Desde 2008, quando o Palmeiras fez uma parceria com a Traffic - e conquistou o Campeonato Paulista -, o torcedor alviverde não começava uma temporada tão empolgado. Já foram 14 contratações - além de um novo treinador -, e tudo isso em meio a crises políticas e financeiras nos três principais rivais do estado.
A reviravolta no Verdão - de quase rebaixado no Brasileiro a badalado pela quantidade de reforços que desembarcam na Academia de Futebol - tem nome, sobrenome e já ganhou apelido: Alexandre Mattos, ou "Alexandre Mittos", com direito a montagens e perfis satíricos nas redes sociais.
Em pouco tempo de trabalho, o novo diretor de futebol, que chegou respaldado pelo bicampeonato brasileiro com o Cruzeiro, conseguiu implantar seu estilo. Com credibilidade no meio, atraiu empresários e jogadores do naipe de Zé Roberto. E, em silêncio, sem alarde, costurou a principal contratação do futebol paulista até o momento: Dudu, batendo os concorrentes São Paulo e Corinthians.
Foram 14 reforços e mais de uma dúzia de jogadores dispensados. O Palmeiras pagava caro para ter na folha salarial jogadores como Bruno César, Lúcio, Eguren, Victorino e, principalmente, Wesley. A maioria dos reforços que chegam ao Verdão vêm por empréstimo (Rafael Marques, Victor Ramos, Alan Patrick, Kelvin, Andrei Girotto, Gabriel), cedidos por empresários e clubes dispostos a verem seus atletas sendo valorizados no projeto de Mattos. E o melhor: com salários abaixo do que ganhava o elenco quase rebaixado.
Um empresário que atuou numa das negociações com o Palmeiras neste início de ano resumiu desta forma a mudança no clube:
– Agora tudo é definido muito rápido. Nem parece o Palmeiras! Antigamente as coisas se arrastavam, com um monte de gente que não mandava nada. Agora vem o Alexandre e tudo é definido rapidamente.
Com que dinheiro? Com o do próprio clube. O presidente Paulo Nobre passou seu primeiro mandato lamentando a falta de caixa, já que todas as receitas haviam sido antecipadas pelos seus antecessores. Ele mesmo precisou pegar dinheiro emprestado no seu próprio nome para pagar dívidas (foram mais de R$ 100 milhões, a serem devolvidos a ele em dez anos, a partir de maio).
Hoje, com a casa em ordem, o dinheiro (de direitos de TV, por exemplo) cai na conta e pode ser revertido em investimento. É isso o que está acontecendo agora. Traduzindo para o leitor não familiarizado com termos financeiros: antes, o Palmeiras não tinha direito nem a usar o cheque especial. Agora, o dinheiro entra, fica e a diretoria escolhe onde investir. Simples assim.
Está pouco de notícia boa neste início de ano? Manda mais! Há a expectativa de que um patrocínio seja fechado nos próximos dias. Trata-se de uma antiga promessa de campanha de Paulo Nobre, que passou todo seu primeiro mandato sem conseguir um parceiro.
O presidente palmeirense se esforça para conter a empolgação. Sorrindo para a câmera, pede "calma" ao torcedor. E, claro, enche Alexandre Mattos de elogios.