Com corte de gastos e metade das câmeras utilizadas na Copa do Mundo da Rússia, o árbitro de vídeo será testado pela primeira vez em uma competição nacional nesta quarta-feira (1º).
O VAR (sigla em inglês de video assistant referee ou árbitro assistente de vídeo) é a principal novidade das quartas de final da Copa Brasil, que estreia com os confrontos de Santos e Cruzeiro, na Vila Belmiro, e Corinthians e Chapecoense, no Itaquerão.
A principal diferença em relação ao sistema utilizado no Mundial na Rússia está no número de câmeras. Enquanto em todos os jogos da Copa havia 35 (33 na fase de grupos), o VAR no Brasil vai ter de 14 e 16, dependendo dos estádios.
Segundo a CBF, é o número suficiente para o sistema operar sem problemas e que atende ao protocolo da Ifab (International Football Association Board), órgão que regulamenta as regras do futebol.
"A Fifa tem milhões e milhões de dólares e pode colocar 200 pessoas para trabalhar. A Ifab recomenda que seja no mínimo quatro câmeras filmando o jogo e estamos com 14 a 16 câmeras. Está tudo dentro do protocolo. Desde os treinamentos dos árbitros, a aprovação dos campos, os treinamentos de supervisores", disse Manoel Serapião, coordenador do árbitro de vídeo no Brasil.
O custo da operação na Copa do Brasil será de R$ 50 mil por jogo, ou R$ 700 mil até a final da competição. A Broadcast será a empresa responsável por estruturar o árbitro de vídeo nas partidas, após ganhar a concorrência promovida pela CBF, que contou com dez postulantes a fornecedor do serviço.
O sistema será alimentado com imagens da TV Globo -utilizadas também pela Fox-, dona dos direitos de transmissão. Procurada, a emissora não respondeu se a implantação do VAR já pode ser feita sem obstáculos.
No ano passado, a empresa informou que o início da operação do sistema de árbitro de vídeo precisava de tempo, para que todos pudessem se adequar a ele.
Não é apenas no número de câmeras que o VAR brasileiro será diferente do sistema do Mundial da Rússia.
Houve um corte também no número de árbitros que analisam os vídeos e auxiliam o juiz da partida.
Na Rússia, havia quatro pessoas operando o VAR na sala de comando. Um árbitro de vídeo era o responsável por monitorar as imagens ao vivo e olhar o replay dos lances polêmicos e se comunicar com o juiz de campo.
Um auxiliar continuava acompanhando a transmissão ao vivo enquanto o árbitro principal analisava os replays. Existia ainda um terceiro árbitro, responsável por averiguar exclusivamente as duas câmeras instaladas nas intermediárias para ver os impedimentos.
Um quarto auxiliar fazia a comunicação entre o árbitro de vídeo principal e o responsável por cuidar do impedimento.
No Brasil, serão três pessoas na sala do VAR: um supervisor, o árbitro de vídeo e um assistente.
"Priorizamos que o árbitro assistente veja os impedimentos, e o árbitro, os lances do jogo. No entanto, ambos têm competência para tudo. Eles têm prioridade para cada lance, mas não exclusividade", explicou Serapião.
Para também baratear o custo da implantação do sistema no Brasil, optou-se por instalar os equipamentos de análise das imagens em salas dentro dos estádios onde as partidas vão ocorrer.
Na Rússia, toda a central foi montada em um prédio em Moscou, interligado por meio de fibra óptica a todos os estádios da Copa do Mundo.
Dois seguranças, que serão custeados pelos clubes, ficarão na porta da sala de controle do VAR para garantir a tranquilidade de quem vai trabalhar e evitar qualquer interferência de pessoas externas.
Os computadores usados pelo árbitros de vídeo possuem programas específicos para que as imagens possam ser adiantadas e retrocedidas com velocidade.
A máquina também permite girar o lance em vários ângulos, para que se visualize melhor o momento da partida que se pretende analisar. Inclusive, em câmera lenta.
A partir das análises realizadas dentro das salas de controle é que pode ocorrer a comunicação entre o árbitro de vídeo principal e o árbitro de campo, que está apitando o jogo.
Depois de receber, por meio de um pequeno transmissor, a informação de que algo ocorreu em um lance que acabou de ser disputado, o árbitro da partida tem três opções.
Ele pode chamar totalmente a responsabilidade para si e ignorar o chamado do árbitro de vídeo; atender a observação recebida pelo sistema de som e voltar atrás em sua decisão imediatamente; ou, então, pedir para rever o lance na beirada do gramado, como ocorreu nas partidas da Copa do Mundo de 2018.
Neste último caso, o sistema brasileiro vai ter as mesmas características do sistema usado pela Fifa no Mundial da Rússia.
A Copa do Mundo e os campeonatos nacionais europeus que já utilizam a tecnologia do VAR, como o Português e o Alemão, mostram que um dos grandes gargalos do sistema é a velocidade com que todo o processo ocorre.
Já as polêmicas, principalmente em lances interpretativos, como os de pênaltis, vão continuar a ocorrer, a exemplo do que houve na Copa.
Esportes
FUTEBOL 2018
CBF testa versão econômica do árbitro de vídeo no Brasil
CBF testa versão econômica do árbitro de vídeo no Brasil
Brasileirão
Memphis treina no Corinthians e deve ter chance em clássico com o São Paulo
Após 22 dias afastado por lesão, atacante pode estrear sob o comando de Clarence Seedorf em clássico decisivo para o Corinthians, que luta para sair da zona de rebaixamento.
02/11/2026 19h00
Compartilhar
Memphis Depay voltou a treinar com o elenco do Corinthians e pode retornar aos gramados no clássico contra o São Paulo. Foto: Divulgação Corinthians
Vitória
Goiano vence etapa de Campo Grande da PBR
Natural de Campo Alegre de Goiás, o peão Elzisclay dos Santos venceu o certame neste domingo
02/11/2026 12h00
Compartilhar
Goiano vence etapa de Campo Grande da PBR Foto: Divulgação
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
ASSINANTES