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CBF testa versão econômica do árbitro de vídeo no Brasil

CBF testa versão econômica do árbitro de vídeo no Brasil

Redação

31/07/2018 - 20h15
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 Com corte de gastos e metade das câmeras utilizadas na Copa do Mundo da Rússia, o árbitro de vídeo será testado pela primeira vez em uma competição nacional nesta quarta-feira (1º).

O VAR (sigla em inglês de video assistant referee ou árbitro assistente de vídeo) é a principal novidade das quartas de final da Copa Brasil, que estreia com os confrontos de Santos e Cruzeiro, na Vila Belmiro, e Corinthians e Chapecoense, no Itaquerão.

A principal diferença em relação ao sistema utilizado no Mundial na Rússia está no número de câmeras. Enquanto em todos os jogos da Copa havia 35 (33 na fase de grupos), o VAR no Brasil vai ter de 14 e 16, dependendo dos estádios.

Segundo a CBF, é o número suficiente para o sistema operar sem problemas e que atende ao protocolo da Ifab (International Football Association Board), órgão que regulamenta as regras do futebol.

"A Fifa tem milhões e milhões de dólares e pode colocar 200 pessoas para trabalhar. A Ifab recomenda que seja no mínimo quatro câmeras filmando o jogo e estamos com 14 a 16 câmeras. Está tudo dentro do protocolo. Desde os treinamentos dos árbitros, a aprovação dos campos, os treinamentos de supervisores", disse Manoel Serapião, coordenador do árbitro de vídeo no Brasil.

O custo da operação na Copa do Brasil será de R$ 50 mil por jogo, ou R$ 700 mil até a final da competição. A Broadcast será a empresa responsável por estruturar o árbitro de vídeo nas partidas, após ganhar a concorrência promovida pela CBF, que contou com dez postulantes a fornecedor do serviço.

O sistema será alimentado com imagens da TV Globo -utilizadas também pela Fox-, dona dos direitos de transmissão. Procurada, a emissora não respondeu se a implantação do VAR já pode ser feita sem obstáculos.

No ano passado, a empresa informou que o início da operação do sistema de árbitro de vídeo precisava de tempo, para que todos pudessem se adequar a ele.

Não é apenas no número de câmeras que o VAR brasileiro será diferente do sistema do Mundial da Rússia.
Houve um corte também no número de árbitros que analisam os vídeos e auxiliam o juiz da partida.

Na Rússia, havia quatro pessoas operando o VAR na sala de comando. Um árbitro de vídeo era o responsável por monitorar as imagens ao vivo e olhar o replay dos lances polêmicos e se comunicar com o juiz de campo.

Um auxiliar continuava acompanhando a transmissão ao vivo enquanto o árbitro principal analisava os replays. Existia ainda um terceiro árbitro, responsável por averiguar exclusivamente as duas câmeras instaladas nas intermediárias para ver os impedimentos.

Um quarto auxiliar fazia a comunicação entre o árbitro de vídeo principal e o responsável por cuidar do impedimento.

No Brasil, serão três pessoas na sala do VAR: um supervisor, o árbitro de vídeo e um assistente.
"Priorizamos que o árbitro assistente veja os impedimentos, e o árbitro, os lances do jogo. No entanto, ambos têm competência para tudo. Eles têm prioridade para cada lance, mas não exclusividade", explicou Serapião.

Para também baratear o custo da implantação do sistema no Brasil, optou-se por instalar os equipamentos de análise das imagens em salas dentro dos estádios onde as partidas vão ocorrer.

Na Rússia, toda a central foi montada em um prédio em Moscou, interligado por meio de fibra óptica a todos os estádios da Copa do Mundo.

Dois seguranças, que serão custeados pelos clubes, ficarão na porta da sala de controle do VAR para garantir a tranquilidade de quem vai trabalhar e evitar qualquer interferência de pessoas externas.

Os computadores usados pelo árbitros de vídeo possuem programas específicos para que as imagens possam ser adiantadas e retrocedidas com velocidade.

A máquina também permite girar o lance em vários ângulos, para que se visualize melhor o momento da partida que se pretende analisar. Inclusive, em câmera lenta.

A partir das análises realizadas dentro das salas de controle é que pode ocorrer a comunicação entre o árbitro de vídeo principal e o árbitro de campo, que está apitando o jogo.

Depois de receber, por meio de um pequeno transmissor, a informação de que algo ocorreu em um lance que acabou de ser disputado, o árbitro da partida tem três opções.

Ele pode chamar totalmente a responsabilidade para si e ignorar o chamado do árbitro de vídeo; atender a observação recebida pelo sistema de som e voltar atrás em sua decisão imediatamente; ou, então, pedir para rever o lance na beirada do gramado, como ocorreu nas partidas da Copa do Mundo de 2018.

Neste último caso, o sistema brasileiro vai ter as mesmas características do sistema usado pela Fifa no Mundial da Rússia.

A Copa do Mundo e os campeonatos nacionais europeus que já utilizam a tecnologia do VAR, como o Português e o Alemão, mostram que um dos grandes gargalos do sistema é a velocidade com que todo o processo ocorre.

Já as polêmicas, principalmente em lances interpretativos, como os de pênaltis, vão continuar a ocorrer, a exemplo do que houve na Copa.

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