O presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Francisco Cezário de Oliveira, participou no início desta semana da Assembleia Geral da Confederação Brasileira de Futebol e ajudou na aprovação de contas da entidade que comanda o futebol brasileiro, mesmo com as denúncias de superfaturamento na compra do imóvel que atualmente abriga a CBF, no Rio de Janeiro.
Segundo denúncias feitas pelo jornal Folha de S. Paulo, mesmo com documentos apontando o superfaturamento na compra do prédio por R$ 70 milhões em 2012, Cezário e outros 26 dirigentes estaduais aceitaram os argumentos do presidente da CBF, José Maria Marin, que iniciou a assembleia dando explicações sobre seus últimos atos.
Segundo reportagem da Folha, Marin anunciou a compra de um prédio, com oito salas comerciais, no dia 27 de junho, mas só assinou a aquisição no dia 31 de agosto. Nesse período, cinco das oito salas foram vendidas a intermediários por R$ 12 milhões e, depois, repassadas para a CBF por R$ 43 milhões. As outras três salas foram vendidas diretamente à entidade por R$ 27 milhões. Durante a assembleia, em um hotel no Rio de Janeiro, Marin apresentou ainda avaliações de três consultorias, que comprovariam que os R$ 70 milhões estão no padrão do mercado. Diante da explicação, os presidentes de federações aprovaram a compra e as contas da CBF.
“Mensalinho”
Desde os tempos em que Ricardo Teixeira comandava a CBF, as federações estaduais recebem uma espécie de “mensalinho”, que começou com R$ 8 mil e atualmente está na casa das R$ 50 mil mensais (isso para as federações com pouca representatividade no futebol nacional, como é o caso de Mato Grosso do Sul), segundo o colunista da Folha e do portal UOL, Juca Kfouri.
Segundo o colunista publicou na noite do último domingo, a situação na assembleia desta semana foi ainda mais agravante, pois os dirigentes estaduais receberam um “presente” antes da aprovação das contas. “Foi agitada a sexta-feira na CBF. A tesouraria trabalhou até mais tarde para preparar os 27 cheques que, espera-se, adocicarão os presidentes das federações... Os cheques variam de R$ 100 mil a R$ 400 mil quando, em média, a mesada para cada federação é de R$ 50 mil”.
De todos os presidentes de federações estaduais, apenas o de Minas Gerais, Paulo Schettino, não compareceu ao evento no Rio de Janeiro, alegando problemas particulares e de saúde.
Procurado para falar sobre sua participação na assembleia e as denúncias do jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Federação de Futebol de MS, Francisco Cezário não atendeu o telefone e nem retornou as ligações.