Comer peixe é tradição do período para os católicos e campo-grandenses acordaram cedo para adquirir o item no Mercadão
Na véspera da Sexta-Feira Santa (3), onde os fieis da Igreja Católica costumam não comer carne vermelha, a Peixaria do Mercadão Municipal de Campo Grande registra movimento intenso desde as primeiras horas desta quinta-feira (2), com filas chegando a se formar do lado de fora do estabelecimento.
O borracheiro Felipe Rodrigues Soares, 33 anos, mora em Ribas do Rio Pardo e aproveitou a passagem por Campo Grande, onde veio a trabalho, para garantir o pescado do almoço de sexta, mas acabou se surpreendendo com a fila.
"Achei que ia chegar e já ser atendido, porque a gente não é daqui. Eu só não saí da fila porque a minha mulher quer muito o peixe, por mim a gente comia ovo",disse.
Com relação aos preços, ele considera que estão dentro do esperado, pois já havia se programado com antecedência para o gasto, pois é tradição familiar comer peixe na data.
Cida Ferreira, de 60 anos, também se deparou com o movimento intenso, mas aproveitou o tempinho para escolher na hora qual peixe levaria para casa. "Está bem grande a fila, mas está andando rápido", ressaltou.,
A empresária Letícia Pereira, 28 anos, encarou o movimento com tranquilidade, dizendo que vale a pena esperar para manter uma tradição familiar.
"Minha família é até pequena, mas a gente gosta de comer peixe na sexta-feira santa, é uma tradição, meus pais fazem isso há muitos anos e eu estou levando para a minha família e acho que vale a pena manter, é uma equestão religiosa, é um momento de reflexão", comentou.
Cibele Leite pesquisou preços antes de decidir onde faria a compra e, apesar de afirmar que encontrou locais mais baratos, escolheu a peixaria do Mercadão por vender a peça inteira e sem espinho. "Sou católica e a sexta-feira santa representa o sofrimento e a entrega do senhor para a nossa vida. Nesse ano eu vou gastar um pouquinho mais porque a família aumentou, o preçou também subiu um pouquinho mais, mas não vai pesar porque a gente se prepara e se organiza para isso", disse.
Cleuber Linares é proprietário da Peixaria do Mercadão e disse que se preparou para o atendimento, pois a alta do movimento já é tradicional na Semana Santa.
"O movimento está dentro do que a gente já espera, são 50 anos de peixaria e quinta-feira é o dia de maior intensidade de vendas", disse, explicando que são 26 funcionários para atender o público.
Linares acredita ainda que as vendas não aumentaram tanto em comparação com o ano passado porque, neste ano, a data da Paixão de Cristo cairá no dia 3 de março, antes do pagamento de grande parte da população, que costuma receber no quinto dia útil, enquanto em 2025 foi no dia 18 de abril.
A expectativa é que a procura seja grande também na sexta-feira, quando a peixaria estará aberta até meio-dia, para atender a população que deixou a compra para última hora.
Preços variam
O peixe, carne mais procurada entre os brasileiros para a Semana Santa, tem variação de até 82% nos preços em Campo Grande, segundo aponta pesquisa realizada pela Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) em seis peixarias da Capital.
O salmão inteiro é o que apresenta a maior variação, com preço médio de R$ 93 o quilo, mas sendo encontrado de R$ 66 a R$ 120, dependendo do estabelecimento.
O bacalhau Saithe, por sua vez, teve 43% de diferença no valor pago pelo consumidor final, com preços de R$ 69,90 a R$ 100 o quilo.
Houve menores oscilações entre os peixes de água doce, sendo as maiores registradas no quilo do filé de pintado de cativeiro (33%) e na costelinha de pacu (31%).
Confira a pesquisa completa: