Economia

MEDIDA

Mato Grosso do Sul avalia manter congelado o ICMS dos combustíveis

Em contrapartida, o governador quer compromisso de empresários para que preços sejam reduzidos

O governo de Mato Grosso do Sul mantém a pauta fiscal, preço de referência para a cobrança dos impostos em relação aos combustíveis, inalterada desde março do ano passado. 

Com a decisão de outros estados de reajustar os preços, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) diz que pretende manter o preço de referência, porém, espera um compromisso dos donos de postos para a redução do valor dos combustíveis. Se mantida até março, a medida significará renúncia fiscal de R$ 260,4 milhões. 

“Sou simpático a manter congelado porque já está desde abril. Agora, eu só vou tomar essa decisão se os donos de postos e as distribuidoras repassarem para o consumidor. Porque não é justo o governo abrir mão e esse desconto não chegar para o consumidor, ele [desconto] acaba ficando como lucro”, disse o governador.  

A pauta fiscal ou Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) é a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), utilizada para evitar distorções nos preços praticados ao consumidor final. 

A pauta é reajustada a cada 15 dias, mas, no Estado, a última mudança foi registrada em março, quando a gasolina foi “congelada” a R$ 5,64, ou seja, o ICMS é cobrado com base neste valor desde então.

Já a base do etanol segue congelada com o preço de referência de R$ 4,20 por litro, a do diesel comum, a R$ 4,16, e a do diesel S10, a R$ 4,24. Caso o a pauta fiscal seja alterada, os preços praticados ao consumidor também subirão.

MANUTENÇÃO

O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos (Sinpetro-MS) enviou um documento solicitando a manutenção da medida, mas o governo de MS quer uma contrapartida.  

“Eu sou simpático [a manter], mas estou esperando o estudo do Procon [Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor] e vou chamar o Sinpetro, porque eles me mandaram uma carta pedindo para manter o congelamento. Mas eu só vou manter congelado se eles assinarem um compromisso de baixar nas bombas para o consumidor, senão não justifica manter esse congelamento”, propôs Azambuja.  

Questionado, o sindicato que representa os donos de postos de combustíveis disse que, “a diretoria resolveu não se pronunciar a respeito, acatando orientações jurídicas”, informou o diretor do Sinpetro-MS, Edson Lazarotto.  

“Fizemos um grande esforço, abrindo mão de uma receita de mais de R$ 156 milhões nos últimos nove meses, mas, infelizmente, essas medidas não tiveram o impacto esperado nas bombas. Portanto, nesses tempos de combustíveis muito caros, que já estão impactando a vida dos trabalhadores, é preciso o comprometimento de todos para aliviar o custo, e isso passa necessariamente pela responsabilidade dos empresários desse segmento. Todos devem dar a sua parcela de contribuição nesse momento de grandes dificuldades”, alertou o governador.

Segundo estimativa da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), a renúncia do ICMS dos combustíveis pode chegar a R$ 260,4 milhões, se o congelamento da pauta fiscal for estendido até março deste ano, mês em que a medida completará um ano de vigência.

ESTUDO

Conforme apurou o Correio do Estado, o Procon está colhendo dados de notas fiscais e verificando margens de lucro e preços praticados pelas distribuidoras para identificar como os impostos têm sido cobrados, tanto na Capital quanto no interior.  

Segundo o superintendente do Procon-MS, Marcelo Salomão, as fiscalizações recorrentes já têm o intuito de combater os preços abusivos. 

“Temos sido vigilantes para que a redução de impostos e o congelamento da pauta sejam repassados no valor final encontrado nas bombas de combustíveis”, disse.

A ação, segundo a gestão estadual, vai ajudar a nortear a decisão do governador. Em Mato Grosso do Sul, o ICMS é de 12% para o diesel, 30% para a gasolina e 20% para o etanol.

O Procon-MS também tem dialogado com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o Sinpetro-MS e as representantes das distribuidoras de combustíveis, para que sejam dadas explicações sobre a composição do valor final do litro dos combustíveis.

“Por que alguns estados não congelaram a pauta como nós congelamos desde abril? [Porque esses estados] Tem a mesma alíquota de combustíveis de Mato Grosso do Sul e vendem mais barato, então, alguma coisa de errado tem”, questionou o governador Reinaldo Azambuja.

Outros estados já se posicionaram sobre o fim da medida, que inicialmente foi adotada apenas em Mato Grosso do Sul e, em novembro, ganhou outros adeptos. 

A decisão foi tomada pelo Comitê Nacional dos Secretários Estaduais de Fazenda (Comsefaz) e anunciada na última semana.

Em nota, o governador do Piauí e coordenador do Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias (PT), criticou o governo federal e afirmou que os estados fizeram sua parte: “Congelamos o preço de referência para o ICMS. Não valorizaram este gesto concreto, não respeitaram o povo. A resposta foi aumento, aumento e mais aumento nos preços dos combustíveis”.

PREÇOS

Apesar do congelamento da pauta fiscal, outros fatores influenciam na formação do preço dos combustíveis. 

Segundo a Petrobras, o imposto estadual representa 27% do preço da gasolina, enquanto a fatia da estatal é de 34%, os impostos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins) representam 10%, o custo do etanol misturado ao combustível é responsável por 15% e o preço de distribuição e revenda responde por 13% do preço final.

No caso do diesel: 55,8% do preço é destinado à Petrobras; 14,9%, ICMS; 6%, impostos federais; 12%, de distribuição e revenda; e 10,7%, mistura de biodiesel.

Nas bombas, o litro da gasolina subiu 37% em MS, saindo de R$ 4,73 (preço médio), em janeiro de 2021, para R$ 6,48, neste mês, conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).  

O diesel saiu de R$ 3,71, em janeiro do ano passado, para R$ 5,37, neste mês, aumento de 44,74%. E o etanol aumentou 55,48%, indo de R$ 3,37 a R$ 5,24 no intervalo de um ano.

Além do descongelamento da pauta fiscal, outros fatores também influenciam no aumento dos combustíveis e apontam para novos reajustes, como o preço do barril de petróleo tipo Brent, usado como referência pela Petrobras, e a cotação do dólar.  

O barril de petróleo era comercializado a US$ 54,55 em janeiro de 2021 e, ontem, era cotado a US$ 88,83, com previsão de alta para os próximos dias. O preço de paridade de importação (PPI) reflete os custos totais para internalizar um produto. É uma referência calculada com base no preço de aquisição do combustível.

O dólar era cotado a R$ 5,47 no fechamento de janeiro do ano passado, ontem, fechou a R$ 5,49.

Assine o Correio do Estado

Loterias

Resultado da Lotofácil de hoje, concurso 3822, quinta-feira (05/11)

A Lotofácil é uma das loterias mais populares no Brasil, com sorteios realizados seis vezes por semana, de segunda a sábado; veja números sorteados.

05/11/2026 20h05

Volantes da Lotofácil, uma das modalidades de loteria administradas pela Caixa Econômica Federal.

Volantes da Lotofácil, uma das modalidades de loteria administradas pela Caixa Econômica Federal. (Foto: Divulgação/Caixa)

Continue Lendo...

Loterias

Resultado da Lotomania de ontem, concurso 2995, quarta-feira (04/11): veja o rateio

A Lotomania tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

05/11/2026 08h38

Confira o rateio da Lotomania

Confira o rateio da Lotomania Foto: Divulgação

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).