Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com a segunda menor taxa de desocupação entre as Unidades da Federação brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira (20), o Estado também atingiu o menor resultado da série histórica.
No 4º trimestre do ano passado, Mato Grosso do Sul tinha 2,29 milhões de pessoas em idade para trabalhar, 43 mil pessoas a mais que no mesmo período de 2024. Destas, 1,43 milhão estavam ocupadas e apenas 36 mil desocupadas.
Ou seja, a taxa de desocupação no Estado nos últimos três meses de 2025 foi estimada em 2,4%, uma queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior, atingindo o menor valor desde o início da pesquisa em 2012.
O resultado fez com que Mato Grosso do Sul subisse três posições no ranking entre as UFs, ocupando a segunda menor taxa de desocupação do Brasil, juntamente com Mato Grosso e Goiás, atrás somente de Santa Catarina, onde a taxa foi de 2,2%.
A média anual do Estado também caiu, passando de 3,9% em 2024 para 3,0% em 2025.
Em Campo Grande, a taxa de desocupados também teve queda. O resultado de 3,1% é menor que o registrado no terceiro trimestre de 2025 em 0,3% e0,6% maior em relação ao mesmo trimestre de 2024.
A taxa coloca a Capital no 4º lugar entre as capitais brasileiras com menores resultados. O resultado anual também caiu, passando de 3,7% para 3,1%.
Com relação ao número de empregados no Estado, a pesquisa mostrou uma estabilidade em comparação ao trimestre imediatamente anterior, se mantendo em 1,04 milhão.
Desses, 728 mil estão no setor privado, 219 mil no setor público e 90 mil são trabalhadores domésticos.
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o resultado é uma consequência de movimentos pontuais e estratégicos como o planejamento a longo prazo, um ambiente de negócios estável e com segurança jurídica, diversificação econômica, tendo como polos o agro, a bioenergia, a celulose, proteína animal e a indústria; um forte ciclo de investimentos privados e a integração logística e expansão de infraestrutura.
“O Estado consolida um modelo de desenvolvimento que combina crescimento econômico, geração de empregos e aumento de renda, com base na produtividade e na atração de grandes players globais. O desafio agora é avançar na qualificação profissional, ampliar a inserção de jovens e manter a competitividade diante do novo cenário internacional”, afirmou.
Rendimento
O valor de rendimento médio real mensal do trabalho principal em Mato Grosso do Sul foi de R$ 3.581, apresentando estabilidade em relação ao trimestre anterior, quando o valor ficou em R$ 3.482.
Considerando o rendimento do trabalho principal, o Estado tem o 9º maior rendimento médio habitualmente recebido entre os estados do Brasil. O maior valor foi registrado no DF (R$ 6.053,00), seguido do SP (R$ 4.221,00). O menor valor foi obtido no MA (R$ 2.078,00), seguido de BA (R$ 2.267,00).
Em comparação ao rendimento médio recebido pelos trabalhadores por sexo, os homens em Mato Grosso do Sul recebem R$ 4.094, enquanto as mulheres recebem R$ 3,175, uma diferença de 22,5%.
Ao que se refere à cor ou raça, a pesquisa mostrou que as pessoas que se declararam brancas recebem em média R$ 4.499,00 enquanto as que se declararam pardas recebem R$ 3.126,00 e as que se declararam pretas recebem R$ 3.162,00. Com isso, tem-se que população parda recebe cerca de mais de um terço (28,9%) a menos que a população branca do Estado.
Nacional
Em 2025, a taxa anual de desocupação no Brasil recuou 1,0% frente ao resultado em 2024, chegando a 5,6%. No quarto trimestre do ano passado, a taxa foi de 5,1%, uma redução significativa de 1,1% relativamente ao mesmo período do ano anterior.
Vinte unidades da federação atingiram a menor taxa anual de desocupação da série histórica da pesquisa.
“A mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionados pelo aumento do rendimento real. Contudo, a queda da desocupação mascara problemas estruturais: Norte e Nordeste mantêm informalidade e subutilização elevadas, evidenciando ocupações de baixa produtividade”, explica William Kratochwill, analista da pesquisa.


