Com aporte superior a R$ 1 milhão do governo do Estado, começa amanhã mais um Campeonato Estadual de Futebol, torneio sempre envolto em polêmicas pelo baixo desempenho das equipes locais e também pela queda da qualidade do jogo apresentado.
Os problemas rotineiros de anos anteriores se repetem nesta temporada: um deles é a falta de estádios aptos para receber as partidas e o público.
Apesar de contar com 10 equipes na disputa, o campeonato começa tendo apenas seis estádios completamente aptos para o torneio: um deles é o Morenão, localizado em Campo Grande, e os demais ficam no interior do Estado.
Em Rio Brilhante, o estádio Ninho da Águia vai abrigar não apenas os duelos do time da casa, o Águia Negra, mas também os do vizinho Dourados Atlético Clube, que optou por jogar ali para poder receber torcida – o Douradão foi liberado pelo Ministério Público para partidas sem presença de torcida.
Podendo receber até duas mil pessoas, conforme lista de laudos disponibilizada pela Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), o Ninho da Águia será o palco do duelo que abre o campeonato, no meio da tarde de quarta-feira.
A partir das 16h, o Dourados encara ali o Coxim, equipe recém-promovida da segunda divisão para a primeira, apesar de protagonizar uma sequência de vexames que acabaram não sendo punidos na divisão de acesso.
Um deles foi um “cai-cai” que ocorreu em Naviraí, com mero um minuto de bola rolando e já 1 a 0 no placar para o time da casa. A alegação foi que os atletas estavam com problemas estomacais, reforçada por atestado do médico do clube. Contudo, a versão foi contestada pela imprensa especializada.
Já o outro palco apto a receber o torneio fica justamente em Naviraí, o estádio Virotão. Podendo ser ocupado por até 2.477 pessoas nas arquibancadas, a arena em homenagem a um dos pioneiros naviraienses, o já falecido Antonio Augusto dos Santos, conhecido como seu Virote, é a casa do Naviraiense, atual campeão da Série B e que retorna após um hiato de quase uma década do futebol profissional.
Em Aquidauana, o estádio Noroeste pode receber partidas com torcida, limitado a duas mil pessoas, tanto em duelos do Azulão como mandante quanto em outros jogos oficiais.
Também no portal do Pantanal, mas na região norte do Estado, aparece Coxim, onde fica o estádio André Borges, onde jogos podem ser realizados com meros 900 torcedores – ou seriam testemunhas – nas arquibancadas da acolhedora cidade.
Fecha a lista de estádios do interior o Laertão, que fica em Costa Rica, sede do time homônimo e atual campeão estadual. Além do aporte do governo de MS, a equipe ainda recebe R$ 750 mil da prefeitura local, outros R$ 650 mil da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por jogar a primeira fase da Copa do Brasil e fundos de patrocinadores privados, sob indicação de lideranças costa-riquenses.
Tendo um dos melhores gramados do Estado, o Laertão foi liberado na semana passada pelo Ministério Público – órgão tido como o guardião do Estatuto do Torcedor e responsável por fiscalizar seu cumprimento – para receber 3.218 pessoas, segundo despacho publicado pela FFMS em seu site oficial.
O limite de público é baseado em laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros. A lista de laudos conta ainda com equipe de engenharia, Polícia Militar e Vigilância Sanitária.
SITUAÇÃO NA CAPITAL
Mesmo contando com três equipes na disputa – Operário, Comercial e União ABC –, a cidade de Campo Grande segue contando com apenas um estádio apto para os jogos do Estadual: o Morenão.
Apesar desse status, o palco esportivo apresenta problemas diversos em sua estrutura, questões já massivamente abordadas e expostas, sendo, inclusive, alvo de ação do governo, que prometeu reforma avaliada em mais de R$ 9 milhões para o local.
Porém, a promessa, feita em 2016, até hoje não foi cumprida. Conforme apurado pela reportagem, o dinheiro já estaria disponível para a realização das obras, mas questões intrínsecas à vontade política dos gestores seguem travando a sequência dos trabalhos, que incluem licitação e execução do projeto.
Tudo deve ser feito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), responsável pelo estádio e que conseguiu, após muitos estudos, receber aporte estadual para realizar a sonhada reforma.
O outro palco da Capital é o estádio das Moreninhas, localizado no interior do Parque Jacques da Luz. Contudo, o local sofre de problemas estruturais crônicos, como falta de água e até de energia elétrica.
Estadual terá 20 rodadas e não contará com final
Aprovado em 2021, sob sugestão do jornalista Claudio Severo, o Campeonato Sul-Mato-Grossense não terá final, e sim uma fase final em formato de hexagonal, com jogos de ida e volta. Os seis times na “final” são os três melhores colocados dos grupos A e B – cada um deles conta com cinco times, caindo o lanterna.
A primeira rodada acontece toda amanhã, com Dourados x Coxim, às 16h, Aquidauanense x Naviraiense, às 18h, Costa Rica x Operário, às 19h, e Comercial x União, às 20h. Os duelos deste ano serão transmitidos pela TVE.