Rejuvenescendo?

Cientistas descobrem água-viva que desafia o tempo ao reverter próprio envelhecimento

Minúscula criatura marinha pode rejuvenescer quando ameaçada

Uma minúscula criatura marinha pode rejuvenescer quando ameaçada. Apelidada de "água-viva imortal", a Turritopsis dohrnii segue vulnerável a predadores, doenças e variações bruscas no ambiente marinho — ela não é indestrutível, apenas capaz de driblar o envelhecimento. A espécie, porém, possui uma capacidade que fascina cientistas há décadas.

Situações de fome, lesões ou oscilações bruscas de temperatura na água desencadeiam uma mudança física no animal adulto, que encolhe o corpo até perder os tentáculos. O que resta é um amontoado minúsculo de tecido, que volta a se comportar como um pólipo, fase inicial do desenvolvimento da espécie.

Esse pólipo dá origem a cópias genéticas do animal original, fazendo com que todo o ciclo de vida recomece quase do nada. É o único processo comprovado no reino animal que representa uma reversão completa do envelhecimento.

O genoma revelado pelos pesquisadores espanhóis

Na Espanha, uma equipe da Universidade de Oviedo comandada pela pesquisadora María Pascual-Torner e pelo bioquímico Carlos López-Otín conduziu o mapeamento genético da espécie. E o compararam ao de uma parente próxima, a Turritopsis rubra, que envelhece normalmente após atingir a fase adulta. O estudo foi publicado em 2022 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A análise genética revelou que a água-viva "imortal" carrega um conjunto incomum de genes: alguns atuam consertando falhas no DNA, outros protegem os telômeros, regulam o estresse oxidativo e preservam as células-tronco do organismo. Todos esses mecanismos estão envolvidos no envelhecimento celular, e o diferencial não está em um único gene, mas na combinação de múltiplas mudanças que atuam juntas.

María Pascual disse ao Exame que o que torna esse animal especial é a sinergia dessas mudanças, que permitem o rejuvenescimento. Segundo a pesquisadora, não há um único gene responsável pelo fenômeno, mas uma combinação de mecanismos biológicos que atuam em conjunto.

 

Como as células especializadas recuperam a juventude

Durante a transformação, ocorre um processo chamado transdiferenciação, que intrigou os pesquisadores. Células altamente especializadas, que desempenham funções específicas, deixam sua função original e assumem novos papéis, como se retornassem a um estágio anterior do desenvolvimento. Essa plasticidade celular permite à água-viva "resetar" o organismo.

A observação dessa capacidade remonta a 1988, quando o estudante alemão Christian Sommer percebeu que o animal não morria e parecia cada vez mais jovem. Depois, o pesquisador japonês Shin Kubota também constatou o rejuvenescimento ao ferir águas-vivas e observar que elas se regeneravam, retornando ao estágio inicial do ciclo de vida.

Essas observações abriram caminho para investigações mais profundas sobre os mecanismos genéticos envolvidos.

Distância entre a água-viva e seres humanos

Embora a descoberta desperte interesse nas pesquisas sobre envelhecimento, a aplicação desses conhecimentos em humanos ainda está distante. Organismos superiores, incluindo os humanos, têm sistemas de envelhecimento mais complexos. Um embrião humano nasce com uma quantidade definida de divisões celulares possíveis, um limite que não se aplica à água-viva.

Manipular genes associados ao envelhecimento em pessoas envolveria riscos e exigiria pesquisas que se estenderiam por muitos anos, além dos estudos já em andamento. Ainda assim, compreender como essa criatura marinha consegue reverter o envelhecimento oferece pistas valiosas para futuros tratamentos de doenças relacionadas à idade e mantém o interesse científico por um dos maiores mistérios biológicos.

Paraíso

Físico de Harvard diz ter descoberto onde estaria o paraíso bíblico no Universo

Ele reuniu conceitos da cosmologia moderna a passagens religiosas para indicar em que região do cosmos o "céu" poderia estar

07/10/2026 07h01

Foto: stempow/Pixabay

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Um limite que nenhum telescópio jamais ultrapassará pode marcar a fronteira entre o universo visível e o paraíso descrito na Bíblia. A hipótese é do físico Michael Guillen, ex-professor em Harvard e doutor em física, matemática e astronomia.

Em texto publicado pela Fox News, Guillen uniu conceitos da cosmologia moderna a passagens religiosas para indicar em que região do cosmos o "céu" poderia estar. Nenhuma comprovação científica sustenta a ideia: o próprio físico a reconhece como especulação.

