O líder espiritual dos muçulmanos na Bahia, Sheikh Abdul Ahmad, visitou o Centro Aberto de Mídia da Bahia nesta terça-feira (24.06), onde conversou com a imprensa sobre as expectativas com a Copa do Mundo. O muçulmano revelou torcer para que o Brasil conquiste o hexacampeonato em casa.
"Quero que o Brasil ganhe esta Copa. Estou torcendo muito para isso. Mas caso não seja possível, vou torcer para a Nigéria, que é o meu país”, afirmou. A seleção africana enfrenta a Argentina nesta tarde, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, em busca de classificação para as oitavas-de-final.
O sheik também destacou que o Mundial é uma oportunidade para que o público tenha acesso à cultura desses povos. "Os jogos mundiais são importantes não para ganhar troféus. Para nós, é mais do que isso. Por meio destes campeonatos, nossa cultura passa a ser mais divulgada, nossos países ficam mais conhecidos”.
O líder espiritual preferiu não comentar sobre a partida entre Bósnia-Herzegovina e Irã, na Arena Fonte Nova, que envolve dois países não-árabes, mas de populações majoritariamente muçulmanas. Contudo, ressaltou o clima de confraternização entre os povos proporcionado pela Copa. “O jogo também serve para mostrar que todas as nações podem conviver em paz. É isso que o Islã defende", enfatiza.
O Sheikh Abdul Ahmad condenou os pequenos grupos extremistas da Nigéria, a exemplo do Boko Haram, que sequestrou 200 meninas em idade escolar em abril deste ano. “Eles dizem que são islamitas, mas na verdade nem conhecem o ‘Alcorão’, livro sagrado do islã. O islamismo não aprova o que eles fizeram. O islamismo prega a paz entre os homens, entre as nações, entre as religiões", afirma.
Ramadã
Cerca de 500 muçulmanos de várias origens - principalmente brasileiros, árabes e africanos - vivem atualmente na Bahia. A comunidade está em preparação para o Ramadã, mês sagrado dos islâmicos, que começa neste sábado (28.06) pelo calendário ocidental. Segundo o líder espiritual, os muçulmanos que vivem no estado não têm qualquer problema para praticar a religião.
“Aqui todos vivem em paz e são respeitados. Isso é muito bom, e, é o que desejamos para todo o mundo. No Brasil, católicos, cristãos, muçulmanos e adeptos ao candomblé convivem de maneira pacífica. Um respeita a crença do outro porque entende que ninguém é obrigado a ter a mesma religião", afirma.
Todas as sextas-feiras, integrantes da comunidade muçulmana se reúnem para a oração sagrada, que começa às 12h30. O encontro acontece no Centro Cultural Islâmico da Bahia (CCIB), na Rua Dom Bosco, nº 190, no bairro de Nazaré.
O CCIB é aberto de segunda a sábado, das 8h às 16h. Aos sábados, acontecem aulas de educação e costumes da tradição islâmica ministradas pelo Sheik. O Centro também dispõe de biblioteca com livros e artigos sobre o islamismo aberta ao público.
Revolta dos Malês
Os primeiros muçulmanos que chegaram à Bahia eram escravos africanos, chamados ‘malês’. Em janeiro de 1835 participaram da Revolta dos Malês, que pretendia implantar um governo islamita no Recôncavo. A derrota dos muçulmanos resultou em perseguição, quando alguns foram deportados e outros enforcados. Entre os principais líderes do movimento estavam Manoel Calafate, Luís Sanim e Elesbão do Carmo.
Fonte: Portal da Copa 2014