De novo, não deu para o Brasil nas quartas de final. Os mais de três mil campo-grandenses que se reuniram na Praça do Rádio Clube na tarde desta sexta-feira (6), fizeram sua parte. Gritaram em coro que acreditavam, enquanto imaginavam a decisão vindo nos pênaltis, a favor da Seleção.
Sentado no chão, o assessor parlamentar Elivelton Porperio, 25, assistiu aos dois tempos de jogo de cara para o telão montado na Concha Acústica Helena Meirelles, no centro da praça. Quando nem os cinco minutos de acréscimo abriram margem para o gol do empate e o juiz apitou, ele continuou ali mesmo, só que de olhos baixos para a tela.
O rapaz chorou como a criança Maria Eduarda Nascimento, que queria ver a Seleção avançar mais na primeira Copa que acompanha na vida. Capoeirista, ela gosta muito de esportes e ainda está aprendendo o que é perder. Avó da menina, a serviços gerais Alzenir Alvarenga não aguentou e chorou junto. Perdeu até de vista, por um minutinho, os outros dois netos que trouxe para ver o jogo. “É uma tristeza. Mas valeu a pena”, disse a senhora.
Levantando a camiseta para esconder os olhos vermelhos de chorar, o estudante Douglas Filho, 18, lamentou a derrota, mas reconheceu que a experiência de assistir ao Mundial com os amigos, no meio de tanta gente desconhecida, foi legal. “Nas outras Copas eu ainda era criança e adolescente. É a primeira que eu vejo com mais maturidade. Foi emocionante, apesar de termos perdido”, falou.
Quem não viu o Brasil lutar até o fim contra a derrota, como as amigas Sany Sandra, 39, e Andréia Coelho, 38, perdeu a oportunidade de duvidar do resultado que veio e de compartilhar a angústia que tomou conta da praça no segundo tempo, com o Brasil chegando mais perto da rede e conquistando o único gol que fez na partida. Sany, que trabalha como arrumadeira num hotel do Centro da Capital, resolveu desertar no final dos primeiros 45'' de jogo, quando o placar era Bélgica 2 X 0 Brasil. “Vou embora. Preferia estar trabalhando. Não vai dar para a Seleção, eu já sabia disso quando os jogadores tavam cantando o hino. Eles estavam tensos”, disse, desacreditada. E ainda palpitou: “É da França essa Copa, você vai ver”.
Como todas as cadeiras disponibilizadas na Praça do Rádio estavam ocupadas, e o sol do inverno estava forte, o casal de namorados Marivani Rosa da Cunha e Carlos Alberto Oliveira resolveu sentar em cima do Monumento da Imigração Japonesa, que dava para a lateral do telão. Mal sabiam eles que, assim como aconteceu com o Japão quando jogou contra a Bélgica na última rodada, a selação brasileira seria eliminada. Ela contava com apenas um gol da Bélgica, e dois do Brasil. Já ele queria que viesse o 2 X 0 contra os adversários.
A VITÓRIA DELES
Os comerciantes estavam aos montes na praça. O jogo caiu numa sexta-feira e no quinto dia útil do mês, para a sorte deles.
Antônio da Conceição tinha vendido mais de 200 camisas da Seleção antes de o jogo começar. Das cinco caixas de cerveja que levou numa bikefood, o ambulante Rene Montalvão já tinha se desfeito de quase uma inteira nos primeiros dois minutos da partida.
A variedade era grande. Além dos acessórios, havia espetinho, salgado no copo, a tradicional pipoca, e até caipirinha.