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Ídolo do Comerário, Cido é memória viva de clássico que valia até gado

Ídolo do Comerário, Cido é memória<br> viva de clássico que valia até gado

Redação

09/02/2018 - 17h35

Depois de quatro adiamentos e o risco de jogarem sem torcida pela primeira vez, Operário e Comercial entrarão, enfim, em campo neste sábado (10), às 15h30, no Estádio Morenão, pela 188ª vez na história para fazerem o clássico mais importante e famoso do futebol de Mato Grosso do Sul.

Para medir a importância do Comerário, basta avaliar que é o único clássico do Brasil até hoje que decidiu outro Estadual, no caso a primeira final profissional entre ambos, em 1977, ainda pelo Campeonato Mato-Grossense, meses antes da assinatura da divisão.

Natural de Aquidauana, o ex-ponta-direita Cido não só acompanhou a época como a vivenciou dentro dos gramados.

Intercalado por uma passagem pela Ponte Preta, tradicional clube de Campinas (SP), foi herói e ídolo dos dois lados. O vermelho nos anos 1970. O alvinegro nos anos 1980. Das 12 decisões estaduais entre os rivais (veja relação abaixo), participou de cinco, saindo com os títulos de 1982 pelos colorados e 1986 pelo Galo, onde participou da campanha do título mais importante, o módulo verde da Copa União de 1987.

Em uma época de importância no cenário nacional, futebol era tratado como coisa séria. Cido lembra que jogadores do Comercial, por exemplo, eram repreendidos ao vestirem ou comprarem carros pretos. Na semana do clássico, os jogadores se concentravam cedo. E as apostas corriam soltas pelos bares e restaurantes da cidade. Valendo de dinheiro a cabeças de gado nas fazendas.

"E quase sempre quando o pessoal sabia que eu ia jogar desistia de apostar", brincou o ex-ponta. Não era para menos. Rápido e eficiente nos cruzamentos, Cido surgiu como a arma vermelha capaz de substituir o ídolo Copeu, revelação vascaína que fez sucesso em Campo Grande, e desbancar a hegemonia alvinegra que incomodava e muito os colorados.

OS TÍTULOS

Ainda por Mato Grosso, o Comercial conquistou o título de 1975 e viu o rival acumular 1974, 1976, 1977 e 1978. A criação da liga sul-mato-grossense em 1979 não aliviou as coisas. Primeiro campeão do novo Estado, o Operário levou o troféu também em 1980 e 1981. "Era a base do terceiro lugar no Brasileiro (em 1977). As coisas precisavam mudar", disse Cido. E mudaram. Em 1982, mesmo com o alvinegro exibindo uma base sólida e com nomes que ganhariam notoriedade no futebol brasileiro, o veloz ponta foi a arma para a quebra do jejum de títulos.

Era a coroação do menino que aos 18 anos trabalhava na construção civil da mais nova capital brasuileira e encantou os dirigentes vermelhos. E que lembra emocionado dos áureos tempos, de Morenão cheio, quando o clássico parava a cidade e lhe rendia até dois bichos (gíria do meio do futebol para pagamento de bônus por vitória em jogos importantes) por vitória. 

"Eu vejo com muita tristeza o que aconteceu ao futebol do nosso Estado. Tomara que as coisas caminhem, se acertem e que aquela velha magia que embalava o Morenão seja recuperada. Todos precisamos disso", disse o hoje aposentado, que mesmo com mais de 60 anos ainda desfila categoria pelo campos amadores da Capital.

O JOGO

A expectativa para o confronto é tamanha que cerca de 4 mil torcedores são esperados no Morenão, mesmo em pleno feriado. O jogo, válido pelo Grupo A do Estadual e que originalmente aconteceria na segunda rodada, ainda em janeiro, foi transferido por conta do veto à presença de público no principal estádio da Capital.

Em meio aos adiamentos e uma tabela irregular, os clubes jogam em situações opostas. Invicto no ano, o Operário entra em vantagem emocional após ter vencido o Cuiabá por 1 a 0 na última quarta-feira (7), no jogo de ida da primeira fase da Copa Verde, em Campo Grande. No Estadual, foram um empate e uma vitória aqui.

Ao Portal Correio do Estado, o técnico Celso Rodrigues não escondeu a preoucupação com o Comerário de Carnaval pela largada crucial do Galo para a principal sequência da temporada. Depois deste sábado, o time viaja até a capital mato-grossense onde enfrenta o rival local pelo duelo de volta da primeira fase da Copa Verde, na quinta-feira (15), às 20h30 (de MS). E, no outro domingo (18), o Comerário do returno do Grupo A.

"É ir passo a passo, com calma, pensando jogo a jogo, focando na recuperação dos atletas, estabelecendo metas pontuais para irmos alcançando", disse o treinador.

Para este sábado, Rodrigues deve contar com a volta do ídolo veterano Rodrigo Grahl, que assim conquistaria de volta a vaga no ataque junto de Igor Rabello. O baixinho e rápido ponteiro já virou ídolo da torcida, entrou bem diante do Cuiabá, impondo muita velocidade no jogo e assim deve ter chance como titular.

COLORADO

Do lado colorado, se o cansaço não é uma preocupação após mais um adiamento de jogo, depois que uma das torres de iluminação do Morenão explodiu na última terça-feira (6), forçando a suspensão do confronto com o União ABC, o problema do técnico Mário Tilico é a falta de entrosamento.

Passado um mês do calendário do futebol local, o Comercial fez apenas dois jogos oficiais: empatou com o Novo e perdeu para o Costa Rica. Sem outras competições paralelas, como o rival, resta aos vermelhos usar o clássico para dar à torcida a sensação de ganhar o campeonato à parte que um Comerário vale nas discussões pelas ruas da cidade.

O RETROSPECTO
187 Jogos na história
69 Vitórias Operário
69 Empates
49 Vitórias Comercial

Último Jogo: Comercial 1x0 Operário(2017)
Maior Placar: Comercial 1x4 Operário(1980)

12 DECISÕES DE TÍTULOS ENTRE ELES (UMA PELO CAMPEONATO DE MATO GROSSO)
8 títulos do Operário (1977 - ainda por MT, 1979, 1980, 1981, 1983, 1986, 1996 e 1997)
4 títulos do Comercial (1982, 1985, 1987, 1993) 

INGRESSOS
Arquibancada - R$ 20 (meia a R$ 10)
Cadeiras - R$ 40 (meia a R$ 20)

Pontos de vendas:
Padaria Toscano - Avenida Coronel Antonino, nº 619
Cerv Já Conveniência - Avenida Afonso Pena, nº 3.799
Bilheterias do Morenão

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