Um bloco único de mármore esculpido com 500 toneladas deixou a ilha grega de Naxos rumo à Basileia, na Suíça, percurso de quase 1.900 quilômetros que mistura estrada, mar e rios europeus.
A peça, batizada de "Lira de Naxos", saiu da pedreira de Kinidaros em 29 de setembro e pode entrar para o Guinness World Records se atender aos critérios avaliados pela organização. Os responsáveis pela obra já entraram em contato com o Guinness. O trajeto terrestre pela ilha aconteceu durante a madrugada para não travar o trânsito local durante o dia.
A operação usou uma plataforma modular autopropelida de 12 eixos, equipamento raro capaz de deslocar cargas desse porte sem fracionar a escultura em partes menores.

As dimensões que exigiram engenharia especial
A escultura final tem 12 metros de comprimento, 6 metros de largura e 6 metros de altura. O bloco bruto, antes do trabalho artístico, era ainda maior: cerca de 17 metros de comprimento, 7 metros de largura e 7 metros de altura, reduzido ao longo do processo de talha.
O escultor Tobias Ballaty passou mais de seis meses trabalhando diretamente na pedra, ainda dentro da pedreira. Ele não precisou dividir o mármore em blocos menores para facilitar a produção. Manter a peça inteira, sem cortes, é justamente o que complica o transporte.
Rota marítima até o coração da Europa
Depois do trecho rodoviário, a escultura seguiu por mar em direção ao norte europeu. O planejamento prevê passagem pela Holanda antes da entrada na malha de rios que conduz até a Basileia.
A navegação fluvial aproveita as grandes vias navegáveis do continente, incluindo a ligação com o Reno, para levar a peça ao interior da Europa sem recorrer a estradas. É a forma encontrada para transportar uma obra que não cabe em nenhum caminhão convencional nem pode ser fatiada no caminho.
Um projeto iniciado em 2023
O trabalho na "Lira de Naxos" começou por volta de 2023, quando Ballaty passou a esculpir o bloco retirado da pedreira de Kinidaros. A escolha por manter a peça inteira, sem cortes, elevou o grau de dificuldade de cada etapa seguinte, da saída da ilha até a chegada à Suíça.
Agora, o desafio que resta é concluir o percurso fluvial sem fragmentar a escultura em nenhum momento, condição que sustenta a possibilidade de recorde no Guinness World Records. Até a chegada à Basileia, a peça segue sendo acompanhada como uma operação única de transporte de mármore em larga escala.




