Economia

EMPREGO

Comércio de MS deve contratar 2 mil temporários para o fim de ano

As maiores contratações devem ocorrer no segmento de hiper e supermercados

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O comércio varejista de Mato Grosso do Sul deve abrir 2 mil vagas de trabalho temporário para o fim de ano, mais especificamente para o período de vendas do Natal.

A projeção é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

"Quando comparamos com o ano anterior, temos um aumento de 500 vagas e em relação a 2020, o primeiro ano da pandemia, aproximadamente mil vagas diretas", disse a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira.

O estudo leva em conta apenas o comércio de varejo.

Segundo a Fecomércio, as maiores contratações devem ocorrer no segmento de hiper e supermercados, com abertura de 945 vagas.

Na sequência, vem o setor de utilidades domésticas e eletroeletrônicos, com 309 vagas, e vestuário e calçados, com 298 contratações.

Livrarias e papelarias aparecem com 165 vagas e demais segmentos totalizam 233 contratações.

Conforme a Regiane Dedé de Oliveira, o emprego temporário de fim de ano é uma oportunidade para retornar ao mercado de trabalho.

"É um momento muito oportuno para aquela pessoa que está procurando por uma vaga de trabalho e que encontra no emprego temporário uma oportunidade de contratação efetiva", disse a economista.

Em todo o Brasil, a expectativa é que sejam contratados 109,4 mil trabalhadores no fim de ano no varejo.

A previsão da CNC é que haja aumento de 2,1% nas vendas de fim de ano no varejo como um todo, no País.

Agronegócio

Falta de armazenagem faz com que MS deixe de arrecadar R$ 6,1 bilhões em grãos

Mais de 12 milhões de toneladas de soja e milho da safra 24/25 não tinham onde ser armazenadas no Estado

22/02/2026 13h35

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão

Safra do milho perdida deixou de arrecadar R$ 1,7 bilhão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A falta de local para armazenar a produção de grãos em Mato Grosso do Sul fez com que mais de R$ 6,1 bilhões deixassem de ser arrecadados na safra 2024/2025. Esse valor corresponde ao quantitativo que deixou de ser capturado pelos produtores devido à limitação estrutural dos silos no Estado. 

Da quantia total, R$ 4,7 bilhões representam a soja e R$ 1,4 bilhão, o milho, evidenciando uma sensibilidade maior da oleaginosa às condições do mercado e à insuficiência da capacidade de estocagem. 

Os dados são de um estudo desenvolvido pela Aprosoja/MS, desenvolvido para analisar o impacto na comercialização dos grãos causado pela falta de armazenagem adequada especialmente no período da colheita. 

Na safra analisada, a produção estimada de soja e milho foi de 24,26 milhões de toneladas. Enquanto isso, a capacidade de estocagem é de 16,39 milhões de toneladas.

De acordo com o parâmetro técnico recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a capacidade de armazenagem deve equivaler a 120% da produção anual.

Assim, Mato Grosso do Sul apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas, o mesmo que 43,7% da capacidade necessária para atender adequadamente à demanda das safras. 

Entre os municípios, Maracaju foi o que mais sofreu custo de oportunidade, deixando de arrecadar R$ 708,5 milhões. O município, maior produtor de grãos do Estado, corresponde, sozinho, a mais de 11% do “prejuízo”.

Em seguida, Ponta Porã, com R$ 457,9 milhões; Sidrolândia, com 401,2 milhões; Dourados, com R$ 318,6 milhões; e São Gabriel do Oeste, com R$ 265,7 milhões “perdidos”. 

Ao todo, esses municípios somam mais de R$ 2,15 bilhões em perdas por falta de armazenagem. 

“A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades”, afirmou o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc. 

Maior produção, menor armazenamento

Nos últimos cinco anos, a produção média de soja e milho em Mato Grosso do Sul ultrapassou 22 milhões de toneladas, deixando um déficit de armazenagem no Estado superior a 11 milhões de toneladas. 

Segundo a Aprosoja/MS, a capacidade de armazenamento no Estado é de 16,4 milhões de toneladas, enquanto a necessidade estadual chega a 27,5 milhões de toneladas. Essa diferença de 67,8% obriga muitos produtores a venderem suas safras logo após a colheita, impedindo de esperar por preços melhores do mercado.

Assim, o ritmo da capacidade de armazenamento dos grãos não acompanha o crescimento da produção agrícola. 

Entre 2014 e 2025, a capacidade de armazenagem saltou de 9,01 milhões para 16,39 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 82%. No mesmo período, a produção cresceu 69%, saindo de 17,23 milhões para 29,11 milhões de toneladas. 

A consequência disso foi o aumento do déficit de armazenagem de 8,25 milhões para 12,72 milhões de toneladas, um crescimento de 54%. Em 2023, foi registrado o déficit recorde da série, de 21,23 toneladas, após uma safra excepcional. 

Expansão

Para o economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, a expansão da armazenagem vem ocorrendo de forma reativa. 

“Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal”, avaliou.

Segundo o estudo, o valor perdido na safra 24/25 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no Estado, quantia que poderia financiar investimentos em novas estruturas de armazenamento. 

Como já noticiado pelo Correio do Estado, em julho do ano passado, o governo do Estado anunciou apoio aos investimentos de R$500 milhões da empresa Coamo para ampliar a indústria e construir novos armazéns. 

Conforme a gestão estadual, a empresa pretende expandir sua unidade de processamento de soja em Dourados e construir mais três armazéns nas cidades de Sidrolândia, Amambai e Dourados. 

Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), detalhou que a ampliação da fábrica da Coamo localizada em Dourados terá um investimento de R$200 milhões. 

Atualmente, a planta que tem capacidade de processamento de 3 mil toneladas de soja por dia, e após ampliação, vai passar para 4 mil toneladas/dia. Já os novos armazéns serão construídos nos demais municípios, com previsão de investimento de R$80 milhões em cada um.

Empregos

Indústria, construção e comércio cortam 34 mil vagas com ensino superior em 2025, mostra FGV

O número de empregados com carteira assinada em 2025 foi menor que nos anos anteriores

22/02/2026 13h00

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul

Construção civil puxou a geração de vagas de trabalho em Mato Grosso do Sul Paulo Ribas

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O mercado de trabalho no País mantém-se robusto e resiliente, com abertura líquida de vagas com carteira assinada em 2025, mas em menor quantidade do que nos anos anteriores. Num cenário em que a população ocupada segue renovando recordes, a formalização deveria ter espaço para avançar e melhorar a qualidade do conjunto de empregos existentes.

Porém, em meio aos juros elevados, as atividades de indústria, construção e comércio já cortam postos de trabalho mais qualificados, com demissões de funcionários que completaram o ensino superior. Considerando todas as dispensas e admissões, os três setores juntos eliminaram 34.297 empregos formais com ensino superior completo em 2025.

Os dados são de um estudo das pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O levantamento tem como base os microdados do Novo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.

Em 2025, o mercado formal criou 1.279.448 vagas, 398 mil postos a menos do que em 2024, uma queda de 23,7%. Apenas 1,9% desses novos postos de trabalho foram vagas com ensino superior completo: 24.513. Entretanto, houve demissão líquida entre esses funcionários com maior nível de instrução na indústria, 13.686 vagas a menos em relação a 2024; na construção, 8.179 postos a menos; e no comércio, 12.432 a menos. O resultado geral só não foi negativo porque o setor de serviços absorveu mais 58.300 trabalhadores com ensino superior, e a agricultura, mais 509.

"A gente sabia que a manutenção de uma taxa de juros elevada por muito tempo teria rebatimento no mercado de trabalho, mesmo que fosse de forma tardia. Então, a partir de junho esse impacto esperado no mercado de trabalho se consolidou, foi gerando saldos negativos. Desde agosto a geração de empregos vinha caindo na margem, e quando chegou o último trimestre, ela se consolidou de fato", relatou Feijó.

Em dezembro, o mercado formal registrou o pior saldo para o mês da série histórica do Novo Caged, com perda de 618.164 vagas líquidas, desempenho 11,3% inferior ao de dezembro de 2024. Com exceção da agropecuária, todos os demais setores econômicos apresentaram retração ante dezembro do ano anterior.

"A taxa de juros é um dos principais fatores que afetam a geração de postos formais. A gente já tem outros problemas estruturais também. No Brasil há dificuldade de contratar CLT porque os encargos trabalhistas ainda permanecem muito elevados. (...) Tem outros elementos adjacentes que influenciam, como as expectativas dos empresários. Se eles percebem que o ambiente econômico está muito desfavorável, eles tendem a postergar essa decisão de contratar especialistas no negócio e a não contratar novas pessoas", frisou Feijó. "Mas a gente sabe que para o País crescer, a gente tem que focar na geração de postos formais."

Quanto a 2026, a desaceleração da atividade econômica e a manutenção de juros em patamares elevados geram expectativas de um desempenho ainda mais modesto na geração de empregos com carteira assinada, diz o estudo. Feijó acrescenta que o cenário será de mais incerteza, por conta das eleições no segundo semestre, embora seja esperado algum efeito de retenção de mão-de-obra em setores específicos por conta de pacotes de estímulo do governo e da realização da Copa do Mundo de Futebol

"O nível de incerteza tende a aumentar, e as pessoas tendem a esperar até o final do ano para ver como é que vai se consolidar a questão eleitoral, quem vai ganhar, para poder decidir o que vai fazer (sobre investimentos em contratações)", estimou a pesquisadora do Ibre/FGV.

O resgate do fôlego no emprego com carteira depende, em primeiro lugar, de uma redução na taxa básica de juros, mas também da melhora no ambiente de negócios, defendeu.

"A gente tem conseguido aumentar a população ocupada, mas a qualidade ainda deixa a desejar. Uma sociedade que tem mais de 38% de trabalhadores na informalidade, isso é muito prejudicial, por conta da evasão fiscal. Do ponto de vista do trabalhador também é ruim, porque ele não tem garantia", justificou Feijó.

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