Um para lá, um para cá. Como tem sido desde o início de 2015 – como acontecia com frequência nos tempos de Ademir da Guia e Pelé–, o clássico entre Santos e Palmeiras foi disputado e tenso.
Nesse clima, cada time venceu um dos tempos, cada time fez sua dancinha na comemoração dos gols e os dois levaram um ponto para casa. Foi o terceiro empate em três jogos entre os times no ano.
Com o empate por 1 a 1, o Palmeiras segue na liderança, mas agora com apenas um ponto de diferença para o Corinthians (29 a 28), enquanto o Santos chegou à quarta colocação, com 23 pontos.
Desfalcado daqueles que talvez sejam seus dois principais jogadores no torneio, Róger Guedes e Gabriel Jesus – suspensos–, o Palmeiras foi superior no primeiro tempo.
Motivados pela rivalidade entre os clubes, que tem recuperado a força que tinha até a década de 1970, os palmeirenses lotaram o estádio –desde o começo do ano existe a determinação da Secretaria de Segurança Pública de que os clássicos sejam jogados com torcida única.
O público de 40.035 foi o maior da história do Allianz Parque, e o barulho foi similar ao que se ouviu na final da Copa do Brasil de 2015.
Mas se naquela ocasião o Palmeiras teve nos decibéis um dos principais aliados na conquista do título, já que o time comandado por Marcelo Oliveira mostrava-se desordenado, desta vez eles foram auxiliares a um time superior.
O "DNA ofensivo" do Santos, como apontou Pepe, ídolo do time da Baixada, à Folha de S.Paulo nesta terça (12), foi contido pelo sistema defensivo palmeirense, especialmente por Zé Roberto, Mateus Sales e Mina, que anularam Gabriel, Lucas Lima e Rodrigão no primeiro tempo.
O ataque do time alviverde criou pouco, tendo esbarrado na lentidão de Barrios e na inconstância de Erik.
Em cobrança de escanteio, o zagueiro Mina apresentou à torcida palmeirense uma de suas grandes qualidades. Dudu bateu bem, e o colombiano cabeceou forte, no contrapé de Vanderlei. Na comemoração, ele dançou o "dougie", um passo de hip-hop que, na versão de Mina, ganha em ginga e rebolado. Ele sairia lesionado antes do intervalo.
O segundo tempo foi do Santos, com certa colaboração do técnico alviverde. As alterações de Cuca não surtiram o efeito esperado: Arouca não conseguiu apresentar o mesmo potencial de saída de bola do titular, Moisés, e o centroavante Leandro Pereira ficou isolado na área, como estava Barrios. Com isso, os "chutões" da defesa para o ataque viraram recurso constante e um buraco formou-se no meio palmeirense, onde o Santos prosperou.
Gabriel e Lucas Lima conseguiram abrir espaços e criar jogadas que puseram o Palmeiras no campo defensivo.
Logo no começo do segundo tempo, Gabriel chutou com força, a bola resvalou em Vitor Hugo e entrou no gol de Prass. Na comemoração, ele provocou a torcida, ajoelhando-se e pondo as mãos nas orelhas, como se dissesse "gritem agora". E dançou jocosamente. Torcedores caíram na provocação e atiraram objetos no gramado. Um deles atingiu o volante Renato, que o levou ao árbitro, o que deve gerar punição ao clube.
A partida foi marcada por entradas duras, dedos em riste e discussões. Inclusive entre companheiros: Renato deu uma dura em Gabriel na partida após o atacante tentar uma conclusão "de letra". Dudu, Tchê Tchê, Lucas Lima e Gabriel participaram de bate-bocas e empurra-empurras.
PALMEIRAS
Fernando Prass; Jean, Mina (Edu Dracena), Vitor Hugo e Zé Roberto; Matheus Sales, Tchê Tchê e Moisés (Arouca); Erik, Dudu e Lucas Barrios (Leandro Pereira). T.: Cuca
SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Vitor Bueno (Copete) e Lucas Lima; Gabriel (Yuri) e Rodrigão (Joel). T.: Dorival Júnior
Estádio: Allianz Parque
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Gols: Mina, aos 6 min do 1º tempo; Gabriel, aos 10 min do 2º tempo
Cartões amarelos: Moisés, Erik (P), Gabriel e Lucas Lima (S)
Público: 40.035
Renda: R$ 2.847.298,80