Economia

Pesquisa

Três universidades de MS aparecem entre as mais empreendedoras do Brasil

A UFMS ficou em 11º lugar no ranking nacional e em 2º lugar no recorte por região. UFGD e a UEMS também apareceram na lista

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Três universidades públicas de Mato Grosso do Sul aparecem em destaque no Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras (IESE) 2025, estudo da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) sobre as instituições de ensino superior mais empreendedoras do país.

Foram pesquisadas 92 universidades e ouvidos 34 mil estudantes de todas as regiões do Brasil.

O estudo reúne pesquisas de percepção discente e recortes por dimensão, como cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro, mostrando como universidades e institutos federais de todo o Brasil se estruturam para estimular o empreendedorismo, inovação, extensão e protagonismo estudantil.

No ranking nacional, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) aparece em 11º lugar no ranking. O Estado também tem a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em 35º, e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em 44º.

Já no recorte regional, a UFMS aparece em 2º lugar entre as mais bem avaliadas da região Centro-Oeste, a UFGD em 4º e a UEMS em 6º. 

Ranking regional / Fonte: IESE

Entre as informações coletadas para a elaboração dos rankings, estão avaliações dos estudantes sobre a infraestrutura da universidade, empreendedorismo, a postura empreendedora discente e docente, matriz curricular e a adesão e permanência de alunos na universidade. 

Para a reitora da UFMS, Camila Ítavo, a colocação da universidade reforça a importância de fortalecer a cultura empreendedora dentro da UFMS. 

“Na UFMS, o empreendedorismo é entendido como parte da formação acadêmica, estimulando a inovação, o pensamento crítico e o protagonismo dos estudantes. Parabenizo especialmente as equipes envolvidas, as empresas juniores e todos os estudantes, docentes e técnicos que constroem diariamente este ecossistema, transformando conhecimento em soluções com impacto para a sociedade”, destacou. 

A UFMS possui o programa UFMS Júnior, para fortalecer o empreendedorismo entre os estudantes da Universidade, que podem adquirir experiências no mercado de trabalho. 

Atualmente, o programa é composto por 20 empresas juniores reconhecidas de diversos cursos de graduação vinculados à UFMS de Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Três Lagoas e do Pantanal. 

“Mesmo um servidor público, quando tem a cultura empreendedora incorporada, consegue desempenhar suas funções de uma maneira muito mais benéfica. O mesmo acontece com quem atua como contratado ou CLT em uma empresa privada. Desenvolver essa competência contribui diretamente para o crescimento da sociedade”, afirmou o diretor da Agência de Inovação da UFMS, Saulo Moreira. 

Hoje, o programa Brasil Júnior possui mais de 28 mil jovens empreendedores de 1,6 mil empresas juniores distribuídas em todo o País.

O Top 10 nacional foi composto pelas seguintes universidades: 

  1. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
  2. Universidade de São Paulo (USP)
  3. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  4. Universidade Federal de Itajubá (Unifei)
  5. Universidade Federal de Viçosa (UFV)
  6. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  7. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
  8. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
  9. Universidade do Vale do Taquari (Univates)
  10. Universidade de Brasília (UnB)

“Mais do que mostrar posições, o IESE ajuda a tornar mais visível o impacto que a educação empreendedora pode gerar dentro e fora das instituições. Quando a gente olha para esses resultados, o que aparece não é só desempenho, mas a capacidade de formar jovens com repertório para transformar realidades, propor soluções e contribuir de forma concreta com o desenvolvimento do país”, disse Vithória Rodrigues, presidente executiva da Brasil Júnior.


 

INFLAÇÃO

Meta de inflação de 3% é possível, mas ainda gera debate sobre sustentabilidade

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu que a meta de inflação do Brasil é compatível com a dos seus pares, mas questionou a necessidade de taxas de juros tão elevadas no País

15/03/2026 21h00

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%,

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%, Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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O Brasil convive com a mesma meta de inflação que seus pares emergentes latinos - México, Colômbia e Chile - mas mantém as maiores taxas de juros, ainda que esteja à beira de um processo de flexibilização monetária. Questões históricas, estruturais e de curto prazo da economia brasileira ajudam a explicar o juro elevado, mas economistas consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) ainda colocam em debate a sustentabilidade do alvo de inflação em 3% no desenho do País.

