Comprar alimentos essenciais da cesta básica fica 50,85% mais caro em Campo Grande nos últimos dois anos, de acordo com levantamento feito pelo Correio do Estado.
Esta reportagem pesquisou o preço praticado em seis itens essenciais do dia a dia e constatou aumentos consideráveis na hora de comprar arroz, feijão, macarrão, ovo, tomate e óleo de soja, itens importantes na alimentação das famílias.
Uma compra básica de 5 quilos de arroz, 1kg de tomate, uma cartela de 30 unidades de ovo, 1kg de feijão carioquinha, um pacote de macarrão e um litro de óleo de soja sai atualmente por volta de R$ 67,07 contra R$ 55,29, computados 12 meses antes e R$ 44,46 do mesmo período de 2020.
Utilizando como base os aumentos inflacionários divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos últimos 12 meses, é possível notar altas de 13,66% no quilo do feijão, 13,19% no pacote de macarrão, 15,75% na cartela de ovo, 22,04% no litro do óleo de soja e incríveis 156,8% no quilo do tomate.
O único item que apresentou queda de março de 2021 para março deste ano foi o arroz, com retração de 14,39%.
De acordo com Maurício Goiaba, proprietário de um mercado na região do Monte Castelo, o tomate é um dos itens que mais subiram neste começo de ano.
Uma caixa da fruta é comercializada 100% mais cara do que cinco meses atrás.
Comercializado em torno de R$ R$ 12,50 na promoção atualmente, comprar um quilo hoje, é o equivalente a dois quilos em meio tomate no mesmo período de 2021.
Ele também diz que a expressão a preço de banana não existe mais. “A banana nunca mais será vendida a R$ 1,00 ou R$ 2,00 o quilo. A banana nanica no preço de mercado é R$ 7,00 R$ 7,50 eu consigo fazer um preço mais baixo em promoção”, revela.
Segundo a economista Adriana Mascarenhas, os preços de itens de sacolão, frutas e legumes e quase toda a cesta básica aumentam porque não somos autossuficientes na produção de vários deles.
“No caso dos hortifrutis, geralmente vem tudo de São Paulo, tivemos aumento dos combustíveis, e isso pressiona o preço do frete para cima. As intempéries climáticas também podem ter afetado a oferta desses produtos e, com baixa oferta e alta demanda, a tendência é que os preços subam”, analisa.
Outro item que chama a atenção é o arroz. O cereal está em queda nos últimos 12 meses, entretanto, de 2020 para 2021, ele teve uma disparada no preço.
Naquela época, o pacote de 5kg podia ser comprado por cerca R$ 11,40. Atualmente é possível encontrar o pacote a R$16,49 na promoção.
Ovo e óleo de soja também contribuíram com a alta. O primeiro que era encontrado por volta de R$ 11,60 em 2020, hoje é comercializado a R$15,99 na promoção.
O segundo, teve aumento considerável, saindo de R$ 5,00 o litro em março de 2020, para R$ 9,90 em 2022.
Cesta Básica Oficial
Em cinco anos, a variação oficial da cesta básica chega a 87,15% de alta em Campo Grande.
Se o recorte for apenas nos últimos três, como feito com os itens individuais, o campo-grandense deve ter experimentado alta de 52,93%, de acordo com dados auferidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A discrepância existe porque a cesta do Dieese utiliza 13 itens, sete a mais que a do estudo, e considera a média de preço de vários supermercados, feiras, açougues e padarias.
O valor cobrado na lista de itens era R$ 382,47 em março de 2018 contra R$ 715,81 do divulgado na última semana.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada para o período de março de 2018 até março de 2022 está acumulada em 27,68%, pouco acima dos 27% de variação do salário mínimo para a mesma duração.
Doutor em economia Michel Constantino, afirma que esse levantamento mostra o quanto o poder de compra do cidadão vem sendo corroído pela inflação.
“A comparação entre a variação da cesta básica e a variação do salário mínimo apresenta estatisticamente a elasticidade entre o poder de compra e o aumento médio dos preços”, afirmou Constantino.
Ele prossegue dizendo que essa é uma dinâmica comum para o brasileiro que tem de se adaptar para fazer o salário render.
“Como o Brasil é um país com vários ciclos inflacionários, as pessoas já se acostumaram a substituir produtos e criar alternativas de renda para aumentar o poder de compra, como por exemplo, vender bolos, doces, fazer “bicos” em serviços essenciais, atividades informais que aumentam a renda da família em períodos de preços altos”, disse.
Conforme o economista, “esse contexto de variação impacta diretamente as pessoas de baixa renda, pois são as que mais utilizam a cesta básica e variam pouco o aumento dos ganhos”, finaliza.