Emprego inusitado

Enquanto salário no Brasil é R$ 1.621, Flórida paga R$ 150 por hora para caçar cobras invasoras

Cada captura rende R$ 250 extras.

Nos pântanos do sul da Flórida, equipes contratadas pelo governo estadual recebem até US$ 30 por hora para localizar e eliminar pítons invasoras. Cada captura rende US$ 50 extras, e o valor aumenta US$ 25 para cada pé adicional medido no corpo do animal. A remuneração contrasta com o salário mínimo brasileiro, hoje em R$ 1.621.

Em tese, uma única jornada de patrulha pode pagar mais do que um mês inteiro de trabalho formal no Brasil. Mas a realidade nos Everglades é bem mais dura do que os números sugerem. Na prática, a renda é instável e depende da sorte e do preparo físico exigido pelo trabalho.

Como o programa funciona

O South Florida Water Management District mantém o Python Elimination Program, que recruta civis dispostos a enfrentar os pântanos em busca das serpentes invasoras. A iniciativa nasceu porque os répteis se multiplicaram sem controle e passaram a ameaçar espécies nativas da região, alterando as cadeias alimentares dos Everglades.

Equipes autorizadas cruzam diques, canais remotos e trilhas alagadas em turnos que se estendem pelo dia ou pela madrugada. Capturar e sacrificar humanitariamente cada animal é o objetivo esperado de cada incursão, parte de um esforço contínuo para devolver equilíbrio ao ecossistema pantanoso.

Em uma temporada de conservação, um programa similar capturou recorde de 177 serpentes, pesando 3,7 toneladas no total.

Como é calculada a remuneração

Patrulhar as áreas de busca garante um teto de US$ 30 por hora, valor que já funciona como base fixa do trabalho realizado. Sobre esse piso, cada serpente efetivamente retirada da natureza soma US$ 50 ao pagamento do caçador responsável pela captura.

Serpentes maiores rendem ainda mais: cada pé medido além do padrão acrescenta US$ 25 ao valor total recebido. Na prática, quanto mais perigoso e desafiador o exemplar, maior a recompensa financeira destinada a quem consegue dominá-lo no campo.

Urubus foram flagrados pela primeira vez devorando ovos de píton-birmanesa em um ninho nos Everglades, sinalizando mudanças na dinâmica predatória local provocadas pelo trabalho de erradicação.

Por que o ganho real fica abaixo do esperado

Apesar dos valores anunciados parecerem generosos, veteranos da atividade relatam que a renda está longe de ser previsível. É comum um caçador passar diversas noites seguidas nos pântanos sem encontrar nenhum espécime, depois de gastar combustível e tempo de deslocamento sem retorno financeiro.

A baixa frequência dos avistamentos torna o trabalho mais parecido com uma aposta do que com um emprego regular. Por isso, a caça funciona como complemento de renda, sem os direitos e garantias de um vínculo empregatício tradicional que ofereceria estabilidade aos profissionais.

Os desafios físicos da busca

Encontrar as pítons exige enfrentar calor extremo, umidade constante e terrenos instáveis que dificultam o deslocamento dos caçadores. A presença de crocodilos nas proximidades aumenta o risco de uma rotina já desgastante.

A camuflagem natural das serpentes dificulta sua identificação mesmo para quem já tem experiência acumulada no campo. Longas horas de deslocamento silencioso terminam, muitas vezes, sem nenhuma captura registrada, consumindo energia física e desgastando o equipamento usado na busca pelos pântanos.

Esses desafios mostram por que o programa tenta transformar um problema ambiental em oportunidade de renda extra. Mas a diferença entre o pagamento anunciado e o que cada agente recebe no fim do mês continua sendo o maior obstáculo da iniciativa.

Astronomia

A poeira de cometa que viajou até a Terra há 20 anos e ainda desafia os cientistas

Mistério que os cientistas ainda tentam desvendar.

08/10/2026 12h48

Foto: Scott Lord/Pexels

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A missão Stardust da NASA retornou à Terra há duas décadas com partículas coletadas do cometa 81P/Wild 2. Os grãos de rocha derretida encontrados nessa poeira não correspondem a nenhum meteorito conhecido e provavelmente se formaram longe do Sol, em regiões possivelmente repletas de gelo — um mistério que os cientistas ainda tentam desvendar.

A descoberta contraria décadas de suposições científicas. Por muito tempo, os pesquisadores acreditaram que os grãos derretidos encontrados em cometas vinham de regiões mais próximas do Sol, onde se formam os meteoritos conhecidos.

A análise recente dos fragmentos coletados indica o oposto: esses grãos nasceram em locais muito mais distantes, em ambientes gelados nunca associados à formação de rocha derretida.

A jornada do cometa até nosso planeta

A missão Stardust passou pelo cometa Wild 2 em 2004 e retornou com suas partículas em 2006. Os fragmentos foram capturados em um bloco de aerogel, material leve com propriedades de vidro espumoso, projetado para frear suavemente as partículas em alta velocidade.

Quando os grãos atingiram o coletor a aproximadamente 6,1 quilômetros por segundo, deixaram túneis longos em forma de cenoura dentro do material. Mingming Zhang, da Universidade de Wisconsin-Madison, coordenou o estudo junto com colegas da Universidade de Washington. O trabalho enfocou um dos maiores desses túneis, com cerca de 17 milímetros de comprimento.

Os pesquisadores extraíram 98 fragmentos daquela amostra. Quase metade era composta por peças de condritos ou se assemelhava fortemente a eles, a maior proporção encontrada em qualquer túnel do Stardust até então.

