Furacão

Furacão pode se formar no Oceano nesta semana e quebrar recorde da história moderna

Será o primeiro a se formar nesta semana

O primeiro furacão de 2026 pode se formar nesta semana no Atlântico. Se isso ocorrer, será o surgimento mais tardio de um furacão na história moderna da meteorologia e quebrará o recorde de atraso para o aparecimento de um furacão na temporada, segundo o meteorologista Luiz F. Nachtigall, da MetSul Meteorologia.

A Depressão Tropical Nove, origem do sistema, formou-se no Golfo do México em 6 de outubro. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos projeta que ela se torne tempestade tropical em 7 de outubro e alcance o status de furacão em 8 de outubro, favorecida pelo calor incomum das águas do Golfo.

A influência do El Niño ajuda a explicar por que o ciclone demorou tanto a aparecer neste ano: o fenômeno costuma criar um ambiente atmosférico menos favorável à formação de furacões no Atlântico.

Trajetória e força esperada do Isaias

Batizado de Isaias, o sistema pode chegar à categoria 2 na escala Saffir-Simpson, com rajadas próximas de 160 km/h. A rota prevista leva a tempestade à costa Norte do Golfo, atingindo o Sul dos Estados Unidos entre a noite de amanhã (9) e a madrugada do dia seguinte (10).

Ainda assim, a trajetória pode mudar por causa do cisalhamento do vento — mudanças bruscas de direção ou velocidade das rajadas em pouco espaço, conforme define a Agência Nacional de Aviação Civil. Esse fator pode tanto conter quanto acelerar a intensificação do ciclone, dependendo de como o sistema se organizar nas próximas horas.

Chuva forte e risco de inundação

Além dos ventos, a chuva é o maior perigo do Isaias. A combinação de uma circulação tropical mais forte com alta umidade no ar tende a produzir volumes capazes de provocar alagamentos, principalmente em áreas com solo já encharcado.

Louisiana, Mississippi, Alabama e o Noroeste da Flórida estão entre as regiões mais expostas ao avanço do sistema. Há risco de ressaca, ondas elevadas e correntes de retorno nas praias do Golfo do México.

Impacto econômico e resposta das autoridades

A aproximação do furacão também preocupa o setor de energia. Cerca de 11,2 milhões de barris de petróleo podem deixar de ser produzidos durante a passagem da tempestade pelo Golfo do México.

Em episódios anteriores de risco climático na região, o governador Ron DeSantis decretou estado de emergência em 25 condados da Flórida. A medida costuma anteceder a chegada de sistemas tropicais mais intensos ao estado.

O que pode mudar o cenário

O calor recorde da água do Golfo fornece energia extra para a convecção profunda, o que favorece a organização do ciclone. Ao mesmo tempo, bolsões de cisalhamento podem travar essa evolução, e a definição só deve ficar mais clara conforme o sistema avança sobre o Golfo.

Também existe risco de tempo severo associado ao ciclone, com possibilidade de tornados e trombas-d'água nos setores Leste e Nordeste da circulação. Moradores das áreas sob alerta devem acompanhar as atualizações do Centro Nacional de Furacões até a chegada do Isaias à costa, prevista para o fim de semana.

Astronomia

NASA encontra em Madagascar um "pedaço da Lua" de 100 km² escondido na Terra

Fotografia captada da Estação Espacial Internacional.

08/10/2026 16h00

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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Uma fotografia captada da Estação Espacial Internacional revelou, no sul árido de Madagascar, um círculo de rocha clara que chamou a atenção da NASA. O brilho intenso da formação contrasta com o terreno circundante, lembra regiões observadas na Lua e preserva evidências de processos geológicos ocorridos centenas de milhões de anos atrás.

A estrutura é o maciço de anortosita de Saririaky, com aproximadamente 100 quilômetros quadrados de superfície. A anortosita é uma rocha ígnea intrusiva, formada quando o magma esfria sob a superfície terrestre e desenvolve grandes cristais minerais.