Em evento do BTG Pactual no mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu que a meta de inflação do Brasil é compatível com a dos seus pares, mas questionou a necessidade de taxas de juros tão elevadas no País, em 15% ao ano, quando comparado a México (7%), Colômbia (10,25%) e Chile (4,5%).

Uma economia com a maior pressão de dívida pública entre seus pares, uma taxa de juro neutra historicamente elevada, e expectativas de inflação - tanto corrente quanto futuras - ainda desancoradas ajudam a explicar o porquê de uma taxa de juros nominal em 15% no Brasil, segundo os analistas, que defendem um maior esforço no controle das contas públicas.

Mesmo que o nível do juro seja o maior entre os seus pares, o economista para América Latina do Citi, Ernesto Revilla, considera que o BC brasileiro tem tido mais sucesso entre seus pares na missão de atingir a meta de 3%. No horizonte relevante, no terceiro trimestre de 2027, o BCB projeta inflação em 3,2%.

"México e Colômbia, por exemplo, podem ter a mesma meta, mas os bancos centrais desses países estão relutantes em realmente reduzir a inflação até a meta. Diria que o BCB é mais respeitado por sua comunicação e análise técnica quando comparado aos bancos centrais do México e Colômbia", avalia.

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%, "compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade".

O debate sobre uma eventual mudança na meta em um momento em que as expectativas de inflação estão desancoradas, porém, não seria a melhor ideia, segundo os economistas.

"Nunca é uma boa ideia discutir isso quando você está acima da meta, porque parece que está mudando as regras do jogo", diz Revilla.

Ele reconhece, porém, que é um tema que vale a pena ser revisitado após um processo de ganho de credibilidade.

Na mesma linha, o professor do Insper Marcelo Kfoury Moinhos considera que a meta de 3% no País é "ambiciosa" e concorda que uma mudança seria "contraproducente". Mas pondera que, ainda que o alvo fosse maior - de 4%, por exemplo, a dinâmica nos juros não seria tão diferente. "Vimos que a desaceleração da economia foi pequena frente ao nível do juro, por exemplo", observa.

Fiscal

Ex-diretor de Política Econômica do BC e professor da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Werlang, defende há tempos uma meta de inflação maior para o desenho da economia brasileira, mas pondera que isso só será possível com um ajuste do lado fiscal. Werlang lembra que os pares latinos não têm o mesmo grau de indexação de gastos frente ao Orçamento brasileiro. "Se esses países conseguem conviver com uma meta de 3%, o Brasil talvez precise conviver com uma meta um pouco mais alta", afirma.

Uma reforma na estrutura de gastos públicos deve ser o principal desafio a ser enfrentado para novos desenhos da inflação no Brasil, segundo o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani

Ele também chama atenção para o momento atual, em que o BC passa por um processo de consolidação da credibilidade. "Quando alcançar o alvo de 3% e ancorar as expectativas, vale a pena o debate estrutural para uma eventual mudança", complementa.

Kfoury, do Insper, ainda considera que a potência da política monetária, sozinha, têm se mostrado insuficiente para uma ancoragem das expectativas de inflação. "Uma hipótese é a má coordenação com a política fiscal. É como estar com o acelerador em um pé e o freio no outro - o carro derrapa."

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Agro

Expansão da soja coloca Mato Grosso do Sul ente os destaques da safra brasileira

Segundo levantamento do IBGE, o Estado aparece como um dos maiores em crescimento proporcional na produção do grão

15/03/2026 10h50

Soja segue sendo o carro chefe da produção agrícola de MS

Soja segue sendo o carro chefe da produção agrícola de MS FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A produção de soja em Mato Grosso do Sul deve registrar crescimento na safra 2026, consolidando o Estado como um dos principais polos agrícolas do País.

A estimativa faz parte do levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que projeta um aumento na produção da oleaginosa no Brasil e indica avanço também na produção sul-mato-grossense. 

Segundo o Instituto, a safra brasileira de grãos, que inclui cereais, leguminosas e oleaginosas, deve alcançar 344,1 milhões de toneladas em 2026. Entre os principais produtos estão a soja, o milho e o arroz, representando, juntos, a maior parte da produção agrícola do Brasil. 

