Esportes

HANDEBOL

Seleção volta ao Mundial para se firmar como potência

Bicampeonato mundial eleva Brasil ao posto de forte candidato à inédita medalha no Rio 2016

Redação

05/12/2015 - 15h04

Há dois anos, a Seleção feminina de handebol fazia história. No dia 22 de dezembro de 2013, final do Mundial da Sérvia, viu-se o desfecho de uma longa caminhada, marcada pela dedicação, luta e superação. O grupo de Morten Soubak ignorou as 20 mil vozes sérvias nas arquibancadas para vencer a poderosa anfitriã e pintar de dourado a primeira medalha do Brasil na modalidade — de maneira invicta. Dois anos depois, as atletas brasileiras voltam à quadra para defender o título, desta vez com peso extra sobre os ombros: se firmar no papel de potência da modalidade.

O palco, nesta edição, será a Dinamarca, terra natal do treinador que levou as brasileiras ao ouro. Morten realizou testes e optou por seis mudanças em relação à escalação de 2013. As novidades ficam por conta da ponta direita Jéssica Quintino, cortada por lesão às vésperas do Mundial da Sérvia, além da ponta-esquerda Larissa Araújo, a central Francielle da Rocha, a pivô Tamires Morena, a jovem armadora-direita Bruna de Paula e a ponta-direita Célia Costa.

As surpresas podem ser essenciais ao sucesso brasileiro, já que, desde o título, a formação verde e amarela passou a ser vista como time a ser batido — e virou alvo de estudos ainda mais profundos por parte dos rivais. Contudo, o comandante manteve a base e conta com uma equipe bem entrosada e preparada, que participou de treinamentos na Europa para identificar e consertar as deficiências. Mas o grande segredo para tentar manter o topo, na visão da capitã Dara, foi a atenção aos detalhes.

“O título é nosso, para nós não existe motivação maior. Sabemos obviamente que não será fácil, muito pelo contrário. Será, a meu ver, mais difícil que em 2013, mas já cruzamos as barreiras do que é ser campeão. Agora tudo é detalhe, o mais mínimo fará a diferença. O Morten já nos passou o quanto será difícil — e também o quanto é possível — a gente brindar com outro título. São muitas as equipes que podem chegar ao pódio e o Brasil é, sem dúvida, uma delas. Mataremos um leão por dia”, avaliou a pivô à Gazeta Esportiva. 

Vontade e motivação não faltam. Além da expectativa de conquistar o bi mundial, as atletas contam com uma força extra de Morten, que procura investir nas preleções. Antes da final de 2013, o técnico dinamarquês reuniu a equipe no vestiário e distribuiu medalhas de prata. “A Sérvia está com o ouro na mão. Toda a torcida lá fora espera que eles sejam campeões. Vocês estão com medo delas! Estão satisfeitas com essa medalha aí?”, gritou o técnico, para então exibir uma medalha de ouro e desafiar suas comandadas. “É essa que vocês querem? Estão com medo. Ninguém chega para tirar essa aqui de mim”, provocou.

A estreia do Brasil será neste sábado, às 17h30 (de Brasília), contra a Coreia do Sul. O estilo de jogo das asiáticas, campeãs de 1995, é fundamentado pela velocidade no ataque e agressividade na defesa. para compensar a baixa estatura das atletas Ao contrário do Brasil, a equipe pouco se expôs no cenário internacional e é uma incógnita para Morten.

“Estamos ansiosos para a estreia, mas bem mais ansiosos porque é a Coreia do Sul. Sabemos que o estilo delas é diferente. Elas ficam meio escondidas. Qualquer equipe que jogue contra elas tem problemas para encaixar a forma de jogo contra esse estilo. Mas nós temos algum material sobre elas e estamos estudando”, explicou o dinamarquês, ecoado pela goleira Mayara Pessoa.

“Elas também foram campeãs mundiais e elas têm uma história bonita no handebol. Sabemos do estilo de jogo diferenciado delas. São jogadoras batalhadoras, que vão jogar de igual para igual contra nós. Será um jogo bonito”, previu Mayara. “Temos que tomar bastante cuidado com isso e segurar mais a bola e não jogar na loucura que elas querem que a gente jogue. Temos que ter tranquilidade para saber como passar por elas”, completou Célia Costa.

Na fase de grupos, o Brasil também encara República Democrática do Congo, Alemanha, Argentina e França. A final será em 20 de dezembro, quando o time verde e amarelo perde o posto de campeão ou amplia a hegemonia.

Como disse Dara, vontade e motivação não faltam. Ademais, faturar o caneco mundial duas vezes seguidas não só consolida o Brasil como potência no cenário mundial — e afasta qualquer hipótese de ter sido “por sorte” –, mas também credenciaria o time de Morten ao posto de candidato à medalha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016. Quando, para variar, as guerreiras do handebol buscarão o pódio inédito da modalidade sob o eco das milhares de vozes a seu favor.

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