Mato Grosso do Sul chega ao 49º aniversário de sua criação, celebrado no dia 11 de outubro, com uma economia em transformação, marcada pela expansão industrial, a atração de investimentos privados e o fortalecimento do agronegócio.
O desafio para os próximos anos, segundo o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, é ampliar a capacidade de processamento da produção dentro do próprio território, gerar empregos qualificados e fazer com que os resultados do crescimento alcancem os 79 municípios.
Em entrevista ao Correio do Estado, o secretário avalia que um dos principais avanços recentes foi a ampliação e a diversificação da estrutura produtiva estadual.
Além da força tradicional da agropecuária, o Estado vem consolidando investimentos em segmentos industriais, especialmente nas cadeias de celulose, bioenergia, processamento de grãos e proteína animal.
O cenário ocorre em um momento de perspectivas positivas para a economia sul-mato-grossense. Conforme o Correio do Estado já mostrou, estimativa regional do Banco do Brasil aponta alta de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o dobro da média nacional.
Além disso, o avanço dos investimentos privados e os indicadores favoráveis do mercado de trabalho reforçam as perspectivas de desenvolvimento.
No segundo trimestre deste ano, Mato Grosso do Sul registrou taxa de desocupação de 2,7%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para Falcette, o desempenho estadual é resultado da combinação de competitividade do agronegócio, capacidade de atração de capital privado, segurança do ambiente de negócios e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
“Esse movimento é resultado da combinação entre a força do agronegócio, a capacidade de atração de investimentos privados, a segurança proporcionada pelo ambiente de negócios e as políticas públicas voltadas à competitividade e ao desenvolvimento sustentável”, avalia.
Ainda segundo o secretário, os efeitos desse processo ultrapassam os limites das fábricas e das propriedades rurais. A instalação de grandes empreendimentos movimenta cadeias de transporte, armazenagem, manutenção, comércio e serviços, criando oportunidades em diferentes regiões.
“Nosso objetivo é consolidar uma economia cada vez mais diversificada, capaz de agregar valor à produção dentro do Estado, fortalecer os fornecedores locais e ampliar as oportunidades de desenvolvimento nos municípios. Queremos que o crescimento econômico se traduza em melhoria da qualidade de vida da população sul-mato-grossense”, destaca.
INDÚSTRIA
A industrialização aparece como um dos principais caminhos para sustentar o desenvolvimento econômico estadual.
A estratégia é de reduzir a dependência da comercialização de matérias-primas e ampliar o processamento local de produtos agropecuários, aumentando o valor agregado e os efeitos dos investimentos sobre a economia.
Nas cadeias da soja, do milho, da cana-de-açúcar e do algodão há oportunidades que vão do armazenamento e beneficiamento à produção de biocombustíveis e outros produtos industriais.
Na proteína animal, a expansão envolve desde a produção rural e os sistemas de integração até frigoríficos, laticínios e atividades complementares.
O Estado já reúne exemplos dessa transformação. A fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, e as unidades de produção de etanol de milho da Inpasa e da Neomille demonstram como novos empreendimentos ampliam a capacidade de processamento industrial em MS.
Conforme já noticiou o Correio do Estado, Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos.
Projetos que estão em diferentes estágios de implantação e desenvolvimento. Entre eles estão a fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, o projeto da Bracell, em Bataguassu, a indústria de processamento de soja da Copasul, em Naviraí, e a nova planta de etanol de milho da Atvos, em Nova Alvorada do Sul, que recebeu licença de instalação este ano.
Os empreendimentos integram um ciclo de investimentos que pode alterar a dinâmica econômica de diferentes municípios, ampliando a demanda por serviços, infraestrutura, mão de obra e fornecedores.
Os efeitos, porém, dependem do avanço de cada projeto, de seus cronogramas de implantação e da capacidade de integração com as empresas locais.
Falcette ressalta que o potencial de crescimento está justamente na possibilidade de ampliar essas conexões entre o campo e a indústria.
“Quanto maior a capacidade de processar nossa produção dentro do Estado, maior será o potencial de gerar renda, desenvolver os municípios e tornar nossa economia mais diversificada e competitiva”.
Além da celulose e dos biocombustíveis, Falcette aponta a citricultura como uma das atividades com potencial para diversificar a matriz produtiva e abrir novas oportunidades de negócios.