A descoberta de Hubble como ponto de partida

O raciocínio de Guillen parte de um marco da astronomia: em 1929, o astrônomo Edwin Hubble, advogado americano que se tornou astrônomo amador, percebeu que as galáxias se afastam continuamente umas das outras. Quanto mais distantes estão entre si, mais rápido esse afastamento acontece, e esse padrão revelou a expansão constante do universo.

Esse movimento sustenta o conceito que Guillen chama de Horizonte Cósmico: uma fronteira que separa o que pode ser observado do que está fora de qualquer alcance humano. Segundo ele, há regiões tão remotas que jamais será possível enxergá-las ou visitá-las, por mais que a tecnologia avance.

 

Por que a luz impõe um limite

A velocidade da luz impõe uma barreira física intransponível, e pela teoria da relatividade de Albert Einstein, nenhum objeto com massa consegue alcançar ou superar essa velocidade no vácuo. Por isso, partes do cosmos ficam para sempre fora do nosso campo de observação.

Guillen descreve esse ponto sem retorno como uma linha que separa o observável do eternamente inacessível. Para ele, viajar até lá nunca será possível, nem para as próximas gerações nem com qualquer avanço tecnológico futuro.

Da física à leitura religiosa

É nessa fronteira que o argumento do físico deixa a astronomia e passa à interpretação bíblica. Guillen sugere que a parte do universo inalcançável pela observação humana poderia corresponder ao nível mais alto do céu, onde, segundo o relato bíblico, Deus habitaria.

Guillen ressalta que o Horizonte Cósmico não equivale ao fim do universo: ele define apenas até onde conseguimos ver ou receber alguma influência. Para ele, pode haver um universo inteiro além dessa barreira, permanentemente fora do nosso alcance.

A ciência consegue apontar para essa fronteira, que talvez jamais atravessemos, mas o que poderia existir além dela continua sendo uma pergunta em aberto.

Associar os dois campos não garante que a física tenha localizado o paraíso. A cosmologia permite discutir regiões fora do alcance da observação humana, mas nenhum dado comprova que esse espaço corresponda às Escrituras. A ponte entre ciência e fé, nesse caso, é apenas uma interpretação pessoal.

Tecnologia internacional

Maior navio do mundo, com torre de 156 metros, deixa a China e segue rumo ao Brasil

Ele tem 160 metros de comprimento e é maior que um campo de futebol

06/10/2026 19h07

Foto: abdo alshreef/Pexels

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O CRCC Bridge Piling No.1 zarpa de Lusi em sua primeira travessia internacional. A viagem até as águas de Pernambuco levará 45 dias. De lá, o navio seguirá para a Bahia, onde executará a tarefa para a qual foi construído: fixar as fundações que sustentarão a maior ponte da América Latina sobre a Baía de Todos-Os-Santos.

Com 160 metros de comprimento e uma torre de 156 metros de altura, a embarcação chinesa é o maior navio de cravação de estacas em operação no planeta.

Sua especialidade é enterrar cilindros de aço ou concreto no leito marinho, o trabalho mais delicado de qualquer ponte sobre a água. Essas fundações precisam resistir às correntes, às marés e ao peso da estrutura por décadas.

A missão na Bahia

O navio atuará na construção do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, projeto que ligará a capital baiana a Vera Cruz, município que abriga a maior ilha marítima do Brasil. A embarcação deve atracar em águas próximas a Recife antes de seguir para o destino final na Bahia.

Túneis e viadutos conectarão a nova ponte à Via Expressa, além das avenidas Jequitaia e Engenheiro Oscar Pontes, ampliando o acesso ao centro de Salvador. Na Bahia, a ponte se conectará na região do Terminal Marítimo São Joaquim, onde hoje opera o Ferry-Boat, enquanto em Vera Cruz chegará à região da Gameleira.

O consórcio por trás da obra

Uma Parceria Público-Privada sustenta o empreendimento, executado pela Concessionária Ponte Salvador-Itaparica. Duas empresas chinesas de engenharia integram o consórcio: a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e a China Communications Construction Company (CCCC). As duas têm vasta experiência internacional em infraestrutura de grande escala.

A chegada do navio-estaqueador marca uma etapa crítica da obra. O projeto deve ser concluído em junho de 2031 e transformar a rotina de quem depende da travessia marítima entre a capital e a ilha. O Ferry-Boat seguirá operando, mas a ponte reduzirá o tempo de deslocamento.

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