História

Garrafa encontrada no deserto do Egito revela mensagem escrita em 1977, quase 50 anos depois

Item foi encontrado durante uma expedição para mapear antigas trilhas.

Uma mensagem escrita em maio de 1977 ficou enterrada por quase cinco décadas na areia do Deserto Ocidental do Egito, até ser encontrada pelo guia beduíno Suleiman Zidan. A garrafa de vidro, descoberta na região de Wadi Jadid, guardava um bilhete com informações que permitiriam rastrear seu autor ao longo dos anos.

Durante uma expedição para mapear antigas trilhas de caravanas, Suleiman avistou o recipiente semienterrado em uma elevação rochosa, perto de caixas de metal e de um tanque de água enferrujado.

Apesar de frágil, o papel ainda tinha partes essenciais legíveis: a data, o nome Tom Moran, a referência "Party 6305", a palavra "Avich" e um endereço em Bay Street e Malta.

A busca que atravessou continentes

Para investigar a descoberta, Suleiman pediu ajuda ao primo Ayman Zidan, parceiro frequente nas expedições pelo deserto. Ayman fotografou o bilhete e o encaminhou ao jornal Times of Malta, levando o achado a uma investigação que atravessaria fronteiras e décadas de silêncio. A publicação do achado no jornal maltês reabriu pistas perdidas havia quase meio século.

A divulgação permitiu ligar o pequeno papel encontrado na areia à família de quem o havia deixado ali. A mensagem, colocada em uma garrafa em um momento específico da vida de Tom Moran, viajou muito mais longe no tempo do que ele jamais imaginou.

Ciência

A Terra não gira como antes: cientistas investigam fenômeno no núcleo que pode alongar os dias

Nas últimas seis décadas, a duração de cada rotação variou.

10/10/2026 13h01

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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A duração real de um dia é de 86.400 segundos, mas a Terra nem sempre completa uma rotação nesse intervalo. Nas últimas seis décadas, a duração de cada rotação variou por frações de milissegundo, ora encurtando, ora alongando o dia. Um novo estudo aponta uma possível origem desse descompasso a quase 3.000 milhas de profundidade, no núcleo sólido do planeta.

Essa estrutura parece oscilar de um lado para o outro. A força gravitacional gerada nesse movimento empurra o manto rochoso que a envolve e altera a velocidade de rotação da Terra. Huifeng Zhang, doutorando em física na University of Alberta, conduziu a pesquisa em parceria com o professor Mathieu Dumberry.

Várias forças mexem com o relógio da Terra

As marés provocam pequenas diferenças de um dia para outro, enquanto os ventos deslocam a duração conforme a estação do ano muda. Ao longo de milhões de anos, o atrito causado pelas marés lunares vem alongando os dias de forma gradual.

Existe ainda uma oscilação mais lenta, que se repete em ciclos de 10 a 70 anos e também altera a duração do dia em alguns milissegundos.

Há mais de 30 anos, os cientistas sabem que essas variações de décadas nascem no interior do planeta, numa troca de energia de rotação entre o núcleo líquido. E o manto — a camada de rocha quente, com cerca de 1.800 milhas (quase 2.900 quilômetros) de espessura, situada entre a crosta e o núcleo.

O mistério da força que faltava explicar

Quando o núcleo acelera, o manto desacelera um pouco, e vice-versa. Faltava identificar qual força permite essa troca entre as duas camadas.

Três candidatas entraram na disputa: as forças magnéticas na fronteira entre núcleo. E manto; a pressão do ferro líquido em movimento contra irregularidades dessa fronteira, chamadas de forças topográficas; e a gravidade exercida pelo núcleo interno sólido. O núcleo não é uma esfera perfeita e carrega pequenas saliências geralmente alinhadas a áreas de massa irregular no manto.

Zhang e Dumberry compararam as três hipóteses com registros reais da duração do dia entre 1964 e 2019.

Um núcleo que balança como pêndulo

Para reconstruir o comportamento do núcleo interno, a dupla usou dados sísmicos publicados em 2023 por Yi Yang e Xiaodong Song, da Peking University. Nessa reconstrução, o núcleo gira cerca de 2,35 graus numa direção e depois na direção oposta, sempre em relação ao manto.

