Economia

DESENVOLVIMENTO

Megafábrica da Suzano transforma MS no maior exportador de celulose do País

Planta vai impactar em crescimento de 3,5% no PIB de Mato Grosso do Sul e elevar exportações em mais de R$ 5 bilhões em 2024

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A Suzano iniciou no domingo, às 20h15 (horário local), as operações da maior linha única de produção de celulose do mundo, instalada no município de Ribas do Rio Pardo. Com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas por ano, o empreendimento vai transformar Mato Grosso do Sul no maior exportador de celulose do Brasil.

Somente em 2024 a estimativa é que a unidade possa elevar em US$ 900 milhões (R$ 5,022 bilhões) as exportações. “A gente tem uma previsão que a Suzano pode exportar de 1 milhão a 1,2 milhão de toneladas de celulose. Um acréscimo em torno de US$ 900 milhões na balança comercial ainda esse ano.

Então isso favorece muito o crescimento e a atividade econômica do estado de Mato Grosso do Sul”, disse o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, em entrevista ao Correio do Estado.

Ainda de acordo com Verruck, a planta consolida MS como o “Vale da Celulose”. “O Estado agora se posiciona como o maior exportador de celulose do País e tendo a maior unidade. Então é uma consolidação estratégica da industrialização do Estado e também do posicionamento como vale da celulose”

Conforme o comunicado da Suzano, o investimento total foi de R$ 22,2 bilhões, dos quais R$ 15,9 bilhões destinados à construção da fábrica e R$ 6,3 bilhões a iniciativas como a formação da base de plantio e a estrutura logística para escoamento da celulose.

O secretário ainda complementa que o pleno funcionamento da unidade vai gerar valor adicionado e consequentemente repasse maior ao município.

“A partir do valor adicionado Ribas do Rio Pardo vai ter um aumento da sua participação no índice de ICMS [Imposto Sobre Mercadorias e Serviços]. Isso facilita para que o município possa fazer todos os investimentos necessários, tem condições de melhorar os investimentos necessários. Além disso, temos uma previsão que uma indústria como a da Suzano, gere um impacto no crescimento do PIB de em torno de 3,5% ao ano, dado o crescimento da economia sul-mato-grossense”. 

Atualmente a celulose é o segundo produto da pauta de exportação e reponde por 20,5% das vendas ao mercado exterior, atrás apenas da soja, conforme os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 

O analista do comércio exterior, Aldo Barrigosse, corrobora que o impacto na balança comercial do Estado será positivo.“Grande parte da sua produção será destina ao mercado internacional. Impacto será muito grande para o município de Ribas, pois eles estão gerando muitos empregos diretos e indiretos, investimento na economia do município e alavancando juntos vários outros setores que estão se beneficiando deste empreendimento”, avalia Barrigosse. 

EMPREENDIMENTO

A construção da unidade denominada Projeto Cerrado,  foi anunciada em maio de 2021 e, no pico da obra, mais de 10 mil empregos diretos foram criados. O início da operação da fábrica estava marcado para o mês passado, mas houve um atraso no cronograma e o funcionamento foi iniciado no último domingo. 
Com o início das operações, cerca de 3 mil pessoas, entre colaboradores próprios e terceirizados, passam a trabalhar nas atividades industrial, florestal e de logística da nova unidade.

“A conclusão bem-sucedida do Projeto Cerrado reflete a dedicação e a capacidade de execução de cada pessoa envolvida nesta obra grandiosa e transformacional, e comprova a cultura de excelência que permeia toda a organização, liderada com maestria por Walter Schalka durante os últimos 11 anos”, diz Beto Abreu, recém-nomeado presidente da Suzano.

 “Sua visão e ambição levaram a empresa a entregar um projeto dentro do orçamento previsto e que, em todas as etapas, aderiu ao foco central da Suzano em apoiar a sustentabilidade e ter um impacto local positivo”, completa o executivo.

Com o início das operações da nova unidade, a capacidade instalada de produção de celulose da Suzano salta de 10,9 milhões para 13,5 milhões de toneladas anuais, o que representa um aumento de mais de 20% na produção atual da companhia. 

A Suzano também tem capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas anuais de papéis, incluindo as linhas de papéis sanitários, de imprimir e escrever e de embalagens, entre outros itens que utilizam a celulose como matéria-prima.

