Taxa de juros segue alta, mas, mesmo assim, a população não deixa de realizar o sonho de comprar a casa própria em Campo Grande.
De acordo com o Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), a intenção de comprar um imóvel é de 60% na Capital.
O sonho saiu do papel para muitos: de janeiro a julho de 2026, 872 unidades foram vendidas em Campo Grande, sendo 464 no primeiro trimestre e 408 no segundo trimestre.
Do padrão Minha Casa Minha Vida, foram comercializados 272 imóveis no primeiro trimestre e 80 imóveis no segundo trimestre.
Casas de padrão médio (80%) tiveram um boom nas vendas no último trimestre, enquanto imóveis Minha Casa Minha Vida (20%) aparecem em segundo lugar e compactos (2%) em terceiro. Imóveis luxuosos tiveram retração (-1%).
De acordo com o vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, os juros altos atrapalham a venda, mas não inviabilizam o negócio.
“Os altos juros sempre atrapalham e tiram o aquecimento das vendas, mas a gente tem notado que está saindo negócio sim. Se o juros baixar um pouco, com certeza aquece um pouco mais”, explicou.
Segundo o Sinduscon-MS, Campo Grande tinha 2.033 imóveis em estoque no segundo trimestre e 1.961 no primeiro trimestre, o que representa uma alta de 3,7% no período e de 35,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025.
Imóveis em estoque são aqueles disponíveis para venda imediata por uma construtora, incorporadora ou empresa do setor.
De acordo com head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, o estoque é considerado “saudável” para uma cidade do porte de Campo Grande.
“Hoje o nosso estoque variando na casa de 2.000 unidades de produto vertical para o porte da cidade de Campo Grande é um estoque extremamente saudável ainda. Isso nos dá um indicador de 21% do nosso estoque. Quando chega no nível de 30%-32%, a gente já pede para o sindicato acender uma luz. A gente precisa lançar mais, porque já temos produto que está praticamente virando um produto escasso. Em Campo Grande, tanto produto vertical e produto horizontal, a gente precisa lançar mais, por causa do nosso estoque. Se a gente não lançar, daqui uns dias poderemos ter produtos escassos”, explicou.
No segundo trimestre, o m² custava R$ 9.857,00 em Campo Grande. No primeiro trimestre, custava R$ 10.477, portanto, o valor baixou de um período para o outro.
Confira o valor médio por tipo de residência:
- Residência com um dormitório – R$ 707.604,00
- Residência Minha Casa Minha Vida com dois dormitórios – R$ 293.682,00
- Residência com três dormitórios – R$ 1.141.120,00
- Residência com quatro ou mais dormitórios – R$ 3.406.840,00
- Geral – R$ 688.283,00
Fonte: Sinduscon-MS
Na Capital, 240 unidades foram lançadas no segundo trimestre, ante 144 no primeiro trimestre. O número de empreendimentos lançados permaneceu estável em relação ao primeiro trimestre, com dois novos projetos registrados nos dois períodos.
O Valor Geral de Vendas (VGV) se manteve entre R$ 259 milhões e R$ 257 milhões no primeiro e segundo trimestre, respectivamente. O valor se refere ao faturamento bruto total que uma construtora ou incorporadora espera arrecadar com a venda de todas as unidades de um novo empreendimento.
Gonçalves afirmou que o melhor momento para comprar um imóvel é hoje, pois, com a oferta e demanda, pode ficar mais caro daqui para frente.
“Quem quer comprar um imóvel na cidade de Campo Grande tem que comprar agora, porque se deixar para amanhã, vai encontrar o preço do metro quadrado mais alto, que nos últimos dois anos vem crescendo de forma significativa. Há tendência de crescer ainda mais o preço do metro quadrado”, alertou.
ITBI
O Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) é um imposto municipal obrigatório que deve ser pago sempre que ocorre a compra e venda ou a transferência de um imóvel entre pessoas vivas. O valor é cobrado pela prefeitura e repassado aos cofres públicos.
Confira o valor do ITBI arrecadado pela Prefeitura de Campo Grande no primeiro semestre de 2025 e 2026:
- Janeiro 2025 – R$ 9.656.533,00
- Fevereiro 2025 – R$ 8.693.620,00
- Março 2025 – R$ 9.640.496,00
- Abril 2025 – R$ 8.927.612,00
- Maio 2025 – R$ 11.428.649,00
- Junho 2025 – R$ 8.894.497,00
- Julho 2025 – R$ 12.884.469,00
- Janeiro 2026 – R$ 8.032.920,00
- Fevereiro 2026 – R$ 8.305.952,00
- Março 2026 – R$ 10.878.287,00
- Abril 2026 – R$ 11.265.063,00
- Maio 2026 – R$ 10.291.246,00
- Junho 2026 – R$ 9.958.649,00
- Julho 2026 – R$ 10.032.784,00
Fonte: Prefeitura Municipal de Campo Grande
BRASIL
A intenção de comprar um imóvel é de 52% no Brasil – o percentual é o maior desde 2019 e atingiu a máxima histórica. Dos que pretendem, 11% realmente compram. Nas regiões Centro-Oeste/Norte, 53% pretendem comprar um imóvel e 47% não pretendem.
A compra pode se concretizar em até 6 meses (8%), em até 1 ano (23%), em até 1 ano e meio (13%), em até 2 anos (24%) e acima de 2 anos (32%).
Os imóveis mais desejados pelos brasileiros são apartamento (40%), casa em rua (38%), casa em condomínio fechado (17%), terreno em condomínio aberto (3%), terreno em condomínio fechado (2%).
Os imóveis preferidos são residência para moradia (86%), residência para lazer (8%) e comercial (6%).
As motivações para compra são sair do aluguel (37%), sair da casa dos pais (15%), mudar de endereço (9%), casamento (2%), separação (1%), mais espaço (14%), mais benefícios (3%), imóvel mais novo (3%), locação (12%), revenda (1%), imóvel para familiar (2%) e residência menor (1%).
O Sinduscon-MS apresentou, na manhã desta sexta-feira (28), às 8h30min, dados do Censo Imobiliário, referentes ao segundo trimestre de 2026 em Campo Grande, que permitem acompanhar o comportamento dos consumidores, oferta, demanda, intenção de compra, lançamentos, vendas, estoque e preços dos imóveis na Capital.
A coletiva de imprensa ocorreu na rua da Paz, número 1054, Jardim dos Estados, na Capital e contou com a presença do vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta e do head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves.


