja-MS?
O produtor deve se atentar ao período de plantio – insumos, variedades de ciclo precoce, médio e tardio – e tomar as decisões de forma sábia no desenvolvimento fenológico da cultura – pragas, doenças e plantas daninhas, se há histórico de infestações, não espere.
Uma tomada de decisão errada pode afetar tanto no rendimento da cultura como no próximo plantio de milho 2ª safra.
Em quanto a área plantada deve crescer? Porcentualmente, o aumento deve ser de quanto?
Aumento de área plantada em aproximadamente 7%, passando de 3,529 milhões de hectares para 3,776 milhões de hectares. Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais avança na expansão de área plantada de soja no Brasil de modo consciente, substituindo as culturas de pastagem e cana-de-açúcar.
O que temos de estimativa de produtividade nesse primeiro momento?
A produtividade para a próxima safra está estimada em 56,38 sacas por hectare. A estimativa é inferior em 10% ao ciclo passado, mas mantém a média das últimas cinco safras. No momento é conservadora, em razão de a safra não estar totalmente semeada.
O plantio, oficialmente, deve se estender até quando?
O plantio pode se estender até o dia 3 de dezembro. A evolução da operação nesta safra está mais adiantada do que nos últimos dois ciclos: no dia 8 de outubro, foram registrados 9,5% da área de soja de Mato Grosso do Sul plantada. As condições estão ideais para o plantio, a tendência nas próximas semanas é de evolução expressiva.
Cogita-se a extensão do período de semeadura no Estado ou isso é tecnicamente inviável? Por quê?
Não se cogita a extensão do período de semeadura. Tecnicamente é inviável, tanto em condições climáticas quanto em sanidade do cultivo, em razão da possibilidade de enfrentar as adversidades climáticas no cultivo e aumentar a incidência da ferrugem asiática no Estado, onde o clima e a doença podem causar danos diretos à produção.
O produtor deve cumprir o período estabelecido em lei – de 16 de setembro até 31 de dezembro.
Quais são as expectativas quanto ao clima para esse período de plantio?
A previsão é de precipitação total para o trimestre outubro, novembro e dezembro, período marcado pelo retorno das chuvas. Em outubro, o acumulado pode variar de 100 mm a 160 mm em grande parte do Estado, exceto na região sul-fronteira, que indica entre 160 mm e 200 mm, e na porção noroeste da região oeste, entre 60 mm e 80 mm.
Para o mês de novembro, chuva entre 100 mm e 160 mm em grande parte das regiões do Estado, apenas nas regiões sudoeste e nordeste que há previsão de chuvas entre 160 mm e 200 mm.
Em dezembro, a previsão é de acumulados de chuva entre 160 mm e 200 mm em grande parte do Estado, exceto na região nordeste, que indica chuvas entre 230 mm e 260 mm, e a porção central da região oeste, entre 100 mm e 130 mm, segundo o Cemtec [Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS].
Em um momento em que vemos o agro sendo um dos grandes suportes da recuperação da economia brasileira, especialmente em Mato Grosso do Sul, o que dizer da recente invasão da sede da Aprosoja em Brasília?
A Aprosoja de Mato Grosso do Sul reprova as ações violentas que depredaram a sede da Aprosoja Brasil, em Brasília. Os agricultores associados apoiam as investigações e pedem providências concretas contra os envolvidos no ato de vandalismo.
A entidade reconhece a importância econômica, ambiental e social dos produtores de soja e a relação direta que o setor tem com as demais cadeias da agropecuária, responsáveis pela alimentação dos brasileiros e pela exportação, que mantém a economia do País o mais estável possível.
A Aprosoja-MS caracteriza como inadmissível a insegurança jurídica que agora ultrapassa as porteiras das propriedades rurais, chegando aos prédios de entidades sérias, que, com credibilidade, trabalham a favor de mais comida aos brasileiros, renda e dignidade aos produtores e trabalhadores rurais, com técnicas que se baseiam na lei e na tecnologia.
Por fim, deseja punição imediata aos vândalos e insiste em maior segurança àqueles que fazem do País referência em produção sustentável.