Enquanto a Polícia Civil do Paraná indentifica os torcedores do Atlético-PR que se envolveram na briga da Arena Joinville, o jornal "Zero Hora", do Rio Grande do Sul, publicou como funcionava a relação entre Grêmio e torcidas organizadas. Na edição de ontem, o diário gaúcho trouxe a seguinte manchete: "Dinheiro farto para organizada".
O repórter Paulo Germano teve acesso a vários documentos da época em que Paulo Odone presidia o clube gremista, entre 19 de janeiro de 2011 e 21 de dezembro de 2012. Neste período, o Grêmio repassou às organizadas, especialmente à Geral, R$ 1,1 milhão. O apresentador do Redação SporTV, André Rizek, comentou a notícia.
“Os clubes com várias dívidas, muitas vezes atrasando salário e o Grêmio repassou, repito, mais de um milhão de reais para as torcidas organizadas, só entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012. Fosse só isso que traz a "Zero Hora", já seria importante para a reflexão, mas tem mais”, observou Rizek.
Ainda de acordo com o diário do Rio Grande do Sul, a utilização do dinheiro, principalmente na torcida 'Geral', fez com que muitos integrantes passassem a viver se sustentando da grana recebida pela diretoria do tricolor gaúcho.
O próprio Paulo Odone, na entrevista que concede à "Zero Hora", deixa bem claro que passava o dinheiro e não sabia como era utilizado. O jornal revela que o clube repassou 19 mil reais para um jogo contra o Atlético-MG. Daria para fretar dois ônibus, mas apenas cinco integrantes viajaram, de avião. Não se sabe o que foi feito com o restante do dinheiro.
Carlos Eduardo Éboli, da Rádio CBN, questionou se os integrantes das torcidas organizadas, que estão sempre viajando para acompanhar seus times, possuem trabalho.
“ Para um torcedor que acompanha a sua equipe na Primeira Divisão com viagens, sobra apenas a terça-feira e a sexta para ele trabalhar. Mas também tem que descansar depois de tantas viagens e jogos. Não consegui encontrar um trabalho que pague tão bem assim para o cara trabalhar apenas dois dias da semana. Agora descobri: torcedor profissional. Por isso defendo a punição severa aos clubes. Enquanto houver essa relação promíscua, e os clubes financiam esse crime organizado, não podem deixar de ser punido. Até que se essa relação se acabe”, comentou Éboli.
O jornalista, durante participação no "Redação SporTV", também abordou a iniciativa do Vasco da Gama de entrar na justiça para reverter os pontos da derrota para o Atlético-PR, por 5 a 1, em Joinville, na última rodada do Brasileirão 2013.
“Me causa espanto quando vejo o Vasco movendo essa ação, tentando a impugnação do jogo, quando o clube foi um co-responsável para que o jogo terminasse em pancadaria, uma vez que financiou a torcida que lá estava, já que os integrantes viajaram com o dinheiro do Vasco”, afirmou.