Grãos que não correspondem a nenhum padrão conhecido

Os condritos são pequenas esferas de rocha, geralmente menores que 1 milímetro, que começaram como gotículas quentes cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. Após esfriar, foram incorporados ao pó que construiu os asteroides rochosos.

Cientistas já encontraram condritos em cometas, mas a equipe descobriu que esses grãos específicos vêm de uma fonte não identificada. Eles não formavam uma mistura aleatória de material derivado da região dos asteroides.

A ferramenta para desvendar essa origem foi o oxigênio. Esse elemento existe em três pesos diferentes, e a proporção de isótopos leves e pesados em um mineral funciona como um endereço de retorno, revelando exatamente onde no jovem sistema solar aquele material se formou.

Entre 2021 e 2025, a equipe fez 273 medições de oxigênio nos fragmentos e as comparou com a quantidade de ferro de cada grão ligada ao oxigênio, indicador das condições de formação.

Sinais de um lugar inesperado: as regiões geladas

Cerca de 9 em cada 10 fragmentos seguiram um padrão que não correspondia aos condritos de nenhum grupo conhecido de meteoritos. Os demais eram ricos em ferro e pobres no isótopo mais leve de oxigênio — uma combinação ausente em todos os grupos de meteoritos registrados.

Quando os pesquisadores tentaram misturar condritos desses grupos em diferentes proporções, nenhuma combinação reproduziu o que observaram. Zhang disse que a descoberta mais surpreendente foi que os grãos apontam para "um reservatório de condritos previamente não identificado nas regiões ricas em gelo do sistema solar".

Grãos ricos em ferro compunham cerca de 60% dos fragmentos — uma proporção muito superior à encontrada nos meteoritos ricos em carbono que mais se aproximam deles, onde menos de 1 em cada 10 condritos apresentam essa riqueza de ferro.

A quantidade de ferro oxidado naqueles grãos sugere que se formaram em ambientes onde a água ou o gelo desempenharam um papel importante — justamente as condições que prevalecem nas regiões externas do sistema solar.

A conclusão altera parte do que se sabe sobre como e onde os materiais primitivos do sistema solar foram processados e levanta novas questões sobre os processos energéticos que geram rocha derretida em locais antes considerados frios demais para isso.

Calor extremo

Terra será atingida por tempestade solar nesta sexta e cientistas alertam para consequências

Onda de calor deve alcançar o planeta já nas primeiras horas desta sexta-feira

08/10/2026 11h38

Imagem gerada por inteligência artificial

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O sol lançou uma ejeção de massa coronal no dia 6 de outubro, e essa nuvem de partículas deve alcançar o planeta já nas primeiras horas desta sexta-feira, dia 9. Com isso, existe a chance de auroras boreais surgirem em regiões situadas mais ao sul do que costuma ocorrer, ainda que o Brasil fique fora da área de visibilidade do fenômeno.

Para esse episódio, o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA estabeleceu a classificação G2, que corresponde a uma tempestade geomagnética de intensidade moderada. Esse tipo de tempestade acontece quando o campo magnético terrestre é atingido por um volume expressivo de partículas carregadas lançadas pelo Sol ao longo do espaço.

A labareda solar de classe M1.4 que acompanhou a ejeção partiu da região de manchas solares AR4549, atualmente voltada para a Terra, e isso mantém os cientistas atentos ao desdobramento.

Velocidade e horários da chegada

O Solar Influences Data Analysis Center (SIDC), da Bélgica, estima que a nuvem de partículas viaje a cerca de 560 quilômetros por segundo. O Met Office do Reino Unido projeta a chegada por volta de 1h, no horário de Brasília, embora essa estimativa tenha margem de até 6 horas para mais ou para menos.

Modelos da NOAA indicam que a tempestade pode variar entre os níveis G1 (menor) e G2 (moderada) ao longo do dia 9. O pico de atividade G2 deve ocorrer entre 6h e 9h, no horário de Brasília, mas os cientistas continuam refinando os cálculos de trajetória e velocidade conforme novas observações chegam.

Ainda não é possível determinar o horário exato do impacto, e os institutos reconhecem essa margem de erro nas previsões.

Onde as auroras poderão ser vistas

Tempestades classificadas como G2 correspondem a um índice Kp 6, faixa em que as auroras já foram flagradas em pontos tão distantes do polo quanto Nova York. Se uma parte significativa da ejeção estiver direcionada para a Terra, o fenômeno pode se estender para latitudes muito mais ao sul do que o habitual.

A visibilidade depende da orientação do campo magnético que a nuvem solar carrega no momento do encontro com a Terra.

Dependendo de como essa interação acontecer, o brilho das auroras pode ficar restrito às regiões mais ao norte ou se espalhar além do esperado. O fenômeno não deve ser observado a partir do Brasil, dada a localização do país em relação aos polos magnéticos.

Cientistas alertam que a tempestade pode ser menos intensa que um evento similar ocorrido em maio, embora a duração prevista seja de aproximadamente 36 horas.

Próximas atividades solares

Logo depois da erupção M1.4, a mesma região, AR4549, gerou uma segunda ejeção, de classe M1.8. Isso indica que a atividade solar pode não se encerrar com este evento.

Há ainda buracos coronais se deslocando pelo lado do Sol voltado para o nosso planeta, capazes de gerar novas correntes de vento solar em alta velocidade — o que deve resultar em um novo pico de atividade geomagnética por volta de 11 de outubro.

Quem pretende acompanhar o evento deve consultar os boletins atualizados ao longo do dia 9 de outubro para verificar se as condições continuam favoráveis. As previsões podem mudar conforme os especialistas analisam novas observações de coronógrafos e refinam os modelos de trajetória.

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