Como forma de manifesto contra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a alta dos alimentos, uma cesta básica, contendo cinco itens, foi entregue em vários pontos de Campo Grande, inclusive ao Correio do Estado.
A ação faz parte de uma campanha da vereadora Camila Jara (PT) e também reforça a importância da Renda Básica para as famílias de Campo Grande.
A cesta inclui um óleo, indicando inflação acumulada de 6,68%; café 37,33%; açúcar 51,79%; macarrão 4,04% e arroz 13,47%.
Na carta deixada junto aos alimentos, começa com o questionamento: "Alguém com fome é livre? Um enfermo sem remédio é livre? Uma pessoa sem água potável, sem energia ou um lar para morar é livre? A Renda Básica é liberdade".
Junto à cesta também veio um exemplo de conta de luz, no valor de R$ 285,40, processo de ordem de despejo e uma lista especificada, com gás de cozinha custando R$ 100; remédios R$ 143; 2 quilos de carne R$ 56 e fralda R$ 50, totalizando R$ 349.
O manifesto ainda diz que a inflação "comeu 25% da nossa cesta básica, aumenta o preço daquilo que é mais básico na mesa do brasileiro".
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira, indicam queda do Produto Interno Bruto (PIB) pelo segundo trimestre consecutivo.
A retração significa que o País entrou em recessão - economia mais fraca, com desemprego em alta e menos consumo -.
Em 12 meses, a inflação registrou alta de 10,05%. Em Campo Grande, no mês de outubro, o IPCA fechou em 1,05% para mais.
PROJETO
A votação para a Renda Básica em Campo Grande, acontece nesta quinta-feira, na Câmara Municipal.
O Plano Plurianual (PPA) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) serão votados e emendas propostas pela vereadora prevêem destinação orçamentária para que a Renda Básica seja paga para famílias em situação de extrema pobreza na Capital já em 2022 e continue até o 2025.
Se aprovada, a Renda Básica será distribuída para cerca de 30 mil famílias já em 2022.
De acordo com a vereadora, a Renda Básica Emergencial Cidadã, caso seja instituída em Campo Grande, prevê um auxílio municipal em três parcelas de R$ 300.
“Foi preciso chamar atenção para a situação crítica que se encontram as famílias mais vulneráveis da nossa cidade em um momento que 10 mil novas famílias se cadastraram no CadÚnico para receber algum tipo de benefício social", ressaltou a vereadora.
Em março deste ano, o Projeto de Lei da vereadora que propõe a Renda Básica Emergencial Cidadã foi protocolado na Câmara e apresentado ao prefeito Marcos Trad.
Já em uma reunião no dia 7 de abril, o prefeito Marquinhos Trad se comprometeu a designar uma comissão para analisar a viabilidade da proposta, mas de acordo com a vereadora, isso nunca aconteceu.
Ao ser cobrada da formação dessa comissão, a prefeitura afirmou que já distribui cestas básicas para as famílias, por isso a Renda Básica estava descartada.
No entanto, segundo Camila Jara, a proposta do projeto vai além de alimentos, pois as famílias poderão usar o dinheiro com o que é mais urgente e necessário, como por exemplo, pagar o aluguel, comprar itens que não vêm na cesta ou comprar o gás para cozinhar.