A Paralimpíada de Tóquio 2020 terminou neste fim de semana e, além de o Brasil terminar com o melhor resultado da história, com 22 ouros, o desempenho dos atletas de Mato Grosso do Sul também foi único. O Estado conquistou quatro ouros em esportes individuais, o que ainda não havia conseguido até hoje.
Em 2016, no Rio de Janeiro, os sul-mato-grossenses voltaram com dois ouros no atletismo individual, com Ricardo Costa de Oliveira, no salto em distância na categoria T11 (cego total), Silvânia Costa de Oliveira, no salto em distância na classe T11 (pessoas com deficiência visual), e no futebol de 7, que contava com jogadores de MS.
Nesta edição, Mato Grosso do Sul conquistou quatro ouros: Yeltsin Ortega Jacques levou dois no atletismo – 1.500 metros rasos classe T11 (deficiência visual) e 5.000 m T11 –; Silvânia conquistou o bicampeonato no salto; e Fernando Rufino fechou a conta, vencendo nos 200 m da classe VL2 (canoa havaiana para atletas com deficiência física).
Além das medalhas, um recorde mundial também foi batido por um sul-mato-grossense. Yeltsin fez o melhor tempo da história nos 1.500 metros rasos da classe T11, com a marca de 3min57s60, e também conquistou a 100ª medalha de ouro do Brasil em Jogos Paralímpicos.
O atleta ainda disputou uma terceira prova, na noite de sábado, a maratona da classe T12, mas abandonou a prova. Dono do ouro que consagrou o Estado nesta edição, Rufino afirmou ao Correio do Estado estar emocionado com a conquista.
“Emoção demais ser campeão do planeta. É um evento especial, o evento maior é o mais importante da carreira de qualquer atleta”, resumiu o campeão, que este ano já havia conquistado o Mundial da categoria e chegava como um dos favoritos.
ESTRUTURA
Para o diretor-presidente da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), Marcelo Ferreira Miranda, o resultado do Estado na Paralimpíada de Tóquio foi “fantástico”.
“Estou muito feliz, é um resultado que vem para coroar esse esforço que fazemos. Foi o melhor resultado da história, nunca tivemos um resultado como esse e está dentro do que era estava esperado: Mato Grosso do Sul já é referência no trabalho paralímpico no Brasil, e as Paralimpíadas Escolares são destaque nacional”, avaliou Miranda.
Segundo a presidente da Associação Campo-Grandense Paradesportiva Driblando as Diferenças (ADD), Marli Cassoli, o bom trabalho neste ciclo paralímpico também é resultado da estrutura que o Estado tem.
“O CPB [Comitê Paralímpico Brasileiro] fez um trabalho muito bom no ciclo. A bolsa atleta do Estado motivou mais. A inauguração da pista de atletismo no Parque Ayrton Senna, em Campo Grande, foi muito boa, sobretudo para o Yeltsin, que, embora represente um clube de São Paulo, treina a maior parte aqui. E a vontade de superar a crise pandêmica que assolou a humanidade são alguns pontos”, disse Cassoli.
Miranda ressalta que, a partir de agora, depois desse resultado, o desafio será manter esses atletas de alto rendimento em Mato Grosso do Sul e melhorar a estrutura para que as futuras gerações consigam repetir e até melhorar esse resultado.
“Faz parte do plano de governo do Estado o fomento da abertura de novos campos de treinamento de iniciação paralímpica em MS e a criação de condições para manter esses atletas treinando em Mato Grosso do Sul. Estamos lançando dois centros de treinamento de atletismo em Ponta Porã e Chapadão do Sul, como o do [Parque] Ayrton Senna, serão pistas oficiais", afirmou.
"Queremos interiorizar os resultados que temos tido na Capital, ampliar em cidades do interior”, afirmou.
Ainda segundo o diretor-presidente, a Fundesporte tem agora três metas:
“Primeiro, a ampliação e o fortalecimento da bolsa atleta e do bolsa técnico – o governador já autorizou o aumento de 30% nos valores; segundo, criar infraestrutura esportiva que proporcione treino de alto rendimento para os atletas; e, terceiro, a médio prazo e muito importante, universalizar a prática de esporte para pessoas com deficiência", disse.
"Quando você tira um garoto de casa e coloca no esporte, proporciona autoconfiança e autonomia”, completou.