Era um pequeno grupo, que não passava de cinquenta pessoas. Mas diante de uma torcida dispersa em meio a uma multidão de paraguaios, tornou-se o mais representativo entre os brasileiros com contestações ao técnico Mano Menezes e manifestações mais de pressão do que de apoio à Seleção Brasileira no empate por 2 a 2 com o Paraguai no último sábado, em Córdoba.
Se Mano teve a complacência dos torcedores em seus primeiros jogos à frente do Brasil, neste início de Copa América a situação mudou. A escalação de Jadson como titular rendeu xingamentos ao técnico quando o meia errou uma sequência de passes e o futebol fraco provocou gritos tímidos de "burro".
A primeira contestação das arquibancadas diretas ao treinador foi tratada de forma natural. Mano pediu mais paciência com um time ainda formação e avisou que as oscilações vão marcar o início de seu trabalho na Seleção.
"O torcedor brasileiro é extremamente inteligente para saber o momento que estamos atravessando, de um novo trabalho. Vai gerar instabilidade. A equipe vai oscilar durante um período e, em uma competição dura como é a Copa América, a probabilidade disso acontecer é maior. Ainda não estamos tão bem quanto queremos estar logo ali na frente", afirmou.
Antes do jogo contra o Paraguai, a Seleção ouviu vaias contra a Holanda e Romênia, gritos de "timinho", mas sem nenhuma referência direta a Mano. Neste sábado, além da contestação ao treinador, este pequeno grupo pediu insistentemente Lucas e ironicamente Marta, a camisa 10 da Seleção que disputa o Mundial feminino na Alemanha.
"Peço um pouco de paciência porque você quer ver um jogador, especificamente como foi o caso de hoje em determinados momentos, mas não justifica vaiar ou cobrar por querer outro nome naquela posição", afirmou Mano em uma clara referência ao meia-atacante Lucas.
O ruído incomodou o treinador, que, na hora do gol de Jadson, virou-se para a torcida barulhenta e pediu aplausos. Anteriormente, mais precisamente após o duelo contra a Holanda, Mano criou polêmica ao dizer que o torcedor brasileiro precisava ser educado a torcer até a Copa do Mundo de 2014.
Defensores del Chaco
A grande presença de paraguaios em Córdoba fez Mano considerar a partida como se fosse fora de casa. "Jogamos de visitante. A torcida era mais de paraguaios e foi como se saíssemos para jogar nas Eliminatórias. Empatar no Defensores del Chaco (Estádio de Assunção) por 2 a 2 cai o mundo? Não. Foi muito abaixo esse nosso resultado? Não", completou.