As Olimpíadas de 2016 serão realizadas no Rio de Janeiro, mas muitos atletas das seleções brasileiras se preparam para os Jogos no exterior. Estados Unidos, Hungria, Romênia, Áustria, Polônia, Dinamarca, Canadá, China, Coreia do Sul e África do Sul são apenas alguns dos países onde os brasileiros estão morando, faltando menos de cinco meses para a maior competição poliesportiva do planeta.
Nos esportes coletivos, é quase uma obrigação jogar em clubes no exterior. No handebol feminino, 13 das 16 atletas convocadas para um torneio amistoso na Noruega nesta semana, jogam fora do país. No polo aquático, o pedido virou ordem: quem quiser disputar as Olimpíadas, terá que estar em clubes europeus. No futebol feminino, a China foi buscar cinco jogadoras da seleção.
Nos esportes individuais, algumas das principais estrelas optaram por morar fora do país. O caso mais emblemático é o de Cesar Cielo, que ainda está atrás da vaga olímpica, e voltou, em janeiro, a viver nos Estados Unidos. No atletismo, Thiago Braz, uma das únicas esperanças de medalha do Brasil, trocou recentemente seu país natal pela Itália.
A equipe olímpica está longe de estar fechada, mas a tendência é que mais de oitenta atletas que irão representar o país nos Jogos do Rio de Janeiro não tenham sua residência oficial no Brasil.
POR VAGA OLÍMPICA, CIELO VOLTOU AOS EUA
O ciclo olímpico de Cesar Cielo foi um pouco tumultuado e, por diversas razões, o nadador trocou de técnico seis vezes. A última mudança foi drástica. No início deste ano, optou por voltar aos Estados Unidos e fazer na maior potência esportiva do mundo sua preparação para os Jogos Olímpicos. O local escolhido foi o Arizona:
-- Foi o lugar em que treinei e obtive sucesso tanto para o Mundial de Barcelona quanto para o de Doha. Voltar a treinar com o técnico com quem eu ganhei o meu terceiro título mundial (nos 50 m livre) faz sentido - disse o nadador em janeiro.
HANDEBOL SE CONCENTRA NA EUROPA
Nesta semana, a seleção feminina de handebol está reunida na Áustria para uma série de treinos e, a partir de sexta-feira, joga um torneio amistoso na Noruega. A escolha por fazer a reunião na Europa vem por conta da residência das jogadoras.
Das 16 chamadas, 13 moram na Europa, onde atuam por seus clubes. Duda Amorim e Tamires jogam no Gyori, da Hungria, e Dani Piedade no Siofuk, do mesmo país. Outras quatro atletas estão na Romênia: Alexandra (Baia Mare), e Mayssa, Fernanda, e Ana Paula (Bucaresti). Babi joga no Handboldklub e Tainara está no Raeligen, ambos da Noruega. Deonise defende o Nykobing, da Dinamarca, Dara está no Bietigheim, da Alemanha, Jessica no Selgros, da Polônia, e Samira no Nice, da França.
ITÁLIA VIROU A CASA DE ESTRELA BRASILEIRA
resente nas últimas três Olimpíadas, Renzo Agresta faz toda sua preparação na Itália. O esgrimista tem passaporte italiano e, desde 2005, costuma ficar boa parte da temporada no país, a maior potência da modalidade.
O atleta de 30 anos foi medalha nos últimas três Jogos Pan-Americanos e é a principal esperança de bom resultado nas Olimpíadas do Rio. Até julho, Renzo deve voltar ao Brasil apenas duas vezes.
BRASILEIROS NA NBA
A NBA conta com oito jogadores brasileiros, cinco deles com grandes chances de estarem nas Olimpíadas. A opção é óbvia: foram escolhidos pelos time da NBA, principal liga do mundo. Oakland, na Califórnia, é casa de Anderson Varejão e Leandrinho, que atuam pelo Golden State Warriors. Raulzinho mora em Utah, e Marcelinho Huertas vive em Los Angeles, onde defende os Lakers. Nenê está na capital, pelo Washington Wizards. Machucado, Tiago Spliter se recupera de uma lesão em Atlanta, onde defende os Hawks. Promessas, Bruno Caboclo e Lucas Bebê estão no Canadá, pelo Toronto Raptors.
