Uma insubordinação de Vanderlei Luxemburgo foi o último ato do treinador que incomodou a direção gremista. O técnico não aceitou receber um recado de que Welliton ficaria de fora do jogo-treino do último sábado, contra o Caxias, que marcou a demissão do técnico. Só que o comandante se negou a aceitar e pediu para que o presidente Fábio Koff fizesse o aviso diretamente a ele. Uma discussão aconteceu e o mandatário gremista optou pela saída do comandante, somando este fato a outros já ocorridos.
Welliton está emprestado pelo Spartak Moscou, mas os russos comunicaram ao Grêmio que estão negociando o jogador. No contrato de empréstimo, há uma cláusula que libera o atacante em caso de proposta para o clube de origem. Chitolina alertou Luxemburgo, que não gostou.
Welliton foi um dos únicos não utilizados por Roger - outro foi o volante Adriano, ainda com desconforto físico. O assessor de futebol, Marcos Chitolina, não quis comentar a discussão, mas admitiu que pediu para que o técnico não utilizasse o jogador. Em outras oportunidades, Luxemburgo já havia demonstrado não compactuar com as ideias de futebol de Chitolina.
"Não vou falar de apenas um fato. O Luxemburgo deixou o Grêmio por uma série de fatores, não foi algo pontual. Não gostaria de falar nada sobre esse assunto. O Welliton recebeu uma proposta e o Spartak avisou que poderia negociá-lo. É algo que ainda não andou, mas pode caminhar novamente a partir de segunda-feira. Eu avisei o treinador que ele não poderia contar com o atacante”, contou Marcos Chitolina.
Os outros fatores citados por Chitolina e que foram contabilizados pela direção são diversos. Por exemplo, a necessidade de levar o elenco gremista para treinar longe de Porto Alegre durante a intertemporada, no recesso do Brasileirão. Luxa queria Londrina, Atibaia ou Foz do Iguaçu. Não levou. A diretoria o convenceu a deixar os atletas na capital gaúcha, utilizando a estrutura do Olímpico, para uma contenção de gastos.
A insatisfação com o trabalho do técnico também já rondava o presidente - e Luxemburgo sabia. Diversos dirigentes políticos e assessores queriam a saída do treinador. O próprio presidente Fábio Koff afirmou que, com mais tempo, ganhou relatos sobre o trabalho do treinador no campo, que pesaram na escolha.
Amigos de Koff o pressionavam por uma mudança, principalmente após a eliminação na Libertadores. Luxemburgo falou abertamente sobre o “fogo amigo” após o empate com o São Paulo, na Arena. Disse que sabia quem eram os dirigentes, mas que não valia a pena citá-los. Além disso, sempre tentou ter uma relação direta com o presidente Fábio Koff, assim como fez em todos os clubes que passou: era amigo pessoal e cabo eleitoral de Patrícia Amorim no Flamengo e Marcelo Teixeira no Santos.