Com 228 lutas e 11 anos de invencibilidade no boxe olímpico sul-mato-grossense, o pugista peso-pena, Luís Carlos, 33 anos, começou uma nova jornada, agora no boxe profissional.
A estreia foi no último fim de semana, quando derrotou o experiente lutador argentino Marcelo Criters, em combate realizado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. O triunfo movimentou os bastidores da categoria e colocou um novo desafio na carreira do atleta: conquistar o título nacional.
De volta a Campo Grande, Luizinho “Punho de Aço”, como é conhecido, comemorou a vitória diante do argentino. Além de favorito, o adversário marcava a luta centenária como profissional. “Ele é muito forte, o derrubei duas vezes no primeiro round, mas continuou no combate”, avaliou o atleta natural de Coxim, que venceu por pontos com total domínio no ringue.
A vitória chamou a atenção de empresários. Para 2017, Luizinho espera ao menos cinco lutas para ter a chance de disputar o cinturão contra o campeão Aélio Mesquita (SP).
As negociações para o primeiro desafio estão em andamento, com data prevista para 21 de janeiro – o nome do adversário é mantido em sigilo.
“Se for quem eu estou pensando é um lutador que está entre os cinco melhores no ranking nacional. Mas só vou saber depois que tudo estiver acertado. Os empresários não revelam antes de tudo acertado”, comenta o coxinense.
APOSTA
O presidente da Federação de Boxe de Mato Grosso do Sul (FBMS), Marcelo Nunes, diz que Luizinho é um dos destaques entre os competidores da casa. “É muito respeitado, o mais antigo em atividade no Estado. Sobe no ringue e impõe respeito aos adversários, seja baiano, paulista”, avalia Nunes.
O peso-pena iniciou no boxe em 2004, em Coxim, e mudou-se para Capital dois anos depois. Começou cedo a coleção de títulos com 13 campeonatos estaduais em 120 confrontos. Teve apenas uma derrota diante de Tiago Yatros – ainda no primeiro ano de carreira.
Os dois boxeadores pratas da casa voltaram a se encontrar e Luizinho venceu as duas revanches. Com o cartel de 228 lutas em disputas nacionais e internacionais, o boxeador sul-mato-grossense soma 210 vitórias.
DIVISOR DE ÁGUAS
Para Luizinho, a conquista mais importante veio com o ouro no Torneio Internacional de Verão de boxe olímpico, realizado no início do ano, em Iquique, norte do Chile. Ali, como admite o lutador, foi o divisor de água para a decisão de abandonar o boxe olímpico e partir para o profissional.
O seu bom desempenho rendeu elogios até de técnicos adversários. “Vieram me falar que estava na hora de rever minha carreira, que eu estava preparado e deveria pensar mais alto e seguir no profissional em busca do título nacional”, revela. A disputa reuniu competidores de seis países: Brasil, Argentina, México, Chile, Bolívia e Paraguai.