Dentro deste cenário, a soja continua sendo a principal cultura agrícola brasileira. A estimativa do IBGE aponta que a produção nacional do grão deve atingir 173,3 milhões de toneladas neste ano, um crescimento de 4,3% em relação à safra de 2025. 

No parâmetro regional, Mato Grosso do Sul aparece como um dos estados com maior avanço proporcional na produção. 

A estimativa é que o Estado deve colher cerca de 15 milhões de toneladas de soja em 2026, um crescimento de 14% em relação à safra passada. Com isso, Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição no ranking brasileiro entre os produtores do País, respondendo por cerca de 7,6% da produção nacional de grãos. 

Expansão

Essa expansão da soja impacta diretamente a economia sul-mato-grossense, principalmente nas regiões agrícolas do interior, onde a cultura domina grande parte das áreas de plantio. 

O aumento da produção também impulsiona outras cadeias do agronegócio como o transporte, armazenagem e exportação. 

Além disso, a soja costuma determinar o ritmo da segunda safra do milho, já que a colheita da soja libera as áreas agrícolas para o plantio do cereal. 

A colheita da safra 2025/2026 já está em andamento em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, até fevereiro, cerca de 27,7% da área cultivada já havia sido colhida, o que corresponde a, aproximadamente, 1,3 milhão de hectares. 

A expectativa é que o avanço da colheita e as condições climáticas ao longo do ano confirmem as projeções de crescimento da produção. 

Chuvas irregulares

A irregularidade das chuvas, marcada por períodos de estiagem seguidos por grandes acúmulos, tem provocado impactos em áreas agrícolas no Estado, especialmente nas lavouras de soja. Isso pode desencadear problemas como o déficit de água no solo, dificuldade no desenvolvimento das plantas e redução da produção agrícola.  

De acordo com um levantamento divulgado pelo Inmet, a distribuição desigual das precipitações tem interferido no desenvolvimento das lavouras, principalmente na fase final da soja plantada mais tardiamente, um período considerado decisivo para a formação dos grãos. 

Nesse estágio de cultura, são definidos fatores importantes para a produtividade, como o número de grãos por vagem e o peso dos grãos, prejudicado pelas redução de chuvas combinadas com as altas temperaturas. 

Nas regiões Sul e Sudoeste, onde o déficit tem sido mais frequente, há uma estimativa de perda de produtividade de até 35% até o fim do mês, segundo projeções do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro). 

As condições climáticas também afetam o início da segunda safra de grãos, principalmente o milho e o sorgo. No sul do Estado, o plantio do milho safrinha já está mais avançado, mas o desenvolvimento inicial das plantas depende da ocorrência de novas chuvas para garantir a boa germinação. 

Já nas áreas do Centro-Norte e do Pantanal, a previsão aponta volumes de chuvas maiores nos próximos dias, o que pode favorecer a manutenção da umidade do solo e o avanço das lavouras. 

Cultivo de grãos pode bater recorde

A produção da safra 25/26 de grãos em Mato Grosso do Sul deve atingir 29,3 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 2,7% em relação à safra passada. 

É o que mostram os dados do 4º Levantamento de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em janeiro deste ano.

Esse volume supera o valor anunciado no mês de outubro de 2025, que era de uma estimativa de 28,7 milhões. Esse valor já registrava um novo recorde na produção de grãos do Estado, superando o marco anterior, em 2022/2023, quando foram produzidas 27,1 milhões de toneladas. 

Com a expectativa de 29,3 milhões de toneladas, o Estado deve atingir o maior valor de grãos já produzido na história. 

Esse feito deve-se à união de fatores favoráveis em MS, como a expansão de áreas cultivadas no Estado, aliado aos avanços tecnológicos e condições climáticas favoráveis previstas para o ciclo 25/26.

O crescimento da área plantada no Estado deve aumentar 5,6%, passando de 6,6 milhões de hectares para 7 milhões, um aumento de 5,6% na área total. Essa expansão coloca Mato Grosso do Sul entre as unidades federativas com maior aumento de área para plantação do Brasil. 

 

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