A expansão dessas cadeias pode favorecer produtores rurais, cooperativas, transportadores e empresas fornecedoras, desde que haja condições para a participação dos agentes econômicos locais.

PEQUENOS NEGÓCIOS
Embora os grandes projetos industriais concentrem parte da atenção pelos volumes de capital envolvidos, o secretário avalia que o desenvolvimento estadual precisa incluir empresas de menor porte, agricultura familiar e produtores rurais.
A proposta da Semadesc é de fortalecer esses segmentos por meio do acesso ao crédito, da qualificação profissional, do incentivo ao empreendedorismo e do apoio à produção local.
Um dos instrumentos mencionados pelo secretário é o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que oferece linhas de financiamento para investimentos produtivos, modernização e ampliação de empreendimentos, conforme as condições de cada modalidade.
Na agricultura familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) também integra as iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção local.
A política aproxima produtores dos mercados institucionais, contribuindo para a geração de renda no campo e para o fornecimento de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
A qualificação profissional é outro eixo considerado estratégico, principalmente diante da demanda por trabalhadores em setores industriais em expansão.
A aproximação entre a formação profissional e as necessidades das empresas pode ajudar a ampliar o preenchimento de vagas e a preparar a mão de obra para funções de maior qualificação.
O desafio, segundo ele, é fazer com que os investimentos se convertam em oportunidades para além dos empregos diretamente criados pelos empreendimentos. Isso inclui estimular a contratação de fornecedores locais, fortalecer pequenos negócios e ampliar a circulação de renda nos municípios.
“Para que o desenvolvimento econômico seja sustentável e alcance toda a população, precisamos criar oportunidades tanto para os grandes investimentos quanto para os pequenos negócios, os produtores rurais e a agricultura familiar”, considera Falcette.
Segundo ele, o crescimento será mais consistente quando empresas de diferentes portes conseguirem participar das cadeias produtivas em expansão, ampliando a capacidade de geração de renda e movimentação da economia regional.
Futuro da economia está focado na diversificação
Para os próximos anos, a Semadesc pretende ampliar as oportunidades em setores como celulose e base florestal, bioenergia, processamento de grãos, proteína animal e citricultura.
A agenda também inclui inovação, ciência e tecnologia, com o objetivo de agregar conhecimento à produção e fortalecer a competitividade estadual.
A expansão econômica, no entanto, precisa caminhar com a conservação ambiental. O secretário defende que a competitividade de Mato Grosso do Sul depende da capacidade de conciliar eficiência produtiva, redução de impactos ambientais e valorização dos recursos naturais.
Entre as iniciativas citadas está o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Bioma Pantanal, voltado ao reconhecimento e ao incentivo de produtores rurais que contribuem para a conservação da biodiversidade.
A agenda estadual também contempla iniciativas relacionadas à neutralidade de carbono, à recuperação de áreas degradadas e à melhoria dos sistemas agropecuários.
Na pecuária, programas como o Precoce MS e iniciativas de incentivo às cadeias de aves e suínos buscam estimular a produtividade e aprimorar os sistemas de produção. A intenção é de ampliar a eficiência e a qualidade, mantendo a responsabilidade ambiental como parte da estratégia de desenvolvimento.
O fortalecimento dos municípios também faz parte desse planejamento, com ações de articulação institucional voltadas à capacidade de planejamento local, à governança climática e ao saneamento.
Ao projetar o futuro do Estado, Falcette defende a consolidação de uma economia mais industrializada, diversificada e competitiva, com maior capacidade de transformar a produção local, atrair capital privado e gerar empregos qualificados.
“Até o fim desta década, queremos um Mato Grosso do Sul mais industrializado, diversificado e competitivo, com maior capacidade de agregar valor à produção, atrair investimentos, gerar empregos qualificados e fortalecer as economias municipais”, afirma.
Para ele, o próximo passo é fazer com que a expansão econômica se traduza em benefícios duradouros para a população, combinando prosperidade, inclusão social e conservação ambiental.
“Esse é o caminho para que MS continue crescendo de forma consistente e se destaque nacional e internacionalmente como um Estado capaz de produzir, inovar e gerar oportunidades com responsabilidade”, conclui Falcette.