Os pesquisadores da Peking University informaram ao Earth que essa rotação chegou perto de parar por volta de 2009 e, em seguida, inverteu o sentido. Segundo eles, o núcleo interno gira de um lado para o outro em relação à superfície terrestre, como um balanço. Um ciclo completo desse movimento dura cerca de sete décadas.

O site Earth.com já havia registrado sinais de que essa rotação do núcleo interno passara a se mover no sentido contrário ao da superfície.

A gravidade bateu com os dados reais

Quando o núcleo se desalinha, suas saliências puxam a massa do manto ao redor, num efeito que os pesquisadores chamam de torque gravitacional. As forças magnéticas e topográficas, por outro lado, previam variações na duração do dia que seguiam quase sempre o caminho oposto ao que os registros mostravam.

Já o torque gravitacional coincidiu com a intensidade e o momento exato das mudanças observadas ao longo de várias décadas. No modelo construído por Zhang e Dumberry. O núcleo interno comanda as oscilações longas na duração do dia, enquanto as forças na fronteira entre núcleo e manto atuam como uma resistência a esse empurrão.

Segundo a dupla, essa explicação se encaixou nos dados com uma facilidade que nenhuma das outras duas forças conseguiu reproduzir entre 1964 e 2019.

História

O mistério do navio português do século XVI encontrado em pleno deserto africano

Batizada de Bom Jesus, a nau carregava moedas de ouro.

10/10/2026 12h39

Foto: Khusen Rustamov/Pexels

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<p>Um navio português do século XVI naufragou na costa da Namíbia e passou quase 500 anos soterrado pela areia do deserto, até ser localizado em 2008. Batizada de Bom Jesus, a nau carregava moedas de ouro, armas e objetos históricos quando afundou no litoral africano.</p>


<p>O achado chamou a atenção de arqueólogos e historiadores pelo volume de itens preservados e pelo que eles revelam sobre as grandes navegações portuguesas. A estrutura apareceu na chamada Costa dos Esqueletos, região da Namíbia conhecida pela quantidade de naufrágios ao longo dos séculos.</p>


<h2>Como a nau apareceu sob a areia</h2>


<p>A equipe localizou a nau por acaso em 2008, enquanto drenava um trecho próximo ao litoral namibiano para extrair diamantes. À medida que retirava a areia e o sedimento, a equipe encontrou fragmentos de madeira e metal que revelaram os restos de uma estrutura muito antiga.</p>


<p>Os especialistas reconheceram de imediato a relevância histórica do material. O resgate dos destroços permitiu reconstruir parte das rotas comerciais do século XVI e entender melhor as condições enfrentadas pelos tripulantes das naus portuguesas.</p>


<h2>O tesouro guardado no casco soterrado</h2>


<p>No interior do casco, foram encontradas moedas de ouro, armas e objetos ligados à vida a bordo e às transações comerciais da rota portuguesa. Também foram encontradas mais de 100 presas de elefante. Somada ao ouro, a carga mostra a dimensão do comércio transportado pela nau quando ela afundou.</p>


<p>Cada peça registra um momento da expansão marítima europeia. A boa conservação dos materiais, mesmo após quase cinco séculos enterrados, ajuda os pesquisadores a entender os riscos enfrentados pelos navegadores ao cruzar o Atlântico rumo às rotas africanas.</p>


<h2>Um cemitério de naufrágios na costa</h2>


<p>A faixa de litoral onde a embarcação foi localizada é conhecida entre marinheiros e pesquisadores pelos naufrágios. A Costa dos Esqueletos reúne destroços de diversas embarcações que afundaram na região da Namíbia ao longo dos séculos.</p>


<p>Correntes fortes, bancos de areia traiçoeiros e neblina constante tornaram essa faixa de mar perigosa para os veleiros antigos. O naufrágio do Bom Jesus se soma a esse histórico, mas se destaca pela quantidade e pelo estado de conservação dos itens recuperados do casco.</p>


<p>Quase cinco séculos se passaram entre o naufrágio e a descoberta. O Bom Jesus continua sendo uma das poucas naus portuguesas desse período encontradas com a carga tão completa e bem conservada.</p>
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