A unidade de Ribas do Rio Pardo utiliza tecnologia de gaseificação da biomassa nos fornos de cal, e, com isso, o uso de combustíveis fósseis ficará restrito aos momentos de partida e retomada de produção. 

A fábrica também será autossuficiente na produção de ácido sulfúrico, peróxido de hidrogênio e energia verde, com um excedente de aproximadamente 180 megawatts (MW) médios que atenderá os fornecedores satélites da fábrica, além de ser exportado para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa energia de fonte renovável poderia abastecer mensalmente uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes.

“MS é hoje um referência tanto na produção de eucalipto, como em produtividade, sustentabilidade e tecnologia. Por isso para o Estado hoje é um dia de comemorar emprego de qualidade, expansão econômica, e aquilo que o próprio governador Eduardo Riedel consolida como nossa estratégia, que é fazer um trabalho de competitividade nas nossas cadeias produtivas”, finaliza Verruck.

O Projeto Cerrado está inserido no maior ciclo de investimentos da história da Suzano. Após desembolsar mais de R$ 50 bilhões entre 2019 e 2023, a companhia investirá R$ 16,5 bilhões neste ano. 

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BENEFÍCIO SOCIAL

Em MS, 69 mil famílias superam pobreza e deixam o Bolsa Família

Famílias não dependem mais do programa pois saíram da pobreza por terem conseguido um emprego de carteira assinada ou por empreenderem

05/06/2026 09h45

DIVULGAÇÃO

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Dados divulgados pelo Governo Federal apontam que aproximadamente 69,5 mil famílias deixaram o Bolsa Família, entre março de 2023 e maio de 2026, em Mato Grosso do Sul.

As famílias não dependem mais do programa pois saíram da pobreza por terem conseguido um emprego de carteira assinada ou por empreenderem.

Os lares alcançaram a renda acima do limite exigido pela regra de proteção ou já cumpriram o prazo previsto para permanência nessa modalidade.

Em maio de 2026, mais de 2,4 mil famílias sul-mato-grossenses deixaram o programa social. Em todo o país, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família neste período.

Campo Grande (623) foi o município com maior número de desligamentos no mês passado, seguido por Dourados (163), Ponta Porã (90), Três Lagoas (89), Corumbá (84), Naviraí (72), Sidrolândia (66), Aquidauana (58), Aparecida do Taboado (57) e Amambaí (55).

A regra de proteção, do Bolsa Família, garante uma transição segura para famílias que aumentam a renda. Mesmo após superar o limite de R$ 218 por pessoa da família, elas podem continuar recebendo 50% do benefício por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita permaneça abaixo de R$ 706.

BOLSA FAMÍLIA

Bolsa Família é um programa social que proporciona renda à famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade social.

O objetivo é garantir condições dignas de vida aos mais necessitados, reduzir a pobreza e a desigualdade social no país.

As famílias beneficiárias recebem valores mensais que variam conforme a composição e a renda familiar. Para manter o benefício, é necessário que crianças e adolescentes estejam matriculados na escola e com frequência escolar adequada, além de cumprirem o calendário de vacinação e acompanhamento de saúde.

O programa foi criado pelo Governo Federal em 2003 e desde então vem contribuindo para a redução da extrema pobreza e para a melhoria de indicadores sociais no País.

No Pantanal

Maior porto de minério em MS vai duplicar capacidade

Expansão deve viabilizar o embarque de 15 milhões de toneladas de minério por ano

05/06/2026 08h00

Ilustração de como ficará a obra do porto depois de pronta

Ilustração de como ficará a obra do porto depois de pronta Divulgação

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A mineradora LHG Mining, da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, encaminhou projeto de expansão do Porto Gregório Curvo, que fica às margens do Rio Paraguai, para aumentar a capacidade de armazenamento de minério das atuais 700 mil toneladas por ano já licenciadas para 1,5 milhão de toneladas de capacidade estática.

Além disso, a proposta envolve viabilizar que a estrutura permita o embarque de 15 milhões de toneladas de minérios de ferro e manganês por ano. Para garantir essa reestruturação, é preciso uma nova autorização de órgãos ambientais.

O porto vem sendo operado com a licença de operação nº 220/2019, emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

A estrutura fica na margem esquerda do Rio Paraguai, na altura do km 2.628, no distrito de Porto Esperança, a cerca de 90 quilômetros da cidade de Corumbá.

