Banido do futebol por oito anos, o dirigente francês Michel Platini criticou o Comitê de Ética da Fifa, órgão responsável pela punição dele e do suíço Joseph Blatter, anunciada na segunda (21).
"O que o Comitê de Ética da Fifa estava fazendo entre 2011, quando eu fui pago, e 2015. Ele estava dormindo?
A declaração, em entrevista à agência francesa AFP e reproduzida pelo site da rede britânica "BBC", faz referência ao pagamento de 1,8 milhão de euros (R$ 8,3 milhões) de Blatter para Platini.
Os dois dirigentes afirmam que o pagamento do valor ocorreu como remuneração de um trabalho de Platini prestado à Fifa em 1998. Não há, porém, contrato escrito entre a entidade e o dirigente francês.
"De repente ele [comitê] acordou. Ah sim, ele acordou em um ano de eleição da Fifa quando eu sou candidato. Isso é incrível", ironizou o francês.
A exemplo de Blatter, Platini se disse injustiçado. Ele também atacou o suíço: "Durante este tempo meu nome tem sido utilizado como carniça na imprensa. Aconteça o que acontecer, minha imagem foi prejudicada. Me colocaram no mesmo saco que Blatter"
BANIMENTO
O comitê da Fifa considerou os dois dirigentes, que já estavam suspensos por 90 dias desde outubro, culpados de "conflito de interesses" e de "gestão desleal".
A Procuradoria também está investigando a indicação das Copas de 2018 e 2022 para a Rússia e Qatar, respectivamente.
Platini deve pagar ainda uma multa de 74 mil euros (R$ 320 mil), maior que a multa atribuída a Blatter, fixada em 46.295 euros (R$ 200 mil).
Os dois dirigentes podem recorrer da condenação de oito anos ao Comitê de Apelação da Fifa e depois, eventualmente, ao CAS (Corte Arbitral do Esporte). O francês já recorreu ao tribunal contra a suspensão preventiva, mas teve o pedido negado.
"A verdadeira partida que começa", afirmou Platini, em referência ao novo recurso que será apresentado.
Platini terá que correr contra a punição caso ainda queira disputar a eleição presidencial da Fifa, programada para 26 de fevereiro.