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Ecoturismo em MS torna-se referência econômica e movimenta R$ 4 bilhões

Setor turístico de Mato Grosso do Sul está em franco crescimento e já responde por 4% do Produto Interno Bruto do Estado

Rodolfo César

21/05/2022 09:00

O turismo entra em uma classificação chamada de indústria limpa, e este setor econômico em Mato Grosso do Sul alcançou o patamar de representar 4% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) no Estado, avaliado em R$ 106 bilhões, com dados mais recentes de 2019.  

Dentro desse contexto, a atividade econômica alcançou em torno de R$ 4 bilhões e segue caminho para tentar se expandir neste novo cenário de pandemia mais amena e com espaço para mais turistas viajarem para diferentes destinos.

Os municípios que concentram essa movimentação econômica são Bonito e Corumbá. No primeiro caso, o turismo representa em torno de 60% do PIB local e é a principal atividade econômica.  

Na divisão que o setor permite fazer, o ecoturismo é a base mais forte encontrada em Bonito, que tem 22,4 mil habitantes, conforme dados do IBGE de 2021. 

O caso de Corumbá mescla o ecoturismo nas pousadas com o turismo de pesca esportiva. Em todos esses casos, o valor agregado dos produtos fornecidos é alto.

Outras duas cidades somam-se ao movimento da indústria limpa, mas com parcela menor na contribuição econômica. Nesse caso, Três Lagoas e Dourados são destinos mais voltados para o turismo empresarial, por conta das indústrias instaladas.

Esse contexto do setor em Mato Grosso do Sul foi apresentado durante o Seminário Internacional Inspira Ecoturismo, que ocorre em Bonito entre os dias 18 e 21 de maio. 

O Sebrae-MS promove o evento, que está reunindo atrativos turísticos e operadores de viagem locais, nacionais e de outros países, como Chile, Estados Unidos, Portugal e Espanha.

O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Bruno Wendling, explicou que há um estudo em andamento para permitir que tanto o poder público como o setor privado identifiquem dados estratégicos do setor.  

“O ecoturismo é o principal segmento do turismo no Estado, com a pesca esportiva. Estamos fazendo um estudo de matriz, insumo e produto e devemos concluir em breve. Temos que 4% de todo o PIB de Mato Grosso do Sul é produzido pelo turismo. Boa parte [dessa porcentagem] vem de Bonito, também das pousadas de Corumbá. Depois temos o turismo de negócios em Três Lagoas e Dourados. É um impacto importante, e estamos na média do Brasil”, detalhou Wendling, durante a entrevista coletiva que concedeu no Seminário Inspira Ecoturismo.

Ele acrescentou que, ao longo dos anos, o setor privado e público passou a compreender que o Estado tem potencial para se tornar um destino particular, que não necessariamente vai atrair milhões de turistas, mas que conseguirá engajar viajantes interessados em natureza. Nessa modalidade, o valor agregado é maior.

Além disso, os atuais destinos, como Bonito e Corumbá, possuem potencial para crescer. Esse aumento de público precisa ser balanceado, em se tratando de ecoturismo, porque os atrativos possuem limite de capacidade para se manterem sustentáveis.  

“Não somos um destino de massa, queremos é aumentar as taxas de ocupação e manter um alto nível de entrega. Aqui em Bonito é possível aumentar até 40% a taxa de ocupação sem impactar diretamente os atrativos”, defendeu Wendling.