FILHO DE HORTÊNCIA NA ALEMANHA
oão Victor Oliva, filho da ex-jogadora Hortência, se mudou para a Alemanha no início do ano passado. O cavaleiro é o principal atleta do Brasil no hipismo adestramento, já conseguiu o índice olímpico oito vezes, e fez parte da seleção que foi medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos.
A ideia mudança para Mohnesee-Gunne foi feita por, na Europa, haver competições importantes quase todo o fim de semana. Na cidade de 10 mil habitantes ele mora sozinho e tem acompanhamento diário de seu treinador.
JOIA DO SALTO COM VARA NA ITÁLIA
Thiago Braz é o grande nome do salto com vara masculino do Brasil. Campeão mundial juvenil de 2012 e quarto colocado no ranking mundial do ano passado, o atleta se mudou para a Itália há um ano.
A troca de continente trouxe até uma polêmica para o esporte nacional, já que o mentor do atleta no início da carreira, Elson Miranda, não gostou da forma com que a escolha pela Itália foi feita. O saltador vive em Fórmia.
ÊXODO NO FUTEBOL FEMININO
Não foi só o futebol masculino que foi engolido pelo mercado chinês. Nos últimos meses, cinco jogadoras da seleção brasileira feminina foram contratadas por clubes da China. Debinha, Fabiana e Gabi Zanotti estão no Delian Quanjian, enquanto Raquel e Rafaelle jogam no Changchun. Na Coreia do Sul, estão Bia e Thais, no Stell. Melhor jogadora da história, Marta está no Rosengard, da Suécia, enquanto a maior goleadora da história olímpica, Cristiane, e a polivalente Érika, atuam no PSG, da França. A lateral Tamires é atleta do Fortuna Hjorring, da Dinamarca, e Andressa está no Montpellier.
JOGAR NA EUROPA: OBRIGAÇÃO PARA O POLO
Quatro vezes campeão olímpico, o croata Ratko Rudic assumiu a seleção brasileira masculina de polo aquático neste ciclo e fez um pedido com cara de ordem: todos os atletas que quiserem jogar as Olimpíadas de Janeiro terão que atuar por clubes na Europa. Dito e feito. A seleção inteira está espalhada pelo velho continente. Na Itália estão Gustavo "Grummy", Guilherme Gomes, Bernardo Gomes, Jonas Crivella, Felipe "Charuto", Ives Alonso e Paolo Salemi. Ádria Delgado vive na Hungria, enquanto Bernardo Rocha, Felipe Perrone e Josip Vrlic atuam na Croácia.
TÊNIS DE MESA ESPALHADO PELO MUNDO
A seleção brasileira de tênis de mesa conta com cinco jogadores na Europa. Campeão dos Jogos Pan-Americanos e principal nome do time masculino, Hugo Calderano mora na Alemanha, onde atua pelo Liebherr Ochsenhausen. Também na Alemanha, está Gustavo Tsuboi, jogando pelo Schwalbe Bergneustadt. Cazuo Matsumoto defende um clube polonês (Energa-Manekin Tórun), enquanto Thiago Monteiro está na França (Istres). Entre as mulheres, a única que mora fora do país é Gui Lin, que joga por um clube austríaco, o Linz.
RADICADO NA ÁFRICA
Um dos golfistas brasileiros que está na briga pela vaga nas Olimpíadas é Adilson Silva, que mora na África do Sul. Aos 19 anos, quando ainda trabalhava como carregador de tacos, foi levado para o Zimbábue, país africano, para treinar. Na esperança de se tornar profissional, Adilson não pensou duas vezes antes de viajar para África sem saber uma palavra em inglês. Mais de vinte anos depois, segue no continente, mas morando em Durban, na África do Sul. A disputa pela única vaga do Brasil na modalidade é com Alexandre Rocha e Lucas Lee.