Esportes

COPA DO MUNDO 2018

Com derrota do Brasil, produtos verde-amarelos vão para o estoque das lojas

Adereços devem voltar para as lojas na Copa América ou na Copa de 2022

Fábio Oruê

08/07/2018 - 04h00
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Um dia após o Brasil deixar a Copa do Mundo, a rua 25 de Março, polo de compras no Centro de São Paulo, já se adequou à ausência da Seleção na tabela.

Produtos verde-amarelos foram recolhidos ao estoque para esperar a Copa América, em 2019, ou a Copa do Mundo de 2022. Nas lojas de fantasias, perucas, camisetas e vuvuzelas vão ocupar um espaço menor nas prateleiras, mas continuarão expostas neste 2018.

Camelôs ainda apostam na venda de camisetas, embora em ritmo menor, mas não falam em redução de preços. Segundo lojistas, bandeiras e faixas do Brasil experimentaram um pico de vendas e retornam a um ritmo mais lento, mas seguem sendo vendidas o ano todo.

Vendedores de uma loja montada exclusivamente para comercializar produtos da Copa desmontaram prateleiras na manhã deste sábado, mas o clima não era de tristeza. O estabelecimento volta a vender cosméticos e bijuterias e os artigos verde-amarelos voltam para o depósito do fornecedor.

"A experiência foi muito boa, vendemos bastante, mesmo com o andar dos jogos. Tivemos aquele receio de não conseguir muita coisa, mas graças a Deus conseguimos. Infelizmente o Brasil saiu, mas a gente segue", disse o gerente, Michel Silva.

"A partir de agora estamos retirando da loja os produtos que estavam para a Copa. A gente está devolvendo isso para o estoque. Vai ser feita a contagem do que sobrou e será repassado para o nosso fornecedor. A partir de hoje mesmo já começamos com os novos produtos. Temos um estoque de maquiagem e bijuteria e vamos repor na loja para continuar a venda. Vai mudar toda a fachada, muda tudo. Foi uma loja temática, agora vamos abrir realmente com o que a loja é", complementou.

O vendedor José Araújo da Silva recolheu chapéus com as cores do Brasil. "Agora é guardar para a Copa América. O pessoal agora não compra mais produtos do Brasil . Estamos guardando porque no ano que vem a Copa é no Brasil e com certeza a gente consegue vender o que sobrou da Copa do Mundo", disse ele.

Silva disse que vendia cerca de 4 mil chapéus por dia e que sobrou pouco. Ele conta que neste sábado, uma moça que vai fazer excursão para fora do país comprou 60 peças de faixa. "A ideia nossa é guardar para a Copa América. Em 2014, o que nós tínhamos, vendemos tudo . Mesmo depois do 7 a 1, ficou uma semana vendendo e conseguimos vender tudo. Muitas pessoas compravam mais para brincar, para zuar mesmo. Por causa do vexame, um comprava para dar de presente para o outro", lembra.

Gerente de uma loja de fantasias na Ladeira Porto Geral, Lucila dos Santos mantinha em exposição neste sábado muitos produtos relacionados à Copa. Ela viu a venda cair drasticamente e vai reduzir o espaço desse tipo de mercadoria no estabelecimento.

"Se o Brasil tivesse ganhado, isso aqui estava lotado agora. O material vai para o estoque e fica para a Copa de 22. Não tem nada que vence. Não tem nada datado. Os preços vão ser mantidos. A gente está com preço de quatro anos atrás. Graças a Deus a gente conseguiu desovar bastante coisa de quatro anos atrás. Eu sempre deixo um espaço menor, com tudo um pouco, porque sempre vem os turistas que acabam levando um pouquinho de cada coisa. Eu sempre deixo um espaço só com o Brasil", disse ela.

Lucila conta que vende bandeira do Brasil o ano inteiro e espera algum acréscimo no movimento em ano eleitoral. "Meu forte aqui são as bandeiras. A gente está esperando muita movimentação e eles levam muita bandeira, maquiagem para o rosto... Isso é como se fosse uma Copa do Mundo nesses dias assim", afirmou.

A gerente diz que vende em média mais de mil unidades por mês e durante a Copa teve um pico de 90%. "Tem um cliente que todo mês compra 50 bandeiras. Acho que ele vende pela internet", afirmou.

O analista Bruno Ferrari comprou decoração para festa junina na escola de samba Mancha Verde e por isso colocou em sua cesta produtos com a cor da agremiação. "Comprei balões coloridos, fitas verdes e amarelas, bolas verdes e chapéus. Simplesmente isso. A bola verde me interessou porque a festa junina da qual participo é de uma escola de samba que é verde e branca, que é a Mancha Verde", disse ele.

O ambulante Wiliam Souza Santos conta que vendia cem camisas por dia. Até o fim da manhã de sábado, tinha vendido dez. "A venda caiu 80%. A gente vai deixar aqui mais uma semaninnha e depois ver o que a gente vai fazer. Sobraram umas 150 camisetas. O que a gente tinha no estoque sobrou bem pouco."

Severino Damião mexia em um cabide de camisas amarelas infantis em uma das bancas da 25. "Estou comprando para dar de lembrança para netos e sobrinhos. Eles moram fora. Vou mandar. O Brasil perdeu mas nós continuamos a ser brasileiros. A gente queria que fosse mais longe, mas não deu. Não foi mal, não", afirma.

 

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