Uma herança do supercontinente antigo

Os cientistas determinaram que o maciço se originou no Precámbrico tardio, há pelo menos 600 milhões de anos, antes de Madagascar adquirir sua configuração geográfica atual. As rochas ao redor de Saririaky registram um episódio intenso da evolução geológica da região, marcado por deformações causadas por pressões e temperaturas elevadas.

A deformação deixou no terreno padrões lineares orientados de norte a sul, sinais das forças intensas que atuaram quando diferentes blocos continentais começaram a convergir. Os geólogos associam essas alterações às colisões entre blocos continentais que hoje integram África, Índia, Madagascar, Austrália e Antártida, durante a formação do supercontinente Gondwana.

Conexão com a superfície lunar

A comparação com a Lua vai além da aparência visual. A anortosita também é uma rocha comum na superfície lunar e integra as zonas claras e refletivas conhecidas como terras altas lunares.

Afloramentos similares aparecem desde o leste do Canadá e da Escandinávia até o sul da Índia, tornando essas formações terrestres referências valiosas para compreender materiais fundamentais nos primeiros momentos da história lunar.

As anortositas lunares têm mais de 4 bilhões de anos e cristalizaram a partir do antigo oceano de magma lunar até integrar sua crosta exterior. Embora cientistas tenham estudado amostras coletadas pelos astronautas do programa Apolo, esse material é limitado, razão pela qual recorrem a equivalentes terrestres para aprofundar o conhecimento sobre o passado do satélite.

Fragmentação e estrutura em grande escala

O estiramento e a quebra de materiais submetidos a tensões intensas geraram uma estrutura em larga escala conhecida como boudinage. A descoberta reforça a importância de estudar formações geológicas terrestres para compreender tanto a história do planeta quanto os mecanismos que moldaram nosso satélite natural ao longo de bilhões de anos.

Filosofia

Bertrand Russell: "Cientistas tornam o impossível possível. Políticos tornam o possível impossível"

Filósofo britânico veceu o Prêmio Nobel.

08/10/2026 15h04

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Bertrand Russell, filósofo britânico laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1950, afirmou que os cientistas se esforçam para tornar possível o impossível, enquanto os políticos se esforçam para tornar impossível o possível. A reflexão continua provocando debate sobre como o conhecimento e o poder são utilizados.

A frase contrapõe duas visões sobre o progresso humano e a capacidade de transformação. Russell distingue quem trabalha para ampliar as possibilidades humanas de quem, a partir das instituições, pode limitá-las. Enquanto a ciência busca respostas para problemas que pareciam insolúveis, a política nem sempre converte essas oportunidades em melhorias concretas para a sociedade.

Duas formas de entender o progresso

A distinção que Russell propõe apresenta dois caminhos opostos diante dos desafios. De um lado estão os cientistas, movidos pela curiosidade e pelo questionamento dos limites estabelecidos, que buscam novas soluções para o que parecia impossível.

Do outro lado, quem exerce o poder precisa tomar decisões que afetam toda a sociedade. Seus interesses e prioridades, porém, podem bloquear o que já é tecnicamente viável.

A reflexão não precisa ser interpretada como rejeição absoluta aos políticos, mas como crítica às decisões que transformam o simples em complicado. Dispor dos meios necessários para resolver um problema não garante vontade de implementar a solução. Russell convida a questionar se os maiores obstáculos para avançar são realmente as limitações intrínsecas ou as barreiras que o próprio sistema constrói.

Conhecimento e responsabilidade coletiva

O raciocínio de Russell aponta também para a responsabilidade que acompanha o conhecimento adquirido. A ciência pode abrir novos caminhos, mas depende de decisões coletivas para transformar suas descobertas em bem-estar.

Para Russell, o verdadeiro progresso não consiste apenas em conquistar o que antes parecia inalcançável, mas também em evitar que as próprias escolhas impeçam o uso do que já está ao alcance.

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