O anúncio de que o Cruzeiro foi comprado pelo ex-centro-avante Ronaldo por R$ 400 milhões mexeu com o noticiário e com o mercado do futebol brasileiro.
Mesmo que ainda dependa da avaliação de documentos, contratos e outros dados do clube, processo esse que deve durar entre quatro e cinco meses, o futebol do time celeste já começa a se preparar para receber o seu novo dono.
O clube aderiu à lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e desvinculou a modalidade das demais, tornando-a um clube empresa com 90% das ações disponíveis, quem comprou todas elas foi Ronaldo, sendo assim o sócio-majoritário.
Uma das primeiras mudanças a serem promovidas no clube já foi colocada em prática: Alexandre Mattos, contratado no fim de novembro para ocupar o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro, foi dispensado com a chegada do ex-atacante.
Mattos ficou conhecido ao trabalhar no América Mineiro e depois migrar para a Raposa, onde conquistou dois títulos brasileiros em 2013 e 2014.
Depois, ele foi para o Palmeiras, onde iniciou o projeto, hoje bicampeão da Libertadores e também duas vezes campeão do Campeonato Brasileiro.
A saída se deve a uma maior autonomia que Ronaldo quer ter à frente do clube, atuando diretamente em questões de contratação, além da montagem de seu próprio staff.
O posto de Mattos, que já tinha encaminhado nove contratações para o clube, hoje na Série B, deve ser ocupado pelo ex-zagueiro Paulo André.
Outro que não deve permanecer é o treinador Vanderlei Luxemburgo. Contratado em 2021 durante a disputa da segundona, ele pegou o time com risco de queda para a Série C, mas conseguiu livrar a equipe da situação desconfortável.
Contudo, o elenco não subiu de rendimento e não se aproximou em momento algum do acesso à Série A de 2022.
Ainda assim, Luxemburgo renovou seu contrato até o fim do ano que vem, mas a venda do departamento de futebol do Cruzeiro coloca sua permanência em xeque.
Ao contrário de Mattos, ele ainda não se manifestou sobre o assunto.
“Eu sou fã do Ronaldo e desejo sorte. É muito natural que ele conte nessa transição com a sua equipe”, disse o dirigente em entrevista concedida ao jornal mineiro Superesportes.
Outras negociações e indicações feitas por Mattos e Luxemburgo foram travadas desde o anúncio da compra do Cruzeiro por Ronaldo, ficando o clube em situação de indefinição.
CLUBE-EMPRESA
A compra do Cruzeiro por R$ 400 milhões nada mais é do que o valor que Ronaldo vai aportar, ao longo dos próximos anos, para uso do clube.
A negociação foi intermediada e assessorada pela XP Investimentos, que afirma em nota que a empresa Tara Sports, pertencente ao ex-camisa nove, vai colocar inicialmente R$ 80 milhões na Raposa – em 2021, a receita total da equipe foi de R$ 69 milhões ou seja, 14% a menos.
Já a dívida do clube, hoje estimada perto na casa do R$ 1 bilhão, segue sob a jurisdição do clube social do Cruzeiro.
Mas a SAF é corresponsável pela mesma, sendo obrigada a repassar 20% de sua receita e 50% dos lucros para o clube social, que no caso do time azul-celeste de Minas Gerais terá 10% das ações da sociedade empresarial formada recentemente.
“Os clubes vão observar de perto como o Cruzeiro vai se portar, mas a resistência deles com esse modelo diminuiu muito, justamente pela necessidade de mudança olhando para um passado atolado em dívidas”, afirma o dono especialista em esportivo Renê Salviano, que é ex-dirigente da Raposa e criou recentemente uma agência para atuar no setor.
“Agora é a hora de profissionalizar de vez”, completa Renê, enquanto José Berenguer, CEO do Banco XP e que intermediou o negócio cruzeirense, revela que mais times devem aderir à SAF em breve.
“O Cruzeiro é só o primeiro. Outras negociações semelhantes envolvendo os clubes brasileiros estão por vir."
"O Botafogo será o próximo, também assessorado por nós”, frisa o gestor. América Mineiro e Athletico Paranaense são outros clubes no radar. (Com Agências)