Mesmo eliminados da primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, que tiveram a oportunidade de jogar neste ano, os garotos do Pérolas Negras, time do Haiti, foram os xodós da torcida na competição. Agora os meninos seguirão no Brasil em busca do sonho de se tornarem jogadores profissionais de futebol. Mantidos pelo ONG Viva Rio, eles estão alojados em Paty do Alferes, região do Vale do Café Fluminense. Havia a expectativa de inscrever o time para a disputa da Série C do Campeonato Carioca, mas para isso a Ferj estaria cobrando R$ 500 mil para inscrição, dinheiro que a ONG não possui.
Por isso o sonho de disputar a competição vai ficando cada dia mais longe. A alternativa é fazer uma parceria com um dos clubes já inscritos e colocar alguns garotos nesses times. Se isso não acontecer, o planejamento da Viva Rio é manter os garotos no Brasil, onde receberão todos os cuidados necessários, e participar de outras competições durante o ano. O grande objetivo é disputar novamente a Copinha em 2017.
“O pessoal do Rio está correndo atrás, vendo as possibilidades, talvez fazer alguma parceria com um time já inscrito, mas tem alguns entraves, e os advogados estão vendo a melhor maneira de participar. Caso a gente não consiga, vamos seguir trabalhando, ver alguns campeonatos paralelos, e continuar o trabalho de formação aqui no Brasil. Estamos buscando ainda, mas não é fácil levantar esse dinheiro, são R$ 500 mil, muito caro, ainda mais para a gente que faz um trabalho social, então é muito dinheiro para conseguir, está muito difícil, se não tiver ajuda fica impossível”, disse Rafael Novaes Dias, coordenador técnico do Pérolas Negras.
Volta para o Haiti para voltar ao Brasil
A ONG Viva Rio conseguiu fechar uma parceria com o antigo Hotel Fazenda Quindins, e os 23 garotos entre 15 e 19 anos estão todos vivendo no local. Lá, o Pérolas Negras já conta com uma piscina e um campo reduzido para os trabalhos. Um gramado em dimensões oficiais está sendo preparado para que não seja necessário ir até a cidade para fazer coletivos. Enquanto isso, os meninos terão que voltar ao Haiti para tirarem novos vistos, já que vieram para o Brasil com o de turista. Depois disso, voltam e seguem trabalhando.
“Eles vão ter que retornar ao Haiti dia 26 porque eles vieram com visto de turistas, então têm que fazer novos vistos para ficarem aqui. A gente está prevendo a volta para primeira semana de março. Estamos fazendo o campo com medidas oficiais para a gente não precisar sair daqui, temos um campo reduzido de 7, onde trabalhamos e quando vamos fazer jogos ou coletivos temos que ir para o campo da cidade”, contou Novaes.
Sonho da Copinha e chance em grandes times
Trabalhando com muito jovens, Novaes não esconde o desejo de disputar novamente uma Copa São Paulo de Futebol Júnior. Maior vitrine para garotos até 20 anos, a competição pode ser a porta de entrada dos haitianos no futebol profissional brasileiro. Neste ano, cinco atletas já irão fazer estágios em outros clubes e outros quatro foram procurados por time de São Paulo e do Rio de Janeiro.
“É o nosso sonho (voltar a disputar a Copinha), se a federação paulista abrir as portas de novo vai ser muito bem aceito esse convite, porque a gente vai trabalhar esse ano todinho para essa oportunidade. Vamos trabalhar para voltar ainda mais forte em 2017. Neste ano, conseguimos a vaga através do Itamaraty, mas a FPF viu com bons olhos, deu um bom retorno”, comentou.
A grande preocupação de Novaes e da Viva Rio com os garotos é a adaptação ao Brasil. Eles não podem liberar os jogadores assim que qualquer proposta chegue. É preciso analisar como ele será recebido, a estrutura do clube, pois se o time não atender a demandas, é preferível o atleta continuar no Pérolas Negras, pelo menos até aprender o português.
“Quatros garotos tiveram propostas e a gente está analisando agora, porque não podemos deixar o menino em qualquer lugar, eles são estrangeiros, não falam a língua. Então a gente está vendo as possibilidades de encaminhar para algum time, ou continuar conosco até pelo menos estarem falando o português bem. Vamos pensar neles. Cinco do grupo vão continuar aqui para fazer estágios em outros clubes e depois voltam para tirar o documento necessário. Inclusive, nosso garoto mais novo, o goleiro de 15 anos tem uma boa proposta de um time grande de São Paulo”, revelou. O sonho de ser um jogador de futebol segue vivo para os meninos do Haiti.
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