O governo entrou em campo e conseguiu barrar a instalação de CPI (Comissão Parlamentar Inquérito) no Senado para investigar a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Por orientação do Palácio do Planalto e da CBF, nove senadores retiraram as assinaturas do pedido de criação da CPI -na prática, a medida impede que ela seja criada.
Pelas regras do Senado, a comissão de inquérito precisa do apoio de pelo menos 27 senadores para ser instalada. O senador Mário Couto (PSDB-PA), autor do pedido, reuniu 34 assinaturas -mas apenas 25 mantiveram o apoio depois da "operação abafa" deflagrada pelo governo.
O Palácio do Planalto e a CBF não querem as investigações devido à proximidade da Copa-2014, especialmente porque Couto quer apurar os gastos em obras de infraestrutura realizadas pelo governo para o mundial de futebol -além de irregularidades e superfaturamento na construção de estádios.
Irritado, Couto bateu boca no plenário do Senado com o senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro, que foi acusado de fazer lobby pela retirada de apoio de à CPI.
"É deprimente que muitos senadores não saibam de suas atribuições. Eu quero divulgar o nome de um por um desses senadores. Não pense o presidente da CBF que vou ficar alheio à vontade do povo", disse.
Perrella admitiu que atendeu pedido do presidente da CBF, José Maria Marin. "Eu não tenho vergonha de dizer que sou [amigo de Marin], senador Mário Couto. Recebi, sim, o telefonema dele. Eu liguei para ele me propondo a fazer isso. Eu sou muito homem, o senhor não me conhece. Me respeite, por favor", afirmou.
Perrella negou que tenha recebido pedidos do Palácio do Planalto contra a CPI, embora líderes governistas tenham pressionado aliados da presidente Dilma Rousseff a não apoiarem a sua criação.
No bate-boca, Couto disse que Perrella "passou a noite bisbilhotando senadores para retirarem assinaturas" e não merece "respeito" dos demais congressistas.
O tucano disse que, sem a CPI, vai acionar o Ministério Público Federal para investigar a CBF. Couto também prometeu recomeçar a coleta de assinaturas numa nova tentativa para instalar a comissão de inquérito. "Não desisto. Dane-se o Senado. O Senado não quer, dane-se o Senado."
Nomes
Couto cumpriu a promessa e divulgou os nomes dos nove senadores que retiraram o apoio à criação da CPI: Ivo Cassol (PP-RO), Lobão Filho (PMDB-MA), Wilder Morais (DEM-GO), João Alberto (PMDB-MA), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Clésio Andrade (PMDB-MG), Cícero Lucena (PSDB-PB), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Paulo Davim (PV-RN).
Couto pediu a criação da CPI na semana passada, com o objetivo de apurar o uso abusivo de poder econômico nas eleições da CBF desde o ano 2000 -com foco nas gestões do ex-presidente da instituição Ricardo Teixeira.
Ele queria investigar denúncias de que a CBF oferece dinheiro para que as federações estaduais de futebol elejam sua cúpula.