Para conseguir a autorização dessas obras, é preciso que o projeto passe por audiência pública, agendada para ocorrer em Corumbá na quinta-feira, a partir das 18h.

MEDIDAS

As medidas que envolvem essa iniciativa e outras intervenções foram orçadas em R$ 1.911.513.680,00, conforme consta no projeto apresentado para discussão na audiência pública.

Para garantir a expansão das operações, também será necessária a implantação de estrutura ferroviária, sistema de virador de vagões, transportadoras de correias, um novo pátio de estocagem de produtos e um píer com sistema de embarque de minério.

Com essas cifras, o projeto está entre as grandes intervenções previstas para o Estado, mas ainda distante das construções das megafábricas de celulose na região leste, que têm investimentos a partir dos R$ 16 bilhões.

A definição de garantir escoamento da produção por meio fluvial vem sendo sustentada diante de questões ambientais.

“Foram estudadas alternativas tecnológicas para definição do tipo de transporte do minério produzido na mina, para seu escoamento. Foram comparados o transporte fluvial (barcaças), rodoviário e ferroviário, verificando-se aquele que emite menos gases de efeito estufa. A emissão para 15 mil toneladas/ano (em CgCO2e) corresponde para o meio rodoviário a 562, 433 para o ferroviário e 263 para as barcaças”, apontou relatório.

As medidas destacadas no relatório correspondem a gigagramas de equivalente de dióxido de carbono (CO2), ou GgCO2e, sendo 1 GgCO2e equivalente a mil toneladas de CO2.

Pelo cronograma de ações da empresa, principal mineradora em Mato Grosso do Sul, entre este ano e 2029 haverá a etapa de implantação, e a operação está prevista para acontecer a partir de 2029.

Porém, a viabilização da obra depende da autorização ambiental e vai atuar diretamente com alterações em áreas do Pantanal.

Para garantir que haja a interligação da área das instalações do pátio de estocagem, do peneiramento e da pera ferroviária com as instalações do píer, será preciso criar uma ponte de acesso por um corixo que separa as regiões.

Nessas intervenções ainda estão previstas remoção de vegetação em 66,52 hectares, terraplanagem e abertura de acessos para viabilizar a ponte que vai transpor o corixo.

O aterro previsto para a pera ferroviária vai necessitar de um volume aproximado de 1.505.167,38 m³ de terra, o que corresponde à movimentação de mais de 107 mil caminhões do tipo truck, que podem carregar até 14 m³. Para as outras estruturas previstas no projeto, o aterro será de 162.669,9 m³. 

VOLUME

A mineradora ainda sustentou que, com a autorização das obras, 1.642 trabalhadores vão atuar diretamente na terraplanagem e em obras civis, montagem eletromecânica, comissionamento, gerenciamento e na área operacional. 

“Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e ingressarão na pera ferroviária, onde passarão pelo virador de vagões para descarregamento automático dos vagões. Após descarregado, o minério seguirá para o pátio de estocagem por meio de transportadores de correia, onde estão previstas sete pilhas de estocagem de minério. A área de formação das pilhas será descoberta e, por isso, são previstas unidades aspersoras para controle de poeiras. Foram projetados 22 transportadores de correia (TC) para atender a pera ferroviária e o pátio de estocagem de minério”, especificou a empresa no projeto.

O projeto em análise ambiental reconheceu que a ampliação do porto pode influenciar na qualidade do ar, por conta da emissão de poeira e gases vindos de maquinários e veículos. 

“Os resultados indicaram, de forma geral, que o comportamento da dispersão da poeira é semelhante ao observado no cenário atual, com algumas variações que incluem o deslocamento das emissões para a direção contrária de Porto Esperança e a redução das concentrações de poeira na comunidade. Essa redução ocorre principalmente em função da substituição do transporte rodoviário de minério pelo transporte ferroviário”, ponderou.

A calha do Rio Paraguai também deve sofrer alterações em razão da dragagem. A medida sugerida pela LHG Mining antecipa, inclusive, discussões da concessão da hidrovia. Esse tipo de intervenção está prevista no processo de concessão, que ficou para 2027.

* Saiba 

Entre este ano e 2029 haverá a etapa de implantação, e a operação está prevista para acontecer a partir